Diabetes Mellitus e suas alterações na pele

O Diabetes Mellitus é uma das doenças mais comuns na população mundial.

Há cerca de 382 milhões de pacientes em todo o mundo, o que representa 8,3% dos adultos.

Além disso, estima-se que 46% dos pacientes desconheça que seja portador.

A acelerada urbanização mundial e consequente mudanças de estilo de vida, como a redução de atividade física e de hábitos alimentares, que acaba gerando a obesidade, são fatores que predispõem à instalação desta doença.

As alterações na pele são as mais comuns naqueles casos de longa evolução.

Continue lendo e saiba mais sobre a influência do Diabetes Mellitus na pele!

Como o Diabetes Mellitus influencia na saúde da pele?

As manifestações cutâneas podem ser as primeiras da doença. Esse fato ganha muita importância para o início precoce do tratamento, que é fundamental na prevenção das graves complicações.

Aproximadamente um terço dos diabéticos apresenta sintomas na pele.

Acantose nigricante

Uma manifestação comum que antecede a doença, coincidindo com a obesidade, é a acantose nigricante, consequente à elevação da insulina no sangue.

A acantose nigricante pode estar associada à Síndrome Metabólica nos obesos e caracteriza-se por manchas escuras e espessamento da pele, com aspecto aveludado,

Acantose Nigricante (Nigricans) no pescoço

em algumas áreas do corpo, como:

  • nas dobras das axilas e virilhas,
  • na nuca,
  • nos cotovelos,
  • no umbigo,
  • nas aréolas das mamas,
  • sobre as articulações dos dedos das mãos.

Além disso, também pode estar associada a acrocórdons, que são sinais elevados (pediculados) sobre a pele afetada, preferencialmente nas dobras.

A aplicação de creme hidratante à base de ureia e a ingestão de antidiabético são medidas paliativas, porém o mais eficaz é combater a obesidade através da prática regular de exercício físico e dieta, que reverte os distúrbios metabólicos que causam as manifestações na pele.

Pé diabético

Muito preocupante também em relação à qualidade de vida e possibilidade de mortalidade é o chamado pé diabético.

Apresenta-se através de úlceras (feridas) nos pés e sem tendência a cicatrizar, desencadeadas por traumatismos e calos, estes últimos em consequência da sensação de dormência pelo comprometimento dos nervos (60 a 70% dos casos).

Cerca de 15% das ocorrências está relacionada à insuficiência dos vasos arteriais dos membros inferiores. 

É motivo de osteomielite (infecção nos ossos) e de mutilação dos dedos dos pés e até da perna, responsável por 70% das amputações de membros inferiores, além do risco de infecção generalizada, ameaçadora à vida.

O tratamento varia de acordo com o estágio da doença. Na fase inicial, quando os pulsos ainda estão preservados, medidas enérgicas, como debridamento e curativo, costumam curar a ferida em algumas semanas.

Os casos avançados exigem revascularização cirúrgica (recuperar a circulação dos vasos arteriais).

Os antibióticos são imperativos para controlar a infecção dérmica e a osteomielite.

A pele do paciente diabético é seca, e nos casos mais intensos surgem escamas, gerando um aspecto de pele semelhante ao de peixe. Daí o nome ictiose: ictus significa peixe em grego. Normalmente, é mais evidente nas pernas.

Esse estado de ressecamento cutâneo predispõe à coceira e inflamação. A fricção provocada pelo ato de coçar pode gerar ferimento, o que predispõe à infecção bacteriana, especialmente a erisipela na perna.

Rubeose

A rubeose é um eritema (vermelhidão) relacionado à perda do tônus das pequenas veias relacionadas à pele do rosto e do pescoço.

É muito importante o reconhecimento dessa alteração da pele, pois ela denuncia descontrole do açúcar no sangue, comprometimento da retina e dos rins.

A pele de aspecto amarelado (carotenodermia) também está relacionada ao descontrole do açúcar no sangue, além da maior predisposição ao efeito de ingestão de caroteno contido nos alimentos.

Não existe tratamento para o controle dessa modificação da pele.

Xantoma eruptivo

Outra doença, não necessariamente relacionada ao Diabetes Mellitus, é o xantoma eruptivo. É consequente ao depósito de gordura na pele, denunciado pela elevação dos triglicerídeos no sangue (acima de 700 mg/dL).

Manifesta-se pelo aparecimento rápido de caroços (pápulas) amareladas na pele, que podem confluir, preferencialmente nas nádegas, cotovelos e joelhos. Podem coçar e doer.

Xantoma Eruptivo (tronco e antebraços)
Xantoma Eruptivo (antebraço)

O seu reconhecimento é muito importante para prevenir pancreatite aguda, que oferece grande risco à vida. 

Infecções bacterianas

O diabético é mais predisposto a infecções bacterianas da pele em consequência da baixa da imunidade, além do retardo da cicatrização dessas feridas infectadas pela menor nutrição sanguínea.

A bactéria mais frequente é o Staphylococcus. Pode variar de intensidade e se manifesta como furúnculo, abscesso e carbúnculo (agrupamento de furúnculos).

O Estreptococo provoca a erisipela, que pode também ser recidivante e grave (erisipela bolhosa e profunda).

A otite externa, relacionada à bactéria Pseudomonas, é também uma doença muito grave no diabético, já que pode se transformar em infecções mais profundas como:

  • mastoidite,
  • osteomielite do osso temporal da cabeça,
  • danos aos nervos,
  • meninges (membranas que revestem o cérebro) com alta frequência de mortalidade.

Candidíase

Existe uma maior frequência de candidíase genital masculina e feminina e na boca. Nesta última, especialmente, no canto dos lábios.

Pode ser a primeira manifestação do diabetes.

A candidíase vulvovaginal é quase sempre presente nas mulheres diabéticas e é uma causa comum de prurido (coceira) na vulva durante os períodos de descontrole do diabetes.

Doenças autoimunes

Em consequência da alta frequência de associação entre as doenças autoimunes, o diabetes pode se associar com:

  • lúpus eritematoso,
  • vitiligo,
  • insuficiência adrenal,
  • tireoidite (inflamação da tireoide),
  • anemia perniciosa,
  • alopecia areata.

Assim, é obrigatório a investigação de outras doenças autoimunes diante de um paciente diabético.

O vitiligo se manifesta em 1% a 7% dos pacientes diabéticos, geralmente portadores do tipo 1, e em apenas 0,2% a 1% da população não diabética.

A psoríase está associada ao diabetes pelo fato de ambas fazerem parte da síndrome metabólica, geradora de doença cardiovascular, principal causa de mortalidade no mundo.

A síndrome metabólica consiste na associação de hipertensão, obesidade, Diabetes Mellitus tipo 2, dislipidemia (elevação da gordura no sangue, como o colesterol) e doença gordurosa do fígado.

Essas duas doenças são relacionadas com maior probabilidade quando afetam mais de 10% da pele.

Os pacientes com psoríase apresentam predisposição para obesidade e vice-versa, e isso explica a associação das duas doenças com a síndrome metabólica. Daí a grande importância do controle do peso como parte importante no tratamento da psoríase.

Bolha diabética

Bullosis diabeticorum, doença bolhosa do diabetes ou bolhas diabéticas, ocorre em 0,5% dos pacientes.

Embora não seja frequente, é considerado um marcador distinto de Diabetes Mellitus e está presente nos portadores com longa evolução da doença ou que apresentam complicações como nefropatia (doença no rim) ou neuropatia.

Há uma preferência pelas extremidades, principalmente as pernas e os pés.

As bolhas são tensas e surgem subitamente e espontaneamente. Geralmente são indolores e não coçam, desaparecendo sozinhas, sem formação de cicatrizes em 2 a 5 semanas.

Dermopatia diabética

A dermopatia diabética é a lesão cutânea específica mais comum nos pacientes, denunciadora de microangiopatia diabética (comprometimento dos pequenos capilares), de lesão nos rins, nas artérias coronarianas(coração), na retina ou nos nervos periféricos.

Sua incidência varia de 7% a 70% dos portadores da doença, observado mais frequentemente nos casos de longa evolução e em indivíduos com mais de 50 anos de idade.

Localiza-se frequentemente na parte anterior das pernas e se manifesta como pequenas depressões da pele, de cor acastanhada.

Outras condições do Diabetes Mellitus

A pitiríase versicolor (pano branco) extensa e a dermatofitose (impinge) são também frequentes, especialmente nos pacientes com diabetes descontrolado.

Uma forma muito grave, felizmente rara no diabético, também consequente da glicemia elevada, é a mucormicose.

A doença afeta até a parte profunda da pele, geralmente localizada no centro da face, que causa processos necróticos (morte da pele), com rápida progressão para comprometer todo o organismo, com altas taxas de mortalidade.

O diagnóstico precoce é essencial para salvar a vida do paciente diabético.

Existem muitas alterações na pele causadas pelo Diabetes Mellitus, e é essencial contar com um profissional para acompanhá-los e tratá-los.

Conte conosco para isso. Marque sua consulta e tenha com o auxílio de um especialista!

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