Erisipela: infecção bacteriana frequente em idosos

A erisipela é uma infecção bacteriana muito comum na pele. Ela resulta da penetração de bactérias através de feridas, gerando inflamação, dor e sintomas gerais como febre.

A celulite representa a mesma infecção, porém atinge a parte mais profunda da pele, o tecido adiposo.

O abscesso também é uma variedade dessa infecção e consiste em uma coleção de pus na parte inferior da pele, incluindo a derme e a hipoderme.

Continue lendo o nosso post e saiba mais sobre a erisipela.

Incidência da erisipela

A erisipela é frequente nos idosos e pessoas de meia-idade, porém pode atingir também as crianças. A incidência é de 200 casos por 100.000 habitantes e é mais frequente no verão.

Os fatores predisponentes associados à erisipela são:

  • Ruptura da barreira da pele gerada por traumas como:
    • Feridas provocadas por trauma na pele
    • Úlceras de pressão (escaras de decúbito)
    • Úlceras de perna por insuficiência venosa (veias)
    • Picada de inseto
    • Injeção de drogas ilícitas
  • Inflamação da pele decorrente de eczema, radioterapia e psoríase
  • Remoção de gânglios linfáticos em tratamento de metástase, como o de mama
  • Anomalias congênitas dos vasos linfáticos
  • Edema consequente à insuficiência venosa
  • Obesidade
  • Imunodeficiência (diminuição da imunidade), como diabetes ou infecção pelo HIV
  • Infecções prévias da pele, como varicela (catapora) e impetigo
  • Contato íntimo com pessoas portadoras de estafilococo resistentes à metacilina

Há ainda a associação com edema decorrente de comprometimento da drenagem linfática por safenectomia (remoção da veia safena da perna para cirurgia de substituição de vasos do coração consequente ao infarto do miocárdio).

Outro fator predisponente são as fissuras entre dedos dos pés, especialmente entre o quarto e quinto dedos, decorrente de dermatofitose, também conhecida como tinha (pé de atleta) e que, frequentemente, passam despercebidas.

O que causa a erisipela?

A bactéria responsável pela maioria dos casos de erisipela é o estreptococo beta hemolítico do grupo A seguido pelo Estafilococo aureus e raramente por bacilos aeróbios Gram-negativos e bactérias anaeróbias.

Os pacientes com imunidade baixa, como os portadores de HIV, estão muito mais susceptíveis a um grande número de outras bactérias.

O abscesso está relacionado, principalmente, ao Estafilococo aureus, porém, pode ser causado por mais de uma bactéria, simultaneamente, incluindo Estafilococo aureus, Estreptococo e bactérias gram-negativas, estas últimas, quando localizadas ao redor da boca, do ânus e na área genital.

Manifestações clínicas da erisipela

A erisipela se manifesta como área avermelhada, com edema (aumento de volume da região), petéquias (hemorragias na pele) e até bolhas, bem como dor e calor na pele. As bordas da lesão são bem delimitadas.

A pele pode estar infiltrada, ou seja, elevada por inchaço. 

Erisipela na perna (foto cedida pelo Dr. Samuel Freire do Atlas Dermatológico)

Está geralmente localizada em uma perna e sendo menos frequente no rosto e na  orelha. Sempre apresenta manifestações gerais de calafrio, febre, cefaléia (dor de cabeça), astenia (sensação de fraqueza) e anorexia (falta de apetite).

A celulite representa a mesma infecção, porém atinge maior profundidade da pele, inclusive o tecido celular subcutâneo (gordura). Ao contrário da erisipela, as bordas da lesão são borradas.

Celulite

A celulite apresenta uma evolução mais indolente enquanto a erisipela tem início mais abrupto.

Manifestações adicionais da celulite são linfangite (inflamação dos vasos linfáticos) manifestada como mancha avermelhada de forma linear, partindo da mancha da celulite.

Linfangite (foto cedida pelo Dr. Samuel Freire do Atlas Dermatológico)

Além disso, pode haver comprometimento dos gânglios linfáticos, que se manifesta por aumento de tamanho, especialmente na região inguinal (virilhas). 

Crises repetitivas de erisipela geram edema persistente nas pernas, consequente à agressão aos vasos linfáticos.

A pele adquire aspecto rugoso (lesões verrucosas) consequente à repetição das crises e que é devido à persistência de porta de entrada do Estreptococo em ferimento entre os dedos dos pés mantido pela infecção pelo fungo dermatófito (tinha), o conhecido pé de atleta. 

Outras complicações da erisipela, celulite e abscesso são a septicemia (disseminação da bactéria para o sangue), endocardite (infecção comprometendo o coração) e artrite séptica (infecção nas articulações). 

Exames complementares

Fazer a testagem através da identificação da bactéria pela da cultura bacteriana além do antibiograma (identificação das bactérias sensíveis a serem mortas pelos antibióticos) da pele ou no sangue pode ser necessário nos casos graves de erisipela, especialmente quando se suspeita de infecção que se generalizou para o organismo ou que não respondeu ao tratamento com os antibióticos considerados, rotineiramente, eficazes.

A ultrassonografia é útil para identificar abscesso. A ressonância magnética serve para distinguir entre celulite e osteomielite (infecção no osso).

Em pacientes com celulite recorrente, testes sorológicos para o Estreptococo beta-hemolítico devem ser realizados, como os de anti estreptolisina O, anti deoxiribonuclease B, e anti hialuronidase.

Os dois últimos citados são mais confiáveis do que o primeiro (anti estreptolisina O).

Tratamento da erisipela

O tratamento da erisipela exige o acompanhamento por um médico especializado para evitar as complicações citadas acima.

Os pacientes devem ser tratados com antibiótico que atuem contra o estreptococo, inicialmente, por via oral, como:

  • Cefadroxila
  • Dicloxacilina
  • Amoxicilina
  • Associação de tripetoprima com sulfametoxazol
  • Clindamicina

As indicações da administração parenteral (injetável) são:

  • Manifestações de sintomas gerais que revelam o comprometimento de todo organismo, como febre superior a 38 graus, hipotensão (baixa pressão arterial) ou taquicardia (aceleração dos batimentos cardíacos)
  • Progressão rápida do eritema (vermelhidão) na pele
  • Rápida progressão das manifestações, além de 48 horas do início do antibiótico por via oral
  • Intolerância ao antibiótico oral
  • Erisipela severa
  • Morbidades associadas à baixa da imunidade, como AIDS e  transplantados de órgãos

Os principais antibióticos utilizados, baseado nas indicações acima, são cefazolina, ceftriaxona ou flucloxacilina.

O uso de antibiótico por via intramuscular para prevenir recidivas da erisipela ocorrem nas seguintes condições:

  • Edema consequente ao comprometimento da drenagem linfática
  • Insuficiência venosa
  • Obesidade
  • Imunossupressão (baixa da imunidade)
  • Fissuras (feridas) entre dedos dos pés por dermatófito (pé de atleta)

Nos casos de erisipela de repetição que tende a gerar grande deformidade da perna, a penicilina G Benzatina, por via intramuscular, deve ser reaplicada a cada 3 semanas durante muitos anos.

As pernas devem ser elevadas frequentemente, além de fazer a hidratação diária da pele.

É importante ressaltar que a automedicação pode ter efeitos contrários dos desejados. Por isso, é importante fazer o acompanhamento com um dermatologista. Marque sua consulta conosco e saiba qual o melhor tratamento para o seu caso de erisipela.

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