Entenda o Lúpus Eritematoso: guia completo para pacientes

O lúpus eritematoso é mais do que uma simples condição médica — é um desafio complexo para a saúde que exige atenção especial. Caracterizado por uma inflamação crônica que pode impactar órgãos essenciais, como rins, coração e cérebro, o lúpus é uma doença autoimune onde o próprio sistema de defesa do corpo se volta contra ele, causando danos significativos. 

Este guia é projetado para esclarecer os aspectos fundamentais do lúpus eritematoso, enfocando suas manifestações cutâneas e as opções de tratamento disponíveis. A pele, afetada em mais de 85% dos casos de lúpus, é muitas vezes o primeiro sinal de alerta. A identificação precoce por um dermatologista pode ser crucial para um tratamento eficaz e para a melhoria da qualidade de vida dos pacientes. 

Exploraremos os sintomas mais comuns do lúpus, com um olhar atento às manifestações na pele e as abordagens terapêuticas recomendadas. Entender esses sinais pode ajudar no reconhecimento precoce e gerenciamento da doença. 

Prevalência do Lúpus: Estatísticas e Fatores de Risco 

A prevalência do lúpus varia globalmente, com taxas de incidência estimadas entre 1 a 25 casos por 100.000 pessoas. Este dado ressalta a importância de compreender os fatores de risco e as populações mais vulneráveis à doença. 

Influência do Ambiente e Etnia 

Pesquisas mostram que a incidência do lúpus é maior em áreas urbanas comparativamente às rurais. Esse fenômeno pode estar relacionado a fatores ambientais específicos das cidades que precisam de investigação adicional. Além disso, indivíduos de ascendência asiática e afrodescendente apresentam uma maior predisposição ao lúpus, indicando que a etnia pode desempenhar um papel significativo na suscetibilidade à doença. 

Disparidade de Gênero na Incidência do Lúpus 

O lúpus sistêmico tem um impacto desproporcional nas mulheres, com uma razão de 7 mulheres afetadas para cada homem.

Esse desequilíbrio sugere uma possível conexão entre o lúpus e os hormônios sexuais femininos, tornando as mulheres um grupo de especial interesse para pesquisas e estratégias de prevenção. 

Comparação entre as Formas de Lúpus 

Quando se trata das variantes da doença, o lúpus eritematoso discoide cutâneo — que se manifesta, na grande maioria do casos, exclusivamente na pele — é de 2 a 3 vezes mais comum do que sua contraparte sistêmica, que também atinge outros órgãos vitais.  

Esse conhecimento é crucial para o diagnóstico correto e o tratamento adequado. 

Entendendo as Causas do Lúpus Eritematoso: Fatores de Risco e Influências 

Fatores Genéticos na Origem do Lúpus 

O lúpus eritematoso, uma complexa doença autoimune, tem etiologia multifatorial. Estudos apontam uma correlação genética, com casos da doença aparecendo em múltiplos membros de algumas famílias, indicando que a herança desempenha um papel significativo no desenvolvimento do lúpus. 

Influência Hormonal no Lúpus Eritematoso 

A predominância do lúpus em mulheres sugere fortemente um fator hormonal na patogênese da doença. Essa teoria é respaldada pela observação de que as manifestações do lúpus podem piorar durante a gravidez — um período de níveis elevados de estrogênio — e a tendência de uma progressão mais branda em homens, que têm maiores níveis de testosterona. 

O Papel da Exposição Solar na Ativação do Lúpus 

A exposição à radiação ultravioleta A (UVA), presente na luz solar e capaz de atravessar vidros, tem sido identificada como um fator ambiental que pode desencadear o lúpus. A UVA pode danificar os queratinócitos da pele, levando à produção de autoantígenos e, subsequentemente, de autoanticorpos que atacam o organismo, um processo central na autoimunidade do lúpus. 

Impacto Ambiental e Substâncias Químicas 

Exposição a substâncias químicas de alto peso molecular, encontradas em produtos como vinis, resinas e até alimentos transgênicos, pode estar associada ao desenvolvimento do lúpus.

Além disso, produtos injetáveis para procedimentos estéticos, como ácido hialurônico e silicone, são contraindicados para indivíduos com lúpus, devido ao risco aumentado de estimular a produção de autoanticorpos. 

Anormalidades Imunológicas e o Lúpus 

A interação de fatores externos — como a radiação UVA, medicamentos e patógenos — com uma predisposição genética, resulta na ativação anormal do sistema imunológico.  

Essa ativação inadequada leva à produção de autoanticorpos contra componentes celulares, fundamentando a natureza autoimune do lúpus. 

Manifestações do Lúpus Eritematoso: Conheça as Diferentes Formas Clínicas 

Quando se fala em lúpus eritematoso, muitos se perguntam: como essa condição realmente se apresenta?  

O lúpus eritematoso pode se manifestar de diversas formas, afetando principalmente a pele. Aqui, exploraremos as distintas manifestações clínicas do lúpus eritematoso cutâneo, uma faceta da doença que exige atenção e cuidado especializado. 

Formas Clínicas do Lúpus Eritematoso Cutâneo 
  • Lúpus Eritematoso Cutâneo Crônico (LECC): 
    • O LECC é caracterizado por lesões que podem persistir por um longo período, muitas vezes deixando cicatrizes ou alterações na pigmentação da pele. 
  • Lúpus Eritematoso Cutâneo Subagudo (LECSA): 
    • As lesões do LECSA são menos permanentes que as do LECC e geralmente não deixam cicatrizes. São marcadas por períodos de atividade e remissão. 
  • Lúpus Eritematoso Cutâneo Agudo (LECA): 
    • O LECA é associado a lesões mais severas e pode indicar um comprometimento sistêmico mais significativo, requerendo uma avaliação médica imediata. 

Importante ressaltar que cada tipo de lúpus cutâneo possui características únicas e se manifesta de forma específica. Um paciente tipicamente apresentará apenas um tipo de lesão cutânea – seja ela crônica, subaguda ou aguda – que pode ocorrer de forma contínua ou intermitente, mas sem a coexistência de múltiplos tipos de lesões simultaneamente. 

Entendendo o Lúpus Eritematoso Cutâneo Crônico (LECC): Sintomas e Manifestações 

O que é o Lúpus Eritematoso Cutâneo Crônico (LECC)? 

O LECC é a forma mais comum de lúpus cutâneo, caracterizada principalmente pela lesão discoide (em forma de disco).

A compreensão dos sintomas e sinais dessa condição é essencial para o diagnóstico e manejo adequados.  

A seguir, detalhamos as manifestações características do LECC e como elas podem afetar a pele e outros órgãos. 

Sinais Característicos do LECC 

Lesões Discoides: 

Identificáveis por placas elevadas, vermelhas, com formato de disco e escamas aderentes que, ao serem removidas, deixam orifícios visíveis na pele. Fotos 1,2,3 e 4

Foto 1: Lupus eritematoso discoide crônico na face, lesão inicial, manifestando lesões avermelhadas e elevadas (infiltradas) 
Foto 2: Lupus eritematoso discoide crônico, forma de disco, infiltrada e coberta por escama aderente  
Foto 3 a e 3b: Lupus eritematoso discoide crônico no dorso, com escamas espessas e esbranquiçadas  
Foto 4: Lupus eritematoso discoide crônico no couro cabeludo onde se observa dilatação da abertura do pelo, semelhante à depressão por “percevejo” em quadro de aviso. 

Essas lesões geralmente evoluem para uma atrofia central, conferindo um aspecto anular à lesão, com coloração mais clara no centro e bordas ainda infiltradas (com inchaço). Foto 5 ,6,7,8 e 9.

Foto 5: Lupus eritematoso discóide crônico, apresentado lesões arredondadas, com início de atrofia na parte central e as bordas ainda infiltradas 
Fotos 6, 7 e 8: Lupus eritematoso discoide crônico, apresentando lesões com atrofia, de cor mais clara do que a pele normal e bordas com tonalidade escura 
Foto 9: Lupus eritematoso discoide crônico, onde se observa textura da pele completamente atrofiada. 
Locais Comuns de Manifestação: 

Rosto: Pode apresentar o clássico “aspecto em asa de borboleta”, especialmente nas regiões malares e no nariz. (Foto 10) 

Orelhas: A atrofia cutânea, particularmente na área interna, pode levar a lesões semelhantes às do vitiligo (fotos 11 a e 12) 

Orelhas: A atrofia cutânea, particularmente na área interna, pode levar a lesões semelhantes às do vitiligo (fotos 11 a e 12) 

Fotos 11 e 12: Lupus eritematoso discoide com aspecto semelhante ao vitiligo devido à cor esbranquiçada da atrofia

Couro Cabeludo: Pode causar alopecia cicatricial, deixando áreas com perda definitiva do cabelo (fotos 13 e 14) 

Fotos 13: Lupus eritematoso discoide crônico: a atrofia da pele gerou  perda definitiva do cabelo, ainda com tonalidade avermelhada e com descamação 
Foto 14: Lupus eritematoso crônico com aspecto esbranquiçado, em fase mais avançada da alopecia. 

Mucosas: Incluem lesões orais com centro esbranquiçado e avermelhadas no palato duro (“céu da boca”), além de alterações na mucosa ocular e dos lábios. (fotos 15, 16, 17 e 18)

Foto 15: Lupus eritematoso com lesões esbranquiças dentro da boca, correspondente à face interna das bochechas 
Fotos 16 e 17: Lupus eritematoso discoide crônico com ulcerações (feridas) no lábio inferior 
Foto 18: Lupus eritematoso discoide crônico na pálpebra inferior, manifestado por infiltração (inchaço) e feridas. 
Variante Túmida: 

Esta forma de LECC se manifesta com lesões semelhantes à urticária, mas mais persistentes e inchadas, comumente no rosto e em áreas expostas ao sol. 

Impacto em Outros Órgãos 

Embora o LECC afete principalmente a pele, em 5 a 20% dos casos, pode impactar outros órgãos de maneira menos intensa em comparação a outras variedades do lúpus.  

Áreas como a parte superior do tórax e membros superiores também podem ser afetados pela exposição solar. 

Explorando o Lúpus Eritematoso Cutâneo Subagudo: Tipos e Implicações 

O lúpus eritematoso cutâneo subagudo (LECSA) é uma variante da doença cutânea intimamente ligada à exposição solar. Neste artigo, vamos mergulhar nas manifestações desta forma de lúpus, compreendendo suas duas variantes clínicas distintas e o que sua presença pode significar para a saúde global do paciente. 

Variantes Clínicas do LECSA 

Pápulo-Escamosa ou Psoriasiforme: 

Essa variedade se manifesta com eritema e infiltração, similar à psoríase, mas distinta pela ausência de atrofia cutânea e por escamas mais aderentes. 

Diferencia-se da psoríase também pelo local e disposição das lesões (foto 19). 

Foto 19: Lupus eritematoso subagudo caracterizados por lesoes eritematosas (avermelhadas) cobertas por escamas semelhantes às da psoríase nos membros superiores. 

 Anulares Policíclicas: 

Caracterizam-se por lesões em forma de anel com bordas elevadas, onde o centro está no mesmo nível da pele circundante  

A falta de atrofia central é uma característica marcante desta variante. 

Sintomas e Localizações 

A presença de telangiectasias (dilatações de pequenos vasos sanguíneos) ao redor das unhas é um sinal distintivo que pode indicar envolvimento sistêmico da doença (foto 20) 

Foto 20: Lupus eritematoso subagudo, afetando as mãos, apresentando eritema e telangiectasias (dilatação dos vasos sanguíneos da pele) 

As lesões são mais comuns no tronco, contrastando com as outras formas de lúpus que são mais prevalentes no rosto. 

Riscos de Complicações 

O LECSA apresenta uma probabilidade de 50% de evoluir e afetar outros órgãos, reforçando a necessidade de monitoramento contínuo e atenção especial à exposição solar. 

Entendendo o Lúpus Eritematoso Cutâneo Agudo e Seus Efeitos Sistêmicos 

O Lúpus Eritematoso Cutâneo Agudo (LECA) é uma forma severa desta doença autoimune, que está invariavelmente associada a comprometimentos de múltiplos órgãos.  

É uma condição que requer atenção especializada, dada a sua natureza sistêmica e potencial para desencadear manifestações graves. 

Gatilhos e Progressão 
  • Exposição ao sol e certos medicamentos como procainamida, hidralazida ou isoniazida podem precipitar o LECA. 
  • A doença é marcada por períodos de remissão e exacerbação, onde o agravamento cutâneo pode ser um sinal de ativação da doença em outros órgãos. 
Manifestações Cutâneas 

Caracteriza-se por lesões avermelhadas e levemente inflamadas, frequentemente distribuídas em padrão de “asa de borboleta” no rosto e podendo se estender ao tórax correspondente à área exposta ao sol (fotos 21 e 22). 

Fotos 21 e 22: Lupús eritematoso cutâneo agudo, manifestado por manchas avermelhadas, com formato em asa de borboleta, sem atrofia, na face e atingindo a parte exposta ao sol do tórax, correspondente ao colo 

Diferentemente de outras formas, não deixa atrofia após a resolução das lesões cutâneas, permitindo também a recuperação do cabelo por não deixar cicatriz em qualquer local da pele. 

Complicações Sistêmicas do LECA 
  • Renais: A nefrite lúpica é um fator crítico para o prognóstico, sendo mais grave em pacientes jovens. 
  • Hematológicas: Anemia e leucopenia podem ser sinais precoces. 
  • Pleurais e Cardíacas: Pleurite e pericardite (inflamação das películas que recobrem o pulmão e o coração, respectivamente) podem ocorrer, com potencial para efusões líquidas e consequente dificuldade de expansão deles. 
  • Neurológicas: Uma ampla gama de manifestações, incluindo cefaleia, alterações cognitivas, comportamentais, e até, complicações mais severas como meningite asséptica e neuropatias. 
  • Oculares: Neurite óptica, vasculite retiniana e xeroftalmia são algumas das possíveis manifestações oculares. 
  • Gastrointestinais: Sintomas como anorexia (falta de apetite), náusea, diarreia e constipação podem ocorrer. 
  • Vasculares: Vasculite e fenômenos tromboembólicos nos grandes vasos sanguíneos ,além de vssculite ( inflamação da parede dos vasos sanguíneos) nos membros superiores e inferiores e, assim, comprometer a circulação do sangue nesses órgãos. 
Recomendações e Cuidados 

Pacientes com LECA devem ser monitorados por uma equipe multidisciplinar de saúde, dada a complexidade e a natureza multifacetada da doença.  

O manejo clínico adequado é crucial para melhorar a qualidade de vida e reduzir o risco de complicações fatais. 

Diagnóstico  

Avaliação Inicial 

O diagnóstico do Lúpus Eritematoso vai além da observação clínica, fundamentando-se fortemente em análises laboratoriais detalhadas. Essas análises buscam identificar a presença de autoanticorpos, que são indicativos da doença autoimune, onde o sistema imunológico ataca erroneamente tecidos do próprio organismo. 

Autoanticorpos e Lúpus 

Os autoanticorpos no lúpus têm como alvo, componentes essenciais das células, tanto intracelulares (núcleo e citoplasma) quanto extracelulares.  

A presença e o perfil destes anticorpos são chaves no reforço do diagnóstico: 

  • Anticorpos Nucleares Específicos: Incluem Anti-Ds-DNA e Anti-Sm, altamente específicos para o lúpus. 
  • Anticorpos Citoplasmáticos: Como Anti-Rnp, Anti-Ro-ssA e Anti-La-ssB, que estão associados a manifestações clínicas específicas. 
  • Outros Anticorpos Relevantes: Antinucleossomais, anti-proteína do centrômero e anti-KU também são relevantes para o diagnóstico. 
Complemento Hemolítico 

A avaliação do complemento hemolítico e de suas frações é vital, pois o consumo destes componentes está diretamente relacionado à atividade da doença, fornecendo uma visão da intensidade da resposta imunológica do organismo. 

Exame Histopathistopatologico do rim, cujo material é  obtido atraves de biopsia do órgão, assume um papel crucial ao definir o tipo de lesão renal presente, o que é fundamental para o prognóstico do paciente com lúpus. 

Recomendações para a Prática Clínica 

Para profissionais da saúde, é imprescindível uma compreensão profunda dos métodos de diagnóstico do lúpus.

O uso de testes laboratoriais, em conjunto com a avaliação clínica, permite uma abordagem diagnóstica abrangente e um prognóstico mais acurado. 

Tratamento 

Proteção Solar: Uma Medida Fundamental 

A mitigação dos efeitos do lúpus na pele começa com uma proteção solar eficaz, que deve compreender: 

  • Filtro Solar de Amplo Espectro: Essencial para bloquear tanto a radiação UVA quanto a UVB. 
  • Vestuário Protetor: Incluir roupas especiais com proteção UV na rotina do paciente, preferencialmente as de cor escura. 
  • Acessórios: O uso de um boné de aba larga para proteção adicional, incluindo a nuca, é recomendado. 
Manejo do Lúpus Eritematoso Cutâneo Crônico 

Neste caso, que se caracteriza por lesões limitadas à pele, o tratamento pode ser localizado: 

  • Corticosteroides Tópicos: A aplicação de creme ou pomada de corticosteroide de alta potência anti-inflamatória, seguida de uma fórmula menos potente, após o controle das lesões. 
  • Métodos Oclusivos e Injeção Intralesional: Técnicas efetivas para lesões isoladas de aplicação de corticosteroide  
Tratamento Sistêmico para Casos Extensivos 

Para aqueles com múltiplas lesões, as opções incluem: 

  • Metotrexato 
  • Dapsona 
  • Antimaláricos: Hidroxicloroquina e Difosfato de Cloroquina são frequentemente utilizados. 
  • Talidomida: Com contraindicação durante a gravidez devido ao seu potencial teratogênico. 
Lúpus Eritematoso Subagudo e Agudo 
  • Corticosteroides Orais: Estes são indicados para as formas mais severas da doença, muitas vezes em combinação com antimaláricos, principalmente se houver envolvimento renal. 
Plasmaferese: Uma Opção para Casos Refratários 
  • Procedimento de Plasmaferese: Consiste na retirada e filtragem dos anticorpos do sangue, realizada inicialmente de forma intensiva e depois em manutenção semanal. 

Recomendações Práticas 

É vital para os profissionais da saúde entender a necessidade de personalizar o tratamento do lúpus, baseado na gravidade e na extensão das lesões.  

A monitorização contínua e ajustes na terapia são essenciais para otimizar os resultados. 

Foliculite queloideana da nuca 

A foliculite queloideana da nuca, impropriamente também conhecida como acne queloideana da nuca, é uma doença rara da pele, resultante da inflamação e cicatriz do pelo, localizada, geralmente, na parte posterior da cabeça e na nuca. 

Essa inflamação do cabelo pode determinar perda definitiva dele, em consequência do surgimento de cicatriz.  

 Surgem carocinhos (pápulas), semelhante ao queloide, pústulas (bolhinhas de pus) e destruição definitiva do pelo em consequência da formação de queloide. 

Afeta mais o sexo masculino e pessoas de pele escura, cursando com coceira e dor, além do aspecto muito antiestético. 

Nesse artigo, vamos lhe informar sobre a frequência, etiologia, manifestações clínicas, outras doenças associadas e o tratamento. 

A foliculite queloideana da nuca é frequente?  

Essa inflamação do cabelo é 20 vezes mais frequente nos homens.  

A incidência é muito maior na raça negra, entre 0,5 e 13,6% dos membros dessa população.   

É a forma clínica mais frequente de alopecia cicatricial em homens negros. 

Decorre de o fio do cabelo ser enrolado (crespo).  

A incidência começa a se elevar após a adolescência e, raramente, acontece após os 50 anos de idade. 

Qual a causa da foliculite queloideana da nuca? 

Não é bem conhecido o que gera essa inflamação do pelo. 

Fatores que predispõem à foliculite queloideana da nuca:  
  • Predisposição genética pelo fato de as pessoas da raça negra serem muito mais susceptíveis. 
  • O traumatismo na pele contribuí para o início da foliculite por facilitar a penetração na pele do pelo tipo encaracolado, através de: 
  • Corte do cabelo muito curto e frequente.  
  • Fricção do colarinho da camisa, do capacete e do chapéu apertado  
  • Cutucar, esfregar e arranhar a pele. 
  • O calor e a umidade no ambiente 
  • Herpes zoster
  • Uma reação imunológica exacerbada à presença de micro-organismos que habitam a pele normal, como os microrganismos dermodex, fungos e bactérias, pode contribuir para desencadear a inflamação do fio de cabelo. 
  • Autoimunidade: perda da capacidade do sistema imunológico de reconhecer o fio de cabelo como pertencente ao próprio indivíduo.  
  • Excesso do hormônio testosterona 
  • Seborreia denunciada pelo cabelo muito oleoso 
  • Obesidade predispõe aos casos mais graves 
  • Alguns medicamentos como ciclosporina, tacrolimo, carbamazepina e difenilhidantoína. 

Como a foliclite queloideana da nuca se manifesta? 

Afeta predominantemente o local mais inferior da parte posterior do couro cabeludo (região occipital), menos frequentemente a nuca e, raramente, outras áreas do couro cabeludo. 

Inicialmente, surgem pápulas (carocinhos) avermelhadas e eritema (mancha avermelhada). A pápula pode sofrer infecção bacteriana, transformando-se em pústulas (bolinhas de pus), conhecida como foliculite e abscessos, especialmente quando continua havendo traumatismo no local.

Pode surgir escoriações (arranhões) decorrentes do ato de coçar a pele, além de crostas, e estas, resultantes do ressecamento de pus e de sangue. 

À medida que os surtos vão se repetindo, a inflamação do folículo vai se tornando mais intensa, evidenciado por placas de abscessos, que drenam pus através de fístulas. 

Nos surtos seguintes, a inflamação vai se transformando em pápulas (carocinhos) de queloide (foto 2), que tendem a confluir e formar placas, indistinguíveis do queloide, podendo atingir grandes dimensões, de aspecto muito antiestético (foto 3). 

A destruição definitiva dos pelos, após surtos de inflamação dos fios capilares, é acompanhada por cicatriz (foto 4).

Sobre as cicatrizes, já com destruição definitiva dos folículos pilosos, pode emergir vários pelos agrupados, a partir de um único orifício de pelo, conhecido como politríquia (foto 5).

Os pacientes podem ou não referir sensação de coceira (prurido), queimor e dor, especialmente quando associado à pústula. 

É uma doença com evolução longa (crônica), cursando com episódios de inflamação e tendencia a cicatrizes definitivas e, consequente, alopecia irreversível. 

Não existe predisposição em desenvolver queloide em outras partes do corpo.

A foliculite queloideana da nuca pode estar associada a outras doenças? 

Essa inflamação do cabelo pode se associar à síndrome metabólica em 37% dos pacientes, causa mais frequente de morte em todo o mundo, gerada pelo deposito de gordura nos vasos sanguíneos e que, frequentemente, gera infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral (derrame). 

Faz parte da síndrome metabólica:  
  • Obesidade (21%)
  • Diabetes mellitus tipo 2 (11,6%)
  • Hipertensão arterial (14%)  
  • Aumento dos lipídeos (gorduras) colesterol e triglicerídeo no sangue. Essas alterações são mais frequentes quanto mais severo for a gravidade da foliculite queloideana da nuca. 

Pode ocorrer transmissão de microrganismos, como o vírus da AIDS, através do sangue do local e consequente contaminação do aparelho de cortar o cabelo, já que as lesões sangram facilmente com mínimo traumatismo e o barbeiro, geralmente, não esteriliza o objeto antes de reutilizá-lo. 

Também pode se associar às seguintes doenças da pele:  

Foliculite queloideana da nuca: é necessário algum exame complementar para o diagnóstico?  

 O diagnóstico dessa inflamação do pelo é baseado apenas nas manifestações clínicas.  

Quando existe suspeita de infecção bacteriana associada à foliculite, pode ser realizada cultura bacteriológica  combinada com antibiograma, para escolher o melhor antibiótico. 

Como tratar a foliculite queloideana da nuca? 

Evitar os fatores que exacerbam a doença, citados anteriormente. 

Os casos leves, onde existe apenas as lesões ainda com pouca inflamação, aplicar cremes com capacidade anti-inflamatória (corticosteroides) ou com antibióticos e até a combinação das duas substâncias no mesmo creme. 

Quando a inflamação da pele é muito intensa, se impõe a ingestão de antibióticos, preferencialmente os derivados da tetraciclina, os quais têm, além de atividade antibacteriana, também anti-inflamatória. 

A fototerapia, que consta da irradiação da pele com a luz ultravioleta, derivada de um aparelho (o paciente entra numa cabine,) pode ser eficaz porque essa irradiação combate a inflamação e a formação de cicatrizes 

Quando a lesão atinge grande dimensão e que não responde aos tratamentos citadas anteriormente, se recorre às seguintes medidas: 

  • Ingestão da isotretinoina (roacutan)  
  • Aplicação de laser a fim de destruir os pelos 
  • Crioterapia (aplicação de nitrogênio líquido) 
  • Remoção cirúrgica de toda lesão e sutura ou, se não conseguir aproximar as bordas e suturar, remover através de excisão ou de eletrocoagulação e deixar cicatrizar por segunda intenção.  

A recidiva, se for removido até a profundidade da lesão, atingindo a gordura, tem baixa incidência. 

Varicela (catapora): qual sua relação com o herpes zoster? 

O vírus varicela-zoster pode causar dois tipos de manifestações: a inicial como varicela, conhecida popularmente como catapora e, em consequência de permanecer vivo no sistema nervoso, em estado de latência, recidiva, como herpes zoster, de forma mais localizada, favorecido pela diminuição da imunidade. 

Nesse artigo abordaremos a incidência, a transmissão, as manifestações clínicas e o tratamento da varicela (catapora).

Qual o mecanismo de adoecimento da varicela? 

O vírus varicela-zoster pertence a um dos 8 tipos de herpes vírus e tem distribuição em todo planeta.  

É muito contagiosa e, em consequência disso, a pessoa infectada tem capacidade de contaminar mais de 90% dos familiares. 

A transmissão ocorre através da fala ou contato do líquido da vesícula (bolhinha d’água) com a pele de outra pessoa. 

O vírus se multiplica no local de sua penetração e nos gânglios linfáticos (ínguas) da região próxima ao local de introdução dele, entre o quarto e sexto dia após a contaminação.  

O período de incubação varia de 14 a 16 dias. 

O tempo de infectividade varia entre 48 horas que antecede as manifestações cutâneas até a fase em que as vesículas (bolhinhas d’água) se transformam em crostas (casquinhas). 

Raramente pode ocorrer reinfecção evidente, embora seja frequente de forma subclínica (sem manifestação clínica). 

Como a varicela se manifesta? 

É mais frequente nas crianças e geralmente é de intensidade leve nos indivíduos com a saúde (imunidade) preservada.

Porém, pode ter comportamento agressivo e até comprometer a vida nos adolescentes e adultos e naqueles com a imunidade comprometida por doença como a AIDS, por medicamentos como os submetidos à quimioterapia e a corticosteroide. 

As manifestações da doença iniciam-se após 15 dias do contágio, através de febre, sensação de mal-estar, dor de garganta e perda do apetite. 

Dentro das primeiras 24 horas, surgem manchas avermelhadas que se transformam rapidamente em pápulas (carocinhos) e, estas, logo em seguida, em vesículas (bolhinhas d’água) e algumas destas em pústulas (bolhinhas de pus). Finalmente, nestas 2 últimas lesões, os seus conteúdos líquidos secam, se transformando em crostas.  

A evolução é do surgimento de novas lesões, resultando em vesículas misturadas com crostas.  

Varicela
Foto 1: Varicela (catapora), com a presença de lesões em diferentes estágios de evolução, desde vesículas tensas até a ruptura delas, cobertas por crostas. 

A formação de vesículas cessa no quarto dia e a maioria das lesões se transforma em crostas no sexto dia. 

As crostas são eliminadas no período de uma a duas semanas e substituídas por manchas com tonalidade mais clara (hipocrômicas) do que a pele normal. 

Localizam-se no rosto, no tronco e nos membros e a sensação de coceira (prurido) é frequente. 

Qual o impacto da vacinação na varicela? 

  • As manifestações são mais discretas: febre menos intensa e menor quantidade de lesões cutâneas. 
  • As manifestações dermatológicas são mais atípicas, através de manchas, pápulas e sem vesículas. 
  • As complicações são menos frequentes, sendo raro as neurológicas (encefalite

Quais são as complicações da varicela? 

  • Infecções bacterianas:  erisipela, celulite e infecções mais graves como miosite (infecção nos músculos), fasciíte necrotizante e a síndrome do choque tóxico. 
  • Neurológicas: encefalite e síndrome de Reye. Esta última, é consequente à ingestão do ácido acetil salicílico. Menos frequentemente pode ocorrer meningite asséptica e hemiplegia
  • Pneumonia: incomum em crianças com a imunidade preservada, porém é frequente nos adultos, numa incidência de um em cada 400 casos.  Contribui com a maioria dos casos de morte nos adultos, entre 10 e 30%. Felizmente, se tornou incomum naqueles que são vacinados contra a doença.  
Fatores de risco para pneumonia: 
  • Fumo 
  • Gravidez 
  • Pacientes imunodeprimidos 
  • Sexo masculino 
  • Hepatite: é raro nas pessoas com a imunidade preservada, porém, é frequente e até fatal naqueles com a imunidade comprometida, geralmente pela AIDS e transplantados de órgãos. 

A vacina para varicela diminuiu muito os casos graves da doença 

Como é o tratamento da varicela? 

A obrigação de utilizar medicamento antiviral é dependente de: 

  • Idade do paciente: crianças com idade superior a 12 anos 
  • Pacientes com alto risco de complicações como gravidez, não vacinados, adultos e imunocomprometidos  
  • Tipo de manifestação da doença 

Geralmente, não deve ser tratado com antiviral, por via oral, os casos sem complicações, já que o benefício na evolução da doença é modesto. 

O antiviral deve ser utilizado por via endovenosa nos pacientes portadores de complicações. 

Medidas de suporte no tratamento: 

Cortar as unhas 2 vezes por semanas para evitar escoriações, que é impulsionado pelo prurido, prevenindo infecção bacteriana na pele. 

Usar anti-histamínico que gere sonolência para aliviar a coceira. 

Ingerir medicamento para controlar a febre, exceto ácido acetil salicílico para evitar a síndrome de Reye, grave complicação da varicela. 

Naqueles casos com risco de complicações, os antivirais (aciclovir, valaciclovir e fanciclovir), devem ser iniciados durante as primeiras 24 horas da doença. 

Os adultos devem ser obrigatoriamente tratados com antiviral, mesmo os que tenham sido vacinados, já que são predispostos a desenvolver as complicações da doença, além de que a enfermidade desaparece mais rapidamente. 

O valaciclovir apresenta a vantagem sobre o aciclovir pelo menor número de doses diárias  

O fanciclovir é menos eficaz do que os demais. 

O tratamento deve ter duração de 5 a 7 dias, podendo se prolongar até 7 a 10 dias, se as crostas demorarem a desaparecer. 

Herpes zoster: como preveni-lo através de vacinas 

Nesse artigo, iremos abordar sobre as vacinas que impedem o aparecimento do herpes zoster e, consequentemente, os seus efeitos colaterais, especialmente, a intensa dor e até a perda da visão e da audição, além da maneira de serem usadas. 

O vírus varicela zoster gera, como o nome sugere, dois momentos da mesma infecção viral: o inicial, a varicela, conhecida popularmente como catapora e a reativação do vírus, a partir do estado de latência, como herpes zoster (cobreiro). 

Varicela: como é transmitida?

A varicela é transmitida pela fala e se caracteriza pelo aparecimento de vesículas (bolhinhas) em diferentes estágios de evolução – ora vesículas surgindo, ora outras em estágio mais avançado -, geralmente limitado à pele e à boca (foto 1). 

Catapora em três estágios de evolução
Foto 1: Varicela (catapora), com a presença de lesões em diferentes estágios de evolução, desde vesículas tensas até a ruptura, cobertas por crostas.

Nos indivíduos portadores de catapora, com a imunidade comprometida por doenças como a AIDS, por tratamentos como a quimioterapia para combater o câncer ou pelo envelhecimento natural do sistema imunológico, que acontece, invariavelmente, a partir dos 50 anos de idade, a varicela pode gerar infecções mais graves em outros órgãos, como no pulmão (pneumonia). 

Após a implementação da vacinação para a varicela, entre os anos 2000 e 2007, que é preconizada para ser realizada nas crianças maiores de 12 meses e até 12 anos de idade, houve uma drástica diminuição da doença.

Em consequência disso, também houve diminuição da incidência em relação ao herpes zoster. 

Após a varicela, o vírus permanece no organismo em estágio de latência.  

Herpes zoster: por que ele surge?

Anos após a infecção inicial, a doença pode abandonar o estágio de latência e reiniciar, manifestada como o herpes zoster, popularmente conhecido como cobreiro.  

A recrudescência da doença é favorecida pelos mesmos fatores debilitantes do sistema imunológico, citados anteriormente em relação à varicela, tendo como consequência a diminuição da capacidade do sistema imunológico de inibir a replicação do vírus e que permaneceu no sistema nervoso. 

O ressurgimento da doença, agora de forma localizada, como herpes zoster, é consequente da migração do vírus a partir do sistema nervoso central, localizado na cabeça ou na coluna vertebral, para os nervos periféricos. 

Esse deslocamento nos nervos gera sensação de intensa dor e, menos frequentemente, de coceira (prurido) ou de queimor, antecedendo as lesões cutâneas, e que se prolonga durante semanas, meses e até alguns anos, após as lesões desaparecerem. 

Essa desagradável sensação pode ser tão intensa que pode ser motivo de tentativa de suicídio. 

Em menos de 20% dos casos, pode manifestar febre, dor de cabeça, sensação de mal-estar ou fadiga, logo no início da doença. 

Um a três dias após o início da dor, surgem as manifestações na pele através de lesões avermelhadas e encimadas por vesículas (bolhinhas d’água) e bolhas, seguindo o trajeto dos nervos afetados e que se limita à metade da região afetada. Tem duração de 2 a 3 semanas. 

Localiza-se mais frequentemente no tórax e menos na face e no pescoço e menos frequente ainda nos membros superiores e inferiores. 

Foto 2: Herpes zoster na face, apresentando vesículas e pústulas (bolhinhas de pus), estas últimas, denunciam infecção bacteriana associada, se limitando à metade do rosto. 
Herpes zoster oftálmico
Foto 3: Herpes zoster oftálmico: conjuntivite severa e comprometimento da visão.
Outras complicações do herpes zoster:  
  • Infecção bacteriana na pele 
  • Generalização das lesões cutâneas, semelhante à varicela, que pode ser fatal   
  • Perda da visão e da audição 
  • Meningoencefalite  
  • Paralisia motora, principalmente na face  
  • Pneumonia 
  • Hepatite 
  • Paralisia do funcionamento do intestino, conhecida como íleo paralítico, consequente ao comprometimento dos nervos responsáveis pela motilidade do órgão. 

O herpes zoster aumenta a incidência e suas complicações, a partir dos 50 anos de idade, coincidindo com o início do envelhecimento do sistema imunológico.  

Exemplificando isso, 30 a 40% das pessoas já não possuem imunidade celular contra o vírus a partir dos 55 anos de idade e a qualquer idade naqueles em que haja diminuição da imunidade por doença como na AIDS ou por medicamentos utilizados na quimioterapia. 

Qual a importância da vacinação contra o herpes zoster? 

Aproximadamente, uma em cada três pessoas é afetada pelo herpes zoster ao longo da vida, cuja frequência aumenta a partir da sexta década. 

A vacinação contra o herpes zoster (cobreiro) fortalece a imunidade mediada por linfócitos, estes, integrantes da imunidade celular, prevenindo ou atenuando a doença. Repercute, assim, na diminuição das complicações, especialmente na neuralgia pós herpética e, consequentemente, na qualidade de vida. 

Está indicada nas pessoas a partir dos 50 anos de idade, coincidindo com o início da diminuição natural da imunidade e, mais ainda, naqueles a partir dos 60 anos, quando se acentua essa queda. 

Não é necessário pesquisar se o indivíduo foi contaminado previamente pelo vírus, manifestado como varicela, já que mais de 90% da população nascida antes da década de 80 foi contaminada. 

Existem 2 tipos de vacinas:  
  • Vírus varicela zoster de vírus atenuado (ZVA)   
  • Vírus varicela zoster de vírus recombinante (ZVR).  

A vacina ZVR é produzida por glicoproteína do vírus e, portanto, sem envolver vírus vivo, razão da sua maior segurança. 

 A vacina ZVR é preferível pelos seguintes motivos: 
  • É mais eficaz em relação à prevenção do herpes zoster e suas complicações, especialmente na neuralgia pós-herpética.   
  • Pode ser utilizada em pessoas com a imunidade deprimida, que, ao contrário da ZVA, não utiliza vírus vivo, e, portanto, não tem capacidade de gerar infecção ativa. 
  • Preferível em pessoas portadoras de diabetes mellitus, insuficiências cardíaca, renal, pulmonar e do fígado. 
  • Tem maior duração na proteção contra a reativação do vírus e devendo ser aplicada mesmo após vacinação com a ZVA 
A vacina de vírus atenuado é preferível nas seguintes situações:  
  • Nos casos de alergia a algum componente do vírus recombinante  
  • Naqueles em que não possam tomar a segunda dose, já que a de vírus atenuado consta de apenas uma dose.  

Imunizar com ZVR duas semanas antes de iniciar programa de imunossupressão para quimioterapia de câncer, por exemplo, e 4 semanas antes com o ZVA. 

Como deve ser realizada a vacinação? 

Deve ser aplicada em duas doses, por via intramuscular, com intervalo de 2 a 6 meses, apesar de poder ser reduzido em até 1 a 2 meses, se for necessário. 

Devem ser vacinados os que já tiveram herpes zoster, e já podendo ocorrer, após o desaparecimento das lesões cutâneas, mas, preferencialmente, após 1 ano.

O intervalo mínimo entre as vacinas deve ser de 8 semanas. 

Deve receber vacina ZVR, mesmo para quem foi vacinado com vacina contra varicela, para prevenir o surgimento do herpes zoster, em decorrência da reativação do vírus atenuado da vacina contra a varicela. 

Qual a eficácia da vacina do vírus recombinante? 

A duração da proteção é de até 7 a 9 anos em 91% dos vacinados. 

A redução do risco de surgir o herpes zoster é de 97% para a faixa etária entre 50 a 69 anos, de 91% para aqueles com idade de 70 anos em diante e para a neuralgia pós-herpética é de 89%. 

A pessoa pode receber outras vacinas, simultaneamente? 

Podem ser administradas outras vacinas, inclusive a de Covid, porém, em diferentes locais da pele. 

Quais os efeitos adversos da vacina contra o herpes zoster?  

  • O local da aplicação pode se tornar doloroso, além de, em menor frequência, apresentar vermelhidão e inchaço no local. A incidência dessas reações locais pode chegar a 74%. 
  • Em relação a outros efeitos colaterais, os mais frequentes são a sensação de fatiga e de dor muscular, e menos, dor de cabeça e febre. 
  • Essas manifestações têm duração de 1 a 3 dias. 

A segunda dose é acompanhada de menos efeitos adversos. 

Os efeitos colaterais são menos intensos na faixa etária acima de 70 anos de idade. 

Em menos de 1% dos casos, pode surgir reações graves como herpes zoster disseminado, semelhante à varicela com a utilização vacina de vírus vivo atenuado e a síndrome de Guillain-Barré com a vacina recombinante. 

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Coceira na pele. Quais as causas e como tratá-la?

Uma queixa frequente da população, quando realiza uma consulta com o dermatologista, é a coceira, também conhecida como prurido.

Os seus sintomas variam de intensidade de acordo com a causa e entre os pacientes.

Quando muito intenso gera uma grande queda da qualidade de vida do paciente, já que pode perturbar muito suas atividades diárias e até a qualidade do sono dele e dos familiares.

Continue lendo o nosso post e saiba mais sobre a coceira!

Quais são as causas de coceira?

As causas podem se originar na pele ou internamente. 

As originadas na pele estão relacionadas aos processos inflamatórios consequentes de diversos fatores, como:

  • manifestação na pele de alergia hereditária, como a dermatite atópica
  • alergia, como a dermatite de contato (alergia ao contato da pele com substâncias)
  • ingestão ou injeção de medicamentos (farmacodermia)
  • nas gestantes durante o terceiro trimestre da gravidez
  • urticária (lesões fugazes na pele e que desaparecem em menos de 24 horas).

Também pode ser causada por doenças infecciosas na pele ocasionadas por:

  • bactérias, fungo e vírus
  • parasitas, como escabiose (sarna)
  • pediculose na cabeça (piolho) e na região genital (vulgarmente conhecido como chato)
  • picadas de insetos.

Tumores malignos originados na pele também podem provocar muita coceira, como os linfomas. 

Além disso, a pele seca é a causa mais frequente de coceira nos idosos.

As doenças de origem interna podem provocar muita coceira sem lesões características na pele, exceto o que é provocado pelo ato de coçar, como arranhões (escoriações) e engrossamento da pele (liquenificação).

Outros fatores internos podem estar ligados com mau funcionamento:

  • dos rins (insuficiência renal crônica)
  • do fígado (obstrução das vias biliares e vesícula manifestada pelos olhos amarelados)
  • da tireoide (funcionamento exagerado conhecido como hipertireoidismo ou funcionamento mais lento e conhecido como hipotireoidismo).

Além disso, outros fatores são:

  • Diabetes Mellitus
  • menopausa
  • AIDS
  • doenças hematológicas (origem no sangue), como anemia
  • cânceres, como doença de Hodgkin e linfoma não Hodgkin
  • câncer interno, como os que se originam no colo do útero, próstata e intestino grosso.

Também podem estar ligadas com enfermidades de origem neurológica, tanto no cérebro (tumor maligno) quanto nos nervos, como a esclerose múltipla e herpes zoster (cobreiro).

As doenças de origem psiquiátrica como ansiedade, depressão, transtorno obsessivo-compulsivo e esquizofrenia, também podem ser origem de coceira e a própria coceira pode agravar o transtorno psiquiátrico.

Todas essas situações são possíveis causas e apenas um médico especializado poderá diagnosticar.

Como é feito o tratamento de coceira?

O tratamento de coceira será orientado pela causa.

O originado na pele por causas alérgicas deve ser realizado com creme, comprimido ou injeção de corticosteroide e de cremes hidratantes, este último, quando for controlada a coceira.

Os anti-histamínicos também são muito eficientes na urticária.

Por isso, se você tem coceira, é fundamental consultar um médico para identificar a causa e ter o tratamento certo.

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Síndrome de Stevens-Johnson e necrólise epidérmica tóxica: tire suas dúvidas

A ingestão de medicamentos pode causar reações alérgicas graves e, frequentemente fatais, caracterizadas pela perda da pele, semelhante a um grande queimado. É esse o caso da Síndrome de Stevens-Johnson e da necrólise epidérmica tóxica.

Esses problemas são, portanto, urgências na área de dermatologia e exigem o internamento do paciente em UTI.

A maioria dessas reações graves têm como responsável a alergia a medicamentos, favorecido pelo seu uso indiscriminado pela população.

Continue lendo para saber mais sobre a Síndrome de Stevens-Johnson e a necrólise epidérmica tóxica.

O que é a Síndrome de Stevens-Johnson e a necrólise epidérmica tóxica?

Para entender o que é Síndrome de Stevens-Johnson e a necrólise epidérmica tóxica precisamos falar um pouco sobre as diversas manifestações clínicas que podem ocorrer após uma infecção ou a ingestão de medicamentos.

Essas manifestações compreendem desde um menor comprometimento da pele, que ocorre quando há a necrose (morte) da camada mais superficial da pele, a epiderme, até o eritema polimorfo forma Minor. ( link interno)

Também há reações que são mais graves, passando pela forma Major (link interno), evoluindo para a Síndrome de Stevens-Johnson (SSJ). Nos graus ainda mais sérios, ocorre a transição entre essa síndrome e a necrólise epidérmica tóxica (SSJ/NET). Por fim, no extremo da gravidade, há a necrólise epidérmica tóxica (NET).

Dessa forma, o espectro das manifestações clínicas mais graves segue essa ordem:

  • SSJ,
  • SSJ/NET,
  • NET.

Quanto menor a gravidade do comprometimento da pele, maior é a relação com o processo infeccioso, o que corresponde às formas Minor e Major do eritema polimorfo. A partir da Síndrome de Stevens-Johnson, a relação com infecção deixa de predominar e passa a haver relação com alergia a medicamentos.

A classificação dessas formas mais graves de reação alérgica é baseada na extensão do comprometimento da superfície da pele:

  • Síndrome de Stevens-Johnson: menos de 10%,
  • transição da Síndrome de Stevens-Johnson-Necrólise epidérmica tóxica: de 10 a 30%,
  • necrólise epidérmica tóxica: mais de 30%.

Quanto maior a extensão do comprometimento da pele, maior o percentual de mortalidade, exigindo internamento em UTI para ser tratado com os mesmos cuidados de um grande queimado, nos casos mais graves. 

Incidência

A incidência dessas 3 formas mais graves varia de 1 a 7 casos por 1 milhão de habitantes por ano.

Vale ressaltar que a síndrome de Stevens-Johnson é 3 vezes mais frequente do que a necrólise epidérmica tóxica.

As doenças são muito mais frequentes nos portadores de AIDS e de câncer em geral, e as mulheres são 2 vezes mais afetadas do que os homens.

A mortalidade é crescente a partir da SSJ, que é de 10%, e chega a 50% na NET. A probabilidade de morrer é maior nos indivíduos acima de 70 anos e nos portadores de comorbidades, como diabetes mellitus.

Qual a causa da SSJ, SSJ-NET e NET?

A principal causa da síndrome de Stevens-Johnson, da necrólise epidérmica tóxica e da sua transição são os medicamentos. Há mais de 100 tipos que podem ser classificados como responsáveis.

Na investigação do agente causal, o mais suspeito é aquele ingerido entre 4 e 28 dias antes do aparecimento das manifestações clínicas.

Já no caso de medicamentos de uso contínuo, a reação ocorre nos dois primeiros meses de tratamento.

Os principais compostos responsáveis são:

  • Sulfonamidas, especialmente o sulfametoxazol (Bactrim)
  • Anticonvulsivantes, como carbamazepina, lamotrigina, fenobarbital e fenitoína
  • Dipirona,
  • Anti-inflamatórios não hormonais, especialmente os derivados oxicans como o piroxican,
  • Alopurinol,
  • Nevirapina.

Outras causas, muito menos frequentes, são:

  • Infecção pelo Micoplasma pneumoniae, especialmente em crianças
  • Vacinas
  • Meios de contraste utilizados para exames de imagem
  • Medicamentos fitoterápicos,
  • Radioterapia.

Fatores de risco

Apesar de todos poderem desenvolver a Síndrome de Stevens-Johnson e a necrólise epidérmica tóxica, há alguns fatores de risco que predispõem a reação alérgica.

Os principais são:

Infectados pelo HIV

Os infectados pelo HIV apresentam um risco 100 vezes maior de desenvolver SSJ, SSJ/NET e NET.

Isso se dá pela maior exposição desses pacientes a vários medicamentos, infecções concomitantes e alterações imunológicas determinadas pelo vírus do HIV.

Câncer

Os pacientes oncológicos, especialmente nos casos do câncer originados no sangue, têm 30 a 60 vezes maior chance de desenvolver SSJ ou NET.

Nesses pacientes, os medicamentos responsáveis mais utilizados são os antibióticos, anticonvulsivantes e os específicos para tratar câncer.

Além disso, pessoas diagnosticadas com lúpus eritematoso sistêmico e com predisposição hereditária também são mais propensas a essas doenças.

Como a Síndrome de Stevens-Johnson se manifesta?

A Síndrome de Stevens-Johnson pode se manifestar de diferentes formas. Mas, de forma geral, inicialmente surgem sintomas semelhantes à gripe:

  • Febre superior a 39 °C,
  • Astenia (sensação de corpo mole),
  • Anorexia (falta de apetite),
  • Mialgia (dor muscular),
  • Artralgia (dor nas articulações).

As lesões iniciais podem ser compostas por manchas avermelhadas e pápulas (carocinhos) discretas. Manifesta-se por lesões semelhantes ao eritema polimorfo, porém com manchas tipo púrpura (arroxeadas) (foto 1) e bolhas (foto 2), distribuídas amplamente na pele.

Síndrome de Stevens-Johnson -  Lesões purpúricas
Foto 1: Lesões purpúricas (manchas escuras) acometendo pernas e coxas, em paciente portadora de Síndrome de Stevens-Johnson. Foto cedida pelo Dr. Emmanuel França.
Síndrome de Stevens-Johnson -  Lesões purpúricas
Foto 2: Lesões purpúricas (manchas escuras) e bolhas na perna, em paciente portador de Síndrome de Stevens-Johnson. Foto cedida pelo Dr. Emmanuel França.

Os locais mais afetados são o dorso das mãos, palmas, plantas, regiões extensoras dos membros e pescoço. Também há lesões no tronco e no rosto.

A extensão das bolhas, decorrente do descolamento da parte mais superficial da pele, não ultrapassa 10% da superfície corporal.

As mucosas são acometidas frequentemente em dois locais que podem ser:

  • Boca
  • Olhos
  • Faringe
  • Vias aéreas superiores
  • Genitais

Além disso, surge eritema (vermelhidão) e inchaço nesses locais. É seguido pelo surgimento de feridas muito dolorosas, cobertas por placas esbranquiçadas. Isso traz como consequência intensa dor à deglutição, no caso das lesões orais.

Muito característico é o acometimento dos lábios onde surgem crostas sanguíneas espessas (foto 3).

Síndrome de Stevens-Johnson, com crosta sanguinolenta no lábio inferior
Foto 3: Síndrome de Stevens-Johnson, com crosta sanguinolenta no lábio inferior. Foto cedida pelo Dr. Emmanuel França.

O percentual de mortalidade é de 10%, sendo a septicemia (infecção generalizada) a causa principal.

Como a necrólise epidérmica tóxica se manifesta?

A necrólise epidérmica tóxica, como já falado, representa a forma mais grave do espectro dessas doenças, consequente à maior extensão do acometimento da pele.

As lesões que assemelham a um grande queimado, o que ocorre pelo desprendimento da parte mais superficial da pele.

Inicialmente, surge febre superior a 39 °C e sintomas semelhantes à gripe, além de dor nos músculos e nas articulações.

Também é comum as manifestações consequentes ao comprometimento das mucosas como: 

  • Dor de garganta,
  • Salivação excessiva,
  • Tosse
  • Sensação de queimação ou coceira ocular,
  • Dor à deglutição de alimentos,
  • Fotofobia (medo de exposição ao sol). 

Após 1 a 3 dias, aparecem mais manifestações na pele e nas mucosas.

Na pele, há o aparecimento de extensas manchas avermelhadas, muitas delas com centro purpúrico (vermelho escuro), mal delimitadas, iniciando no rosto e evoluindo de forma simétrica para a parte superior do tronco.

No período de 2 a 5 dias, a inflamação atinge quase 100% da pele, exceto o couro cabeludo. Raramente a palma e a planta são afetadas.

Sobre a pele avermelhada, surgem vesículas e bolhas (foto 4), que confluem e rompem, além do deslocamento e desprendimento da pele em grandes retalhos, semelhante ao que ocorre com um grande queimado, deixando a pele abaixo desnuda, em “carne viva”, sangrando e eliminando líquido (exsudato). (foto 5)

Necrólise epidérmica tóxica
Foto 4: Necrólise epidérmica tóxica, manifestada por descolamento da parte superficial da pele, além de bolha tensa em parte inferior do braço. Foto cedida pelo Dr.Emmanuel França.
Necrólise epidérmica tóxica, em fase avançada
Foto 5: Necrólise epidérmica tóxica, em fase avançada, manifestada pela perda da pele, semelhante a uma extensa queimadura. Foto cedida pelo Dr. Emmanuel França.

Essa perda de líquido gera desequilíbrio hidreletrolítico (perda de líquido e eletrólitos, como o sódio) e perda de proteínas.

As áreas da pele submetidas, naturalmente, a maior pressão como a parte posterior dos ombros, dorso e nádegas, são as primeiras a serem eliminadas como retalhos de pele.

Pode ser induzida a formação de bolha pelo ato de atritar a pele aparentemente normal na borda de uma bolha, conhecido como sinal de Nikolsky.

Vale ressaltar que a dor na pele é muito intensa, tanto espontaneamente quanto ao toque.

O surgimento de uma nova pele ocorre no prazo de 2 a 4 semanas.

Aproximadamente 85% a 95% das mucosas são afetadas, geralmente precedendo o acometimento da pele, em 1 a 2 dias. A boca, a faringe, os olhos, a genital e o ânus são as áreas mais afetadas, nessa ordem citada.

Erosões (feridas) extensas e muito dolorosas nos lábios, boca e faringe geram crostas espessas e avermelhadas nos lábios (foto 6), salivação e impedimento de se alimentar. Este último, gera desidratação e desnutrição.

Necrólise epidérmica tóxica nos lábios
Foto 6: Necrólise epidérmica tóxica, apresentando perda da pele da face e crostas sanguinolentas nos lábios. Foto cedida pelo Dr. Emmanuel França.

Já o acometimento dos olhos acarreta:

  • Fotofobia,
  • Dor,
  • Erosões da conjuntiva e da córnea,
  • Ceratite,
  • Sinéquia (aderência) entre as mucosas da pálpebra e do olho
  • Amaurose (cegueira),
  • Síndrome Sicca (olhos secos permanentemente).

O acometimento das mucosas genital e anal induz dor intensa ao urinar e ao evacuar, respectivamente, além de aderências na vagina, nos grandes lábios e no trato urinário. Essas complicações têm como consequência o impedimento do ato sexual e de urinar.

As complicações mais graves da necrólise epidérmica tóxica, que podem comprometer a vida dos pacientes, são as seguintes:

  • Septicemia (infecção generalizada), sendo a principal causa de morte,
  • Insuficiência respiratória, gerando necessidade de utilizar respirador artificial,
  • Coagulação intravascular disseminada, provocando sangramento do aparelho gastrointestinal, e insuficiência respiratória, renal e do fígado.

A mortalidade da NET é muito alta variando de 25% até 50%.

Como devem ser tratadas essas reações alérgicas?

Ao desconfiar de Síndrome de Stevens-Johnson, necrólise epidérmica tóxica ou sua transição, vá de forma urgente a um dermatologista para fazer a avaliação das lesões.

Alguns medicamentos podem deter a progressão da doença e o remédio causador deve ser suspenso o quanto antes.

Dependendo da seriedade, o paciente precisa ser tratado na UTI, se mantendo em ambiente aquecido, fazendo hidratação por via intravenosa e se alimentando por via intravenosa.

Além disso, pode-se prescrever analgésicos para controlar a dor e antibióticos quando houver suspeita de infecção bacteriana.

Se você ainda tiver alguma dúvida sobre a Síndrome de Stevens-Johnson e a necrólise epidérmica tóxica, entre em contato conosco e converse com um especialista.

Eritema polimorfo: saiba mais sobre essa doença inflamatória

O eritema polimorfo (EP) é uma síndrome de hipersensibilidade da pele, uma alergia caracterizada pelo aparecimento súbito de inflamação da pele e das mucosas da boca, do órgão genital e dos olhos, mediada pelo sistema imunológico.

Essa doença pode ser causada por diversos motivos, mas está relacionada principalmente a infecção do herpes simples e, menos frequentemente, alergia a medicamentos, por via oral ou injetável.

A variante Major é caracterizada pelo comprometimento da pele e das mucosas, além de apresentar febre e dor nas articulações. Já a variante Minor, não apresenta outros sintomas e é mais discreta.

Pode gerar coceira e sensação de queimação, causando incômodo ao paciente e sendo considerado uma urgência dermatológica. 

Durante o texto, vamos relatar as principais causas dessa alergia da pele, tanto de origem infecciosa quanto medicamentosa, além das manifestações na pele e nas mucosas da boca e genital. Tratemos também maneiras de se prevenir e o tratamento adequado. Continue lendo e confira.

Incidência do eritema polimorfo

O eritema polimorfo não é uma doença frequente.

Afeta principalmente adultos jovens na faixa etária de 20 a 40 anos. Apesar disso, cerca de 20% dos casos ocorrem em crianças.

O que causa o eritema polimorfo? 

Varias causas podem ser responsáveis, sendo a infecciosa a mais frequente

 

Hereditária

Existe uma certa predisposição genética para desenvolver a doença. 

Origem infecciosa

. A infecção pelo herpes simples é a principal responsável, em 50% dos casos.  

Outras causas de origem infecciosa são: 

  • viral: como coronavírus, varicela-zoster, hepatite C e HIV,
  • vacinas contra os seguintes vírus: coronavírus, difteria, tétano, hepatite B e varicela (catapora),
  • bacteriana: mycoplasma pneumoniae, importante causa em crianças- a partir de infecção das vias respiratórias-, hanseníase, tuberculose e salmonella
  • fúngica: histoplasma capsulatum e tinha (impinge).

Origem medicamentosa

O eritema polimorfo também pode ser causado por medicamentos. Essa é a segunda maior causa, mas é responsável por menos de 10% dos casos.

Destes, os mais frequentes são: 

  • dipirona
  • antibióticos, como penicilina, ampicilina, tetraciclina, sulfa e ciprofloxacino
  • anticonvulsivantes, como fenobarbital, hidantoína e carbamazepina
  • ácido acetil salicílico
  • prometazina
  • d-penicilamina
  • novos medicamentos, como candesarten, cilexitil, rifocoxib, refocoxib, adalimimab e bupropiona

Gravidez

Como se manifesta o eritema polimorfo? 

Como sugere o nome, existe um polimorfismo de lesões, ou seja, diferentes manifestações, como:

  • manchas avermelhadas (foto 1),
  • pápulas (carocinhos),
  • inchaços (infiltração) (foto 2 da perna),
  • vesículas (“bolhinha d’água”),
  • bolhas (foto 3 da perna). 
Eritema polimorfo na perna
Foto 1: Eritema polimorfo na perna, manifestado por eritema (mancha avermelhada), com centro mais escuro no centro das lesões, característico da doença.  

Eritema polimorfo na parte mais inferior da perna
Foto 2: Eritema polimorfo na parte mais inferior da perna, onde se observa lesão elevada por infiltração da pele (inchaço), cor vermelho escura, além de vesículas e bolhas na borda da lesão. 

Eritema polimorfo manifestado por, além de inchaço e vermelhidão, vesículas e bolhas na perna, estas últimas consequente à maior inflamação da pele
Foto 3: Eritema polimorfo manifestado por, além de inchaço e vermelhidão, vesículas e bolhas na perna, estas últimas consequente à maior inflamação da pele. 

Além disso, surge uma lesão elevada e avermelhada, cujo centro é composto por vesícula ou mancha escura. Esta última gera um “aspecto em alvo” (foto 4 A e B). 

Eritema polimorfo no dorso
Eritema polimorfo no dorso
Fotos 4A e 4B: Eritema polimorfo no dorso, localização muito frequente, onde se observa lesão típica, manifestada pelo escurecimento no centro (“aspecto em alvo”) e cercada por halo composto por vesículas (bolhinhas d’água)  

Pode se manifestar por uma mancha central escura, circundada por um halo com aspecto edemaciado (inchado) mais pálido do que a lesão central e,perifericamente, podendo surgir uma mancha avermelhada (foto 5A e 5B) ou vesículas sobre ela.

Eritema polimorfo no abdômen
Eritema polimorfo no abdômen
Fotos 5A e 5B: Eritema polimorfo no abdômen, manifestado por lesão típica, constituído por lesão central mais escura, cercada de halo pálido e eritema (lesão avermelhada) na periferia. 

Geralmente, essas lesões típicas medem menos de 3 centímetros.

A distribuição das lesões é muito característica. Inicia-se no dorso das mãos e dos pés, sempre de forma simétrica.  

Muito sugestivo da doença é o comprometimento das palmas e plantas, onde surgem lesões avermelhadas com “tonalidade de vinho tinto” que podem ou não apresentar o centro escuro (aspecto em alvo) (foto 6).

Eritema polimorfo nas palmas das mãos
Foto 6: Eritema polimorfo nas palmas, localização muito sugestivo da doença, manifestado por lesões avermelhadas, com tonalidade mais escura e com bolhas no centro.  

Evoluem para atingir outras partes do corpo, de forma centrípeta (da periferia para o centro do corpo), quando podem chegar a comprometer o rosto, o pescoço e o tronco. 

As lesões podem ser acompanhadas de coceira ou de ardor. 

Um quarto dos pacientes têm acometimento das mucosas genital, ocular e da boca,esta, a mais afetada.  

É muito característico o comprometimento dos lábios que apresentam crostas avermelhadas e espessas sobre lesões ulceradas (foto 7).

Eritema polimorfo atingindo o lábio inferior e a língua
Foto 7: Eritema polimorfo atingindo o lábio inferior e a língua, onde se observa feridas cobertas por crostas sanguinolentas, estas mais evidentes no lábio. 

Na boca, manifesta-se por vermelhidão difusa e por bolhas. Estas, ao se romperem, se transformam em erosões (feridas), que são responsáveis pela dor e consequente dificuldade para se alimentar.  

Raramente a inflamação pode se estender à faringe e à laringe.  

Os gânglios (ínguas) podem ser acometidos, correspondente às regiões atingidas da pele.

Quando existe acometimento das mucosas, embora possa ser provocado por infecção, considera-se que os medicamentos sejam responsáveis por 10 a 20% desses casos.  

Já quando surgem múltiplas recorrências, superior a seis ao ano, estão relacionadas a infecção pelo herpes simples, não obrigatoriamente tendo que haver a concomitância das duas doenças em cada episódio. 

Atualmente, considera-se uma doença espectral: a maioria dos doentes desenvolve a forma Minor, onde, além da pele, compromete apenas uma mucosa. Apenas cerca de 20% dos casos evoluem para a forma Major, manifestado pelo comprometimento mais extenso das mucosas e da pele, podendo chegar a comprometer até a vida.

Raramente existe comprometimento do estado geral na forma Minor. Nesses casos, os pacientes podem se queixar de:

  • febre
  • sensação de corpo mole
  • dor muscular.

Esses sintomas podem ser observados mais frequentemente nos casos com maior comprometimento das mucosas, correspondente à forma Major.

A duração média de cada episódio de eritema polimorfo é de 2 semanas.

Tratamento

A grande maioria dos pacientes com eritema polimorfo não necessita hospitalização, exceto aqueles com grande comprometimento da mucosa oral que impossibilite a alimentação.

Nesses casos, devem ser internados para receber infusão venosa para alimentação parenteral e hidratação. 

Além disso, pode-se recomendar:

Tratamento do agente responsável

O tratamento específico dirigido ao agente causal é fundamental. Se a doença for desencadeada pelo herpes simples, este deve ser tratado nas primeiras 24 horas de sua instalação para ser eficaz no combate ao vírus, independente do inicio das manifestações do eritema polimorfo, já que este surge somente após varios dias de instalado o herpes simples. 

Já nos casos causados por medicamentos, recomenda-se a suspensão do fármaco responsável pelo episódio.

Tratamento específico da inflamação da pele

A inflamação da pele é tratada com a aplicação de creme contendo corticosteroide de média potência anti-inflamatória.

Também se pode recomendar a ingestão de anti-histamínico que gera sonolência para reduzir a sensação de coceira.

A associação de corticosteroide e anestésico aplicada nas ulcerações (feridas) da cavidade oral alivia a dor.  

Quando o comprometimento for muito extenso, é recomendado associar o tratamento tópico à ingestão de corticosteroide. Vale ressaltar que ainda há controvérsia em relação à sua eficácia.  

Quando a mucosa dos olhos for comprometida, deve ser solicitado o parecer de um oftalmologista, a fim de prevenir as graves sequelas, como cicatrizes na conjuntiva e até o comprometimento definitivo da visão. 

Prevenção das recorrências  

Nos casos de várias recorrências ao ano relacionadas à infecção pelo herpes simples, deve ser instituída a terapia supressiva antiviral durante pelo menos 6 meses. Atualmente, há diversas opções alternativas de tratamento e cabe ao médico responsável pelo caso escolher a ideal para o seu paciente.

Ficou com alguma dúvida sobre eritema polimorfo ou deseja iniciar o seu tratamento? Entre em contato conosco do ProntoPele e agende uma consulta com um especialista.

O que é queloide e como é feito o tratamento?

Queloide é um tumor benigno, semelhante a uma cicatriz exagerada, que ocorre a partir da proliferação exagerada da pele com a intenção de reparar perda cutânea.

Ele é evidenciado pela expansão do tumor além das bordas originais da ferida e é induzido por cirurgias e traumas evidentes ou aparentemente invisíveis (microtraumas).

Ocorre em indivíduos predispostos, especialmente aqueles de pele escura e de origem asiática, sendo alguns locais do corpo mais comuns, como os ombros, parte superior do tórax, mandíbula (parte mais inferior do rosto) e lobo da orelha (local do uso de brinco).

Acomete de 4 a 16% da população, sendo incomum em crianças e idosos.

Deve ser distinguida da cicatriz hipertrófica por se estender além das bordas da ferida e não ter tendência à involução.

Durante esse artigo, vamos descrever os fatores predisponentes, as manifestações na pele, como se prevenir e as opções de tratamento para o queloide. 

Continue lendo e confira.

O que causa o queloide?

Existem vários fatores que contribuem para o desencadeamento do queloide, como:

  • predisposição hereditária: foram identificados vários genes envolvidos na predisposição, seja estimulando ou inibindo a formação do tumor;
  • isotretinoina: o Roacutan, medicamento utilizado no tratamento da acne; potencializa a indução do queloide através de trauma, como cirurgia e procedimento estético;
  • doenças que causam infecção ou inflamação da pele: como acne, foliculite e varicela (catapora);
  • traumatismo na pele: como erro de técnica cirúrgica, infecção e introdução de material estranho durante o ato cirúrgico, brinco ou piercing na orelha e vacinação.

Como o queloide se manifesta?

O queloide manifesta-se como uma cicatrização exagerada de uma ferida criada na pele. Pode surgir a partir de um mês após o trauma, porém, ocasionalmente, até após 1 ano. 

Inicialmente, há o aparecimento de uma lesão avermelhada, ainda no mesmo nível da pele ao redor (foto 1).

Queloide na fase inicial
Foto 1: Queloide na fase inicial manifestado por lesão avermelhada plana com tendência a se elevar, localizado no joelho.

Evolui para uma lesão elevada, avermelhada ou acastanhada e com sensação da pele endurecida à palpação (foto 2 de lesão do pescoço).

Queloide no pescoço
Foto 2: Queloide no pescoço, onde suas bordas ultrapassaram os limites do trauma inicial.

A tendência é que ocorra uma involução parcial no centro da lesão, mas o seu crescimento além das bordas originais da ferida continuam, ao contrário da cicatriz hipertrófica, que se mantém nos limites do trauma original.

Esta, apesar de ter um crescimento inicial rápido nos primeiros seis meses, é seguida de regressão, num período de 12 a 18 meses.

Além de representar um problema estético e, consequentemente, afetar a autoestima dos seus portadores, pode gerar coceira e dor.

Em relação aos locais mais predispostos à instalação de queloide, podemos citar:

  • lobo da orelha (parte inferior dela);
  • tórax, tanto na parte anterior quanto na posterior
  • ombros
  • mandíbula (limite entre a face e o pescoço)
  • cabeça e pescoço
  • face e genitália (menos frequentemente)
  • palmas e plantas (raramente).

O queloide pode gerar perda do controle da temperatura e da oleosidade (tornando-se mais seca), em consequência da lesão às estruturas correspondentes da pele, responsáveis por essas funções.

Pode provocar contraturas em locais de dobras, como o joelho, impedindo ampla movimentação dessas regiões.

Como é feito o tratamento do queloide?

O tratamento do queloide representa um desafio para o dermatologista, já que nenhuma opção é completamente satisfatória.

A partir dele, espera-se:

  • controlar a dor e a coceira
  • reduzir o tamanho do tumor
  • recuperar o movimento das articulações que coincidam com o surgimento de queloide
  • elevar a autoestima.

Os principais recursos de tratamento são:

  • injeção de corticosteroide ou outro fármaco dentro do queloide
  • crioterapia por meio da aplicação de nitrogênio líquid
  • lasers de diferentes tipos
  • terapia de compressão da pele por meio de roupa, bandagem e brinco, podendo ser de acrílico, vendido comercialmente como Delasco Acrylic Pressure Earrings
  • placa de gel de silicone para queloide de pequeno tamanho e gel de silicone para os de grande extensão;
  • radioterapia, indicada como prevenção de queloide, aplicada logo após cirurgia, já que não atua no problema já instalado.

Caso um desses métodos não seja suficiente, podem ser realizadas combinações. É comum dermatologistas aliarem crioterapia com a injeção de medicamentos, por exemplo.

Como prevenir queloides?

Para prevenir queloide, recomenda-se:

  • evitar traumatismo e cirurgias desnecessárias em pacientes predispostos, especialmente nos locais mais propensos a doença, como pessoas de pele escura;
  • ocluir toda ferida cirúrgica com a intenção de mantê-la úmida;
  • evitar a exposição ao sol em locais suspeitos de desenvolver a enfermidade, após algum estímulo que possa desencadear o queloide.

Ainda ficou com alguma dúvida sobre essa doença? Entre em contato conosco e converse com um especialista.

Peeling Químico, a fonte do rejuvenescimento

Os peelings representam uma remodelação da pele através da remoção de suas camadas danificadas e substituídas por novas. Esse processo torna a pele com textura e aparência mais jovens.

Também trata a ceratose actínica, doença pré-maligna, através da eliminação de células cancerígenas, ainda presentes na epiderme, camada mais superficial da pele.

Os peelings ocupam o terceiro lugar em frequência entre os procedimentos de estética, sendo realizados aproximadamente 1 milhão e 200 mil, anualmente, nos Estados Unidos.

Oferecem as seguintes vantagens:

  • Segurança, quando realizados por profissional experiente

  • Rapidez do procedimento e da recuperação do paciente

  • Excelente relação custo/benefício.

Exigem um profundo conhecimento do funcionamento e das enfermidades da pele afim de se oferecer um tratamento seguro para a prevenção das complicações e personalizado a cada paciente. Apenas o dermatologista reúne esta capacitação.

Nesse artigo, abordaremos as principais indicações e respectivas substâncias utilizadas, além dos cuidados antes e após esse importante procedimento médico.

Classificação dos peelings quanto à profundidade

Os peelings  são classificados em superficiais, médios e profundos.

Os superficiais lesam apenas a epiderme, gerando melhoria do brilho, da tonalidade e da textura da pele.

Já os médios aprofundam a ação, atingindo além da epiderme, também a parte superficial da derme. A ação adicional sobre esta, gera melhora das rugas e cicatrizes superficiais, em consequência de induzir a formação de fibras colágenas e elásticas.

Os peelings profundos, aprofundam mais ainda a atuação sobre a pele. Em consequência dessa maior penetração, são mais eficientes no combate às rugas e cicatrizes de acne do que os peelings médios, porém com maior risco de complicações como cicatrizes e manchas claras permanentes.

Quais as indicações dos peelings químicos superficiais?

  • Fotoenvelhecimento leve

  • Melasma restrito apenas à epiderme.

  • Hiperpigmentação pós-inflamatória: manchas escuras resultantes de doenças da pele que cursam com inflamação, como a acne, sendo as pessoas de pele escura as mais vulneráveis.

  • Sardas (efélides) no rosto

  • Lentigo senil: manchas escuras da velhice em área exposta ao sol

  • Ceratose actínica

A quantidade ideal de sessões é de 4 a 5

Quais as indicações dos peelings médios?

  • Cicatrizes de acne pela técnica CROSS, citada anteriormente

  • Melasma que atinge além da epiderme, também a derme

  • Rugas finas e de média profundidade

Quais as indicações dos peelings profundos?

  • Envelhecimento intenso da pele, demonstrado pelas rugas profundas.

Portanto, antes de decidir pela realização de um peeling, deve ser feito um detalhado interrogatório (anamnese) em cada paciente, a fim de escolher o tipo de peeling mais adequado.

O rosto é a área do corpo onde é mais seguro a realização dos peelings por ter maior densidade de pelo, estrutura responsável pela indução da formação de uma nova pele.

Nas mãos e nos antebraços, por exemplo, por possuírem menor quantidade de pelo e consequente maior dificuldade da regeneração da nova pele, tem maior possibilidade de complicações como cicatrizes. Nessa situação, deve ser aplicado apenas peeling superficial

Quais os mecanismos de ação dos peelings?

Os peelings atuam através de 2 mecanismos:

Peelings com ação queratolítica

Provocam a separação das células da epiderme, através da destruição de suas ligações e gerando a eliminação delas, e consequente, grande melhora da textura da pele.

Também promovem uma dispersão mais uniforme do pigmento melanina, responsável pela cor da pele, e assim, eliminam as manchas escuras e tendo como exemplos, o melasma e o lentigo senil, este, consequente ao envelhecimento da pele.

A maioria dos peelings com essa característica tem capacidade de penetração restrita à epiderme, sendo os responsáveis pelos peelings superficiais.

Os principais agentes com essa ação são os seguintes:

Ácido glicólico

Pode ser aplicado na concentração de 30 a 50%, quando se quer atuar apenas como peeling superficial, enquanto quando se utiliza na concentração de 70%, pode atingir, também a derme, sendo classificado como peeling médio.

O ácido salicílico

Tem maior capacidade de penetração na pele, comparado ao ácido glicólico, por ter maior afinidade pela gordura existente nas camadas da epiderme. Essa característica lipofílica capacita essa substância para ser utilizada nos casos de pele muito oleosa como nos portadores de acne. É utilizado nas concentrações de 20 a 30%.

Solução de Jessner

É composta pela combinação de resorcinol, ácido salicílico e ácido lático.

Está indicado no tratamento da acne. Aplicar 1 ou 2 camadas
e sempre com intervalo de 5 minutos, a fim de detectar surgimento de uma área avermelhada, seguido por discreto frosting (branqueamento). A utilização da Lâmpada de Wood revela a uniformidade da aplicação.

Quando se utiliza maiores concentrações desses agentes químicos ou combinados com outras substâncias, gera peelings mais profundos(foto 1).

Foto 1:Observar discreto branqueamento (frosting) no rosto consequente à aplicação da solução de Jessner, utilizada como primeira etapa do peeling médio

Outros opões de peelings com ação queratolítica são ácido mandélico, ácido pirúvico e resorcinol.

Peelings com ação de desnaturar proteínas da pele

Têm ação de provocar desnaturação e coagulação das proteínas da epiderme e da camada logo abaixo, a derme, gerando a produção de fibras colágenas e elásticas. Essas alterações induzem o rejuvenescimento muito evidente da pele.

Quanto maior a profundidade atingida pelo peeling, maiores serão esses benefícios em proporcionar uma aparência mais jovial.

As principais substâncias pertencentes a esse tipo de peeling são o ácido tricloroacético e o fenol.

Peeling de ácido tricloroacético

Quando é aplicado nas concentrações baixas, como 10% e 25% resultam num peeling médio (foto 2) e podendo chegar até a 35%, correspondente ao peeling médio.

Foto 2a: Paciente portadora de lesões pré-malignas e lentigo solar, manifestações do envelhecimento da pele.

Foto 2b: Peeling médio utilizando o ácido tricloroacético, demonstrado pela presença de branqueamento sobre uma base ainda avermelhada.

Foto 2c: Após o peeling médio, com desaparecimento das manchas de senilidade. O eritema (vermelhidão) transitório indica estímulo à produção de colágeno, gerando desaparecimento das rugas.

Após uma semana da aplicação do peeling contendo ácido tricloroacético, observa-se o desaparecimento da ceratose actínica e do lentigo senil, gerando uma pele com aparência mais jovial.

O ácido tricloroacético na concentração de 35%, utilizado como peeling médio, pode ser potencializado sua ação, quando combinado com outras substâncias como a solução de Jessner, o ácido glicólico e o dióxido de carbono, ao gerar maior aprofundamento do peeling, 

A combinação com a solução de Jessner é a mais utilizada, sendo a nossa preferida.

 

Foto 3a: Paciente portadora de manchas escuras e lesões pré-malignas consequente ao envelhecimento

 

Foto 3b: Peeling médio onde o branqueamento é tão intenso ao ponto de desaparecer a tonalidade avermelhada abaixo, indicando que o peeling atingiu a derme, local onde é gerado produção de fibras colágenas e elásticas, essenciais para o rejuvenescimento da pele.

 

Foto 3c: Observa-se o desaparecimento das lesões enumeradas acima, além de uma pele com menor quantidade de rugas. O aspecto avermelhado da pele, comum após 1 semana do peeling, desaparece antes de 3 meses.

Uma variedade do peeling médio consiste da técnica CROSS para tratar cicatrizes de acne, onde é aplicado o ácido tricloroacético em altas concentrações, entre 65% e 100%, pontualmente, ou seja, apenas no local da cicatriz. Deve ser realizado 6 sessões com intervalo de 6 semanas.

Peeling de fenol

Representa o peeling onde o fenol tem a capacidade de penetrar ainda mais na pele e chegando a atingir a derme profunda (derme reticular).

O resultado disso é uma maior indução da produção de colágeno, e consequente maior rejuvenescimento da pele, demonstrado pelo desaparecimento das rugas, inclusive as profundas, além das cicatrizes de acne.

Quais as medidas para aliviar a dor durante o peeling?

  • Um ventilador próximo ao rosto do paciente 

  • Aplicação de compressa de água fria ou de gelo com gaze, durante 10 a 15 minutos.

  • Medicamentos como anti-inflamatórios e sedativos.

Quais as reações da pele após o peeling?

  • Logo após, o paciente ainda poderá sentir uma sensação de calor, de curta duração, porém é uma reação normal.

  • Surge um inchaço no rosto que dura alguns dias.

Em 24 horas a pele se torna escura, semelhante a uma máscara, antes de começar a ser eliminada. (foto 4) 

 

Foto 4a : Observa-se o aparecimento de uma nova pele, livre de manchas, tornando-a de aspecto jovial. 

 

Foto 4b:Descamação da pele na região frontal (testa), já demonstrando o aparecimento de uma pele livre de lesões pré-malignas e de manchas escuras da velhice.

  • Nos primeiros dias, o paciente sentira uma sensação de pele esticada.

O tempo de eliminação da pele antiga varia de acordo com a profundidade do peeling.

Os superficiais, é de 3 a 4 dias, quando apresentará discreto eritema (vermelhidão)

Já para os médios, o tempo de recuperação é de 7 a 8 dias e os profundos é de 8 a 10 dias.

Quando toda pele for eliminada, surgirá uma nova pele, com aparência (rosada), que desaparece no período de 1 mês no peeling médio e de 2 a 3 meses para o peeling profundo.

Nesse momento o filtro solar será obrigatório, durante 3 meses e, preferencialmente, durante toda vida.

Quais os cuidados  no pós-peeling?

Deve ser realizado revisões com o dermatologista no quarto, sétimo e décimo dias após o peeling a fim de ser detectado possíveis complicações.

As orientações do pós-peeling, principalmente para os peelings médio e profundo, são muito importantes de serem rigorosamente seguidos a fim de ser garantido o sucesso do procedimento e que constam do seguinte:

  • A limpeza da pele nos 4 primeiros dias deve ser suave e delicada, evitando friccionar e que consta do seguinte:

  • Salpicar a pele do rosto com Água Termal Eau Thermale.

  • Adicionar à limpeza, sabonete tipo syndet na própria mão e em seguida dar pequenas palmadas, delicadamente no rosto com o sabonete e ensaboar delicadamente a pele, sem friccionar.

  • Secar a pele com toalha macia, apenas com toques leves.

  • A fim de minimizar a sensação de pele esticada, a pele deve ser hidratada com compressas de gaze embebida em soro fisiológico gelado, ou em solução de ácido acético a 0,25% (uma colher de vinagre branco em1 litro de água), durante 15 a 20 minutos, 4 a 5 vezes ao dia.

  • Aplicar bolsa de gelo nas pálpebras e bochechas durante 10 minutos, a cada hora, nos dois primeiros dias, com a finalidade de combater o inchaço, já que essas regiões têm maior propensão a esse efeito. colateral.

  • Dormir na posição de barriga para cima.

  • Hidratar a pele a partir do terceiro dia e podendo se prolongar até o quinto dia, através da aplicação de pomada contendo vaselina branca ou do antibiótico mupirocina, em camadas finas, várias vezes ao dia, até ocorrer a eliminação de toda pele.

  • A pele antiga deve permanecer o maior tempo possível, antes de ser eliminada, a fim de diminuir o risco de surgir cicatrizes, infecções, vermelhidão persistente (predispõe a queloide) e manchas escuras. 

  • Uso de maquiagem somente após 7 a 10 dias.

  • Reiniciar a aplicação do ácido glicólico na terceira semana e do ácido retinóico (tretinoina), entre 4 e 6 semanas com a finalidade de intensificar o rejuvenescimento.

  • Deve ser respeitado o intervalo de 3 meses para a realização de novo peeling médio e de um ano para o profundo.

O que deve ser evitado nos pós-peeling?

  • Usar óculos.

  • Sorrir na primeira semana e tocar o rosto.

  • Exposição solar durante as primeiras semanas, principalmente no horário de 10 às 16 horas.

  • Exercício físico e suar.

  • Água do chuveiro diretamente na face e, se usar xampu, inclinar a cabeça para trás, a fim de evitar que atinja o rosto.

  • Nadar e se expor à chuva.
  •  
  • Puxar a pele e não esfregar o rosto.

Seguindo todos cuidados antes, durante e depois do peeling, o sucesso é garantido, medidas especialmente indicadas para o médio e o profundo.

A aplicação de Botox e de preenchimento como o de ácido hialurônico, 7 a 10 dias antes do peeling, otimizam os resultados deles.

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Está com inflamações próximas da unha? Saiba mais sobre a paroníquia

A paroníquia é a condição caracterizada pela inflamação dos dedos, geralmente os da mão, na área que circunda a parte lateral e proximal da unha.

Nos casos graves, também pode haver o aparecimento de lesões no seu contorno distal. 

A duração pode ser inferior a 6 semanas, constituindo a forma aguda, ou superior a esse período, correspondendo à variedade crônica.

Na grande maioria dos casos, o problema é causado por uma infecção ou por irritação decorrente do contato com substâncias contidas em sabão ou detergente.

Durante o artigo, vamos descrever as principais causas da paroníquia, assim como suas manifestações, a forma de prevenção e o tratamento. Continue lendo e confira.

Paroníquia aguda

Assim como já falado, a paroníquia aguda é a inflamação dos dedos ao redor da unha que dura menos de 6 meses.

Saiba mais sobre ela.

O que causa a paroníquia aguda?

A paroníquia aguda pode ser causada por infecções ou por reação aos medicamentos

Infecciosa

O comprometimento da função de barreira da pele ao redor da unha gera predisposição à penetração de agentes infecciosos a partir de:

  • Trauma de origem mecânica: roer unha e traumatismo por manicure, chupar o dedo e cutucar a unha da mão, além da unha encravada no dedo do pé.
  • Química: contato com detergente e sabão.

Ambos os traumatismos permitem a penetração de agentes infecciosos, como estafilococo e estreptococo, bactérias pertencentes à flora normal da pele, além de pseudomona aeruginosa, que ocorre menos frequentemente.

Além disso, a infecção também pode ocorrer por bactérias provenientes da cavidade oral, pelo hábito de levar o dedo à boca, como:

  • Aeróbias: necessitam de oxigênio para sobreviver. As principais bactérias são estreptococo, estafilococo aureus e eikenella corrodens.
  • Anaeróbias: dispensam o oxigênio para se manterem vivas e representadas pelo fusobacterium.
  • Herpes simples: é mais raro.

Medicamentosa

A paroníquia aguda também pode ser causada por alguns tipos de medicamentos:

  • Inibidores do receptor do fator de crescimento epidérmico como cetuximabe, erlotinibe e panitumumabe,
  • Agentes quimioterápicos como metotrexato e doxorubicina,
  • Retinoides sistêmicos como isotretinoina (Roacutan) e acitretina
  • Medicamentos dirigidos contra vírus.

Como a paroníquia aguda se manifesta?

A paroníquia aguda se manifesta por eritema (vermelhidão) e inchaço das dobras das unhas, de instalação rápida (2 a 5 dias), acompanhado de dor intensa e com história de pequeno traumatismo, antecedendo a lesão (foto 1).

Paroniquia aguda

Foto 1. Paroniquia aguda, apresentando inflamação intensa (vermelhidão e inchaço) ao redor da unha do dedo da mão. Foto cedida pelo Dr. Samuel Freire do Atlas Dermatológico.
Gradualmente, vai acumulando pus e denunciado pela coloração amarelada, geralmente ao redor da unha (foto 2), mas podendo se infiltrar abaixo dela (foto 3).

Paroníquia aguda intensa, onde se observa pústulas (coleção de pus) e inflamação ao redor da unha do dedo médio da mão

Foto 2. Paroníquia aguda intensa, onde se observa pústulas (coleção de pus) e inflamação ao redor da unha do dedo médio da mão.
Paroniquía aguda com coleção de pus abaixo da unha do dedo médio

Foto 3. Paroniquía aguda com coleção de pus abaixo da unha do dedo médio.

Na maioria dos casos, é limitado às dobras lateral e proximal da unha. Nos casos graves, pode se estender até o contorno distal e se limita a um dedo, porém, quando estiver relacionado aos medicamentos, pode atingir vários.

Quando afeta os pés, o primeiro dedo (dedão) é o mais afetado. Esses casos, geralmente, estão relacionados com unha encravada (foto 4)

Paroníquia aguda no primeiro dedo do pé

Foto 4. Paroníquia aguda no primeiro dedo do pé, manifestada por intensa inflamação e secreção de pus. Foto cedida pelo Dr. Samuel Freire do Atlas Dermatológico.
Raramente, a paroníquia pode se aprofundar na pele e a bactéria atingir o osso do dedo, gerando osteomielite.

Exames complementares

Quando for evidenciado a presença de coleção de pus, a cultura bacteriológica e antibiograma podem ser úteis a fim de identificar o antibiótico mais efetivo, porém, na maioria dos casos, esse exame é desnecessário.

Tratamento da paroníquia

Quando a paroníquia ainda está na fase inicial, sem abscesso, deve ser utilizado antibiótico por via tópica. Quando for decidido utilizar antibiótico por via oral, a escolha dependerá diretamente do caso, definido pelo médico.

Na presença de abscesso, deve ser realizada a drenagem do pus.

Nos casos de paroníquia por unha encravada, recomenda-se a remoção parcial dela, correspondente ao lado afetado e incluindo a destruição da matriz, a pele que antecede a visualização da unha.

Esse procedimento garante que a unha nasça mais estreita, prevenindo o seu encravamento.

Vale ressaltar que jamais deve ser removido toda a unha, uma vez que isso resulta na lesão permanente de sua matriz e, consequentemente, da unha que reaparecer.

Quando a paroníquia for provocada por medicamento, é suficiente apenas a suspensão dele.

Paroníquia crônica

A paroníquia crônica é aquela cuja inflamação do dedo ultrapassa 6 semanas. Saiba mais sobre ela.

Quais as causas da paroníquia crônica?

É provocado pela irritação persistente induzida por substâncias como sabão e detergente, em um ambiente constante de umidade. Por isso, é comum aos que trabalham nas funções de cozinheiro, donas de casa e profissionais da área de saúde.

Menos frequentemente, pode ser desencadeada por processo alérgico a alguma substância em contato com a pele, constituindo a dermatite de contato alérgica.

A inflamação é agravada nos portadores de psoríase (foto 5a e 5b) e nos de dermatite atópica.

Psoríase ao redor das unhas

Fotos 5a e 5b. Psoríase ao redor das unhas e sobre as articulações dos dedos da mão, manifestada por lesões avermelhadas cobertas por escamas, além de grande comprometimento da superfície das unhas.

Apesar de o fungo cândida poder ser encontrado na pele afetada, ele não participa da indução da doença, o que é comprovado pela manutenção do processo, mesmo após tratamento específico para cândida. No máximo, pode contribuir para a persistência da paroníquia.

Como se manifesta a paroníquia crônica?

Ao contrário da paroníquia aguda, a inflamação é mais discreta, manifestada por eritema (vermelhidão) e inchaço ao redor da unha, correspondente à parte lateral e proximal da mesma (foto 6).

Paroníquia crônica

Foto 6: Paroníquia crônica, onde se observa inflamação discreta ao redor das unhas dos dedos da mão. Essa inflamação compromete a matriz da unha, situada abaixo dela, gerando alterações na sua superfície (estrias longitudinais).

À medida que se prolonga a inflamação, começa a ocorrer uma retração na parte proximal, correspondente à perda da cutícula (foto 7).

Paroníquia crônica

Foto 7. Paroníquia crônica que gerou grande retração da pele ao redor da unha, além de modificação da superfície da unha (estrias longitudianis).

A agressão à matriz da unha, correspondente à pele que antecede a sua parte proximal, gera inflamação do dedo e consequente alterações em sua superfície, manifestada por ondulações transversais e podendo gerar até um sulco ainda mais profundo na sua parte proximal, conhecido como Linha de Beau (foto 8).

Linha de Beau

Foto 8.Linha de Beau, manifestada por depressão na parte proximal da unha gerada pela interrupção da sua formação, em consequência da inflamação da sua matriz, correspondente à pele que antecede a unha.

Mantido a agressão à matriz, pode haver alteração de toda superfície da unha, semelhante ao aspecto de uma lixa, conhecido por traquioníquia (fotos 9). Essa condição pode levar ao desprendimento de toda unha, denominado onicomadese, além de deformidade permanente dela.

Traquinoíquia

Foto 9. Traquinoíquia manifestada por aspereza da superfície das unhas, afetando os dedos polegares.

A evolução crônica pode alternar com surtos agudos, manifestada por exacerbação da inflamação, descrita anteriormente.

É comum a persistência da inflamação do dedo, correspondente à pele ao redor da unha, atrair a bactéria pseudomona (foto 10), que gera o aparecimento de uma cor esverdeada da unha em consequência da liberação de um pigmento pela bactéria.

Infecção pela bactéria pseudomona na unha do dedo

Foto 10. Infecção pela bactéria pseudomona na unha do dedo médio, apresentando comprometimento de grande parte da mesma (cor esverdeada), além de inflamação ao redor da unha.

Exames complementares

O diagnóstico, na grande maioria das vezes, é baseado apenas no exame da pele.

Nos raros casos suspeitos de reação alérgica ao contato com alguma substância, conhecida como dermatite de contato, deve ser realizado teste alérgico de contato.

O exame histopatológico, através de biópsia da pele, na grande maioria das vezes, não é necessário, exceto se houver suspeita de associação com outra doença no local, como o câncer de pele.

Tratamento da paroníquia crônica

A prevenção dos fatores indutores da paroníquia crônica é muito importante, como manter as mãos secas e distante do contato com sabões e detergentes.

Quando for inevitável o trabalho envolvendo esses irritantes, as mãos devem ser protegidas com luva de tecido de algodão, utilizada antes da de borracha.

É muito importante ter o cuidado de evitar o traumatismo provocado pela manicure, através da remoção da cutícula da unha, já que esta funciona como uma proteção contra a matriz da unha e também de paroníquia.

As unhas devem ser cortadas frequentemente, mas com cuidado! Deve-se evitar traumatismo com objetos cortantes, como tesouras e cortadores, assim como o hábito de roê-las.

O tratamento dirigido ao controle da inflamação consta da aplicação de creme contendo corticosteroide, que dependerá diretamente do caso. Outra opção é o uso de pomadas com medicamento anti-inflamatório.

O tratamento dirigido ao fungo cândida, assim como acontece na paroníquia aguda, é ineficaz.

Vale ressaltar que apenas um dermatologista poderá avaliar o seu caso e definir qual é a melhor abordagem. Entre em contato conosco para agendar uma consulta com um especialista e iniciar o seu tratamento.