Urticária: o que causa e como identificar?

A urticária representa uma das urgências mais frequentes da Dermatologia.

Essa condição acomete de 15 a 20% da população e é 2 vezes mais frequente na mulher.

Atinge mais predominantemente a faixa etária entre 20 e 50 anos, porém as crianças também podem ser afetadas.

A identificação da causa depende diretamente da duração da doença. A aguda, ou seja, que tem duração até 6 semanas, geralmente é causada por alimentos, medicamentos, picada de insetos, inalantes e/ou poeira domiciliar.

Já as crônicas, que ultrapassam de 6 semanas, não se descobre a etiologia em 75 a 90% dos casos.

Continue lendo o nosso post e saiba mais sobre a urticária!

Qual é a causa da urticária?

Apesar de na maioria dos casos de urticária não se identificar a causa, os maiores responsáveis são:

Urticária por agentes físicos

Entre as várias causas possíveis para a urticária, tanto internas quanto externas, os agentes físicos são os mais frequentes, se destacando o dermografismo, que é a reprodução das lesões ao se atritar a pele.

Também podemos citar nesse grupo a urticária colinérgica, que é induzida pelo estresse, calor e emoções.

A exposição solar, o frio, água – independentemente da temperatura, pressão e vibração sobre a pele também podem desencadear esse problema.

Uma característica dessas modalidades de urticária por agente físico é a duração de cada lesão ser inferior a 1 hora, exceto a de pressão.

Medicamentos

Os medicamentos, apesar de não terem esse objetivo, também podem causar urticária com certa frequência, além de poderem desencadear quadros mais graves, como de anafilaxia (obstrução das vias respiratórias que pode levar à morte por asfixia).

As substâncias mais responsáveis pelas manifestações de urticária são:

  • antibióticos, como penicilina e amoxicilina,
  • sulfas,
  • anti-inflamatórios,
  • analgésicos, como ácido acetilsalicílico e dipirona,
  • pílulas anticoncepcionais.

Alimentos

Os alimentos, tão incriminados pela população, raramente provocam urticária, exceto nas formas agudas. Os mais responsáveis são:

  • peixe,
  • leite de vaca,
  • chocolate,
  • ovo,
  • crustáceos,
  • morango.

Também devemos estar atentos para os aditivos e conservantes alimentares, como tartrazina, salicilatos e ácido benzóico, utilizados para dar cor, sabor e preservar os enlatados.

A ingestão de bebidas alcoólicas pode agravar a urticária naqueles pacientes que ingerem alimentos ricos em histamina, como atum, sardinha, queijos tipo Emmental e Gouda, salame, linguiça e tomate.

O mecanismo de atuação do álcool consiste na inibição da degradação da histamina no intestino, substância fundamental na indução da urticária.

Ele também atua isoladamente através de dilatação dos vasos da pele, sendo portanto, independentemente da causa da urticária, um fator agravante da mesma.

Infecções

As infecções raramente são responsáveis por esse tipo de problema na pele dos adultos, porém são frequentes nas crianças.

Nestas últimas, têm origem no ouvido, aparelhos respiratório e gastrintestinal.

As infecções virais são as mais recorrentes (Hepatite B, mononucleose infecciosa e coxsackie), assim como por bactérias, como streptococcus (focos dentários e de seios da face), e fungos, como a candidíase.

Além disso, parasitoses intestinais, como amebíase, giardíase e estrongiloidíase, são frequentes causas em países subdesenvolvidos.

Outros fatores externos que causam urticária

Raramente substâncias alergênicas inaladas, como farinha de trigo e das indústrias química e farmacêutica, são responsáveis, sendo mais vulneráveis os pacientes portadores de outras alergias, como asma e rinite.

Também pode ocorrer pelo contato da pele com substâncias contidas em plantas, como a urtiga, pelos de animais e persulfato de amônio (substância utilizada em permanente de cabelo).

Em relação à urticária de contato nas mãos, as causas mais comuns são as preparações alimentares, especialmente à base de proteínas, e o uso de luvas de látex.

Apesar das doenças internas raramente serem responsáveis pelo seu surgimento, devem ser investigadas considerando a gravidade das mesmas, como doenças da tireóide ou lúpus eritematoso.

Quais são as manifestações clínicas da urticária?

A doença se manifesta em qualquer parte da pele como lesões avermelhadas, que posteriormente se tornam elevadas (infiltradas), de diferentes tamanhos.

Urticária
Urticária

A característica mais importante é a duração efêmera de cada lesão (24 a 48 horas) e sem deixar nenhum vestígio após desaparecer.

As lesões são acompanhadas de sensação de coceira intensa.

Como é feito o tratamento da urticária?

Como na maioria dos casos não se identifica a causa, o tratamento se limita a combater o sintoma de coceira e da pele afetada, devendo se prolongar até 1 a 2 semanas após o desaparecimento das manifestações.

Apenas um médico especializado poderá receitar quais são os melhores medicamentos para cada caso.

Em geral, os mais utilizados são os anti-histamínicos, e destes, preferimos os que não causam sonolência, como a desloratadina e levocetirizina.

Em situações graves, manifestadas por comprometimento extenso da pele, preferimos os corticosteroides por via oral durante alguns dias, para alívio mais rápido dos sintomas.

Mas atenção: o uso prolongado dessas últimas drogas pode provocar graves efeitos colaterais e só devem ser consumidas após a prescrição médica.
Se você sofre de urticária, marque uma consulta conosco para iniciar o melhor tratamento!

Saiba mais sobre a hanseníase!

A hanseníase é doença que afeta a pele e os nervos periféricos, causada por uma bactéria, a Mycobacterium leprae, também conhecida como bacilo de Hansen. 

Ela foi endêmica em todo o mundo, mas, atualmente, está restrita a alguns países em decorrência da introdução de tratamento eficiente.

A sua transmissão ocorre através da fala e é pouco contagiosa.

É fundamental para o controle do contágio e prevenção de sequelas que seja tratada precocemente.

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A hanseníase no Brasil

Apesar de a hanseníase de ter sido erradicada em muitos lugares, o Brasil continua incluído entre os países em que a doença circula, ocupando o segundo lugar, superado apenas pela Índia.

Oficialmente, nosso país tem 30.000 hansenianos, porém mais preocupante ainda é que para cada paciente em tratamento, existem 5 sem ele, disseminando a doença.

Nós concentramos cerca de 93% de todos os hansenianos do continente americano e somos o único país ainda endêmico, ou seja, com mais de um caso por cada 10.000 habitantes.

Pernambuco é um dos estados com grande concentração de infectados. A região metropolitana do Recife concentra 68% do total de casos. Recife ocupa o segundo lugar com mais doentes na faixa etária de menores de 15 anos e o terceiro lugar no geral entre as capitais brasileiras.

Dos seus 94 bairros, 42 (44,7%) apresentam alta incidência da doença e em alguns deles chega a ser 4 vezes mais endêmico do que a média nacional. 

Como é feita a transmissão da hanseníase?

A hanseníase é transmitida pela propagação da bactéria Mycobacterium leprae através da fala. Após penetrar no organismo, 90% da população consegue destruí-la e essa capacidade já existe no indivíduo desde o nascimento.

Portanto, apenas a minoria permite que o bacilo de Hansen se multiplique, e em consequência disso, passa a eliminar grande quantidade através da fala (180.000 bacilos em 10 minutos de fala).

Além disso, para haver transmissão, é necessário um contato íntimo e prolongado.

O ambiente ideal para esse contágio é o domicílio. Portanto, a doença não é transmitida através de contatos fugazes nem através de objetos, ou seja, é pouco contagiosa.

Como a hanseníase se manifesta?

A manifestação inicial se dá através do surgimento de uma ou mais manchas brancas na pele, menos frequentemente avermelhadas, que ficam sem pelos e se tornam incapazes de suar.

Hanseníase tipo Indeterminada
Hanseníase tipo Indeterminada (foto autorizada para publicação pelo Dr. Samuel Freire do Atlas Dermatológico)

A confirmação do diagnóstico dessa fase precoce é através de testes que confiram a perda da sensação de frio e calor nas manchas.

A ausência de sensibilidade térmica é constatada através do contato de um objeto ligeiramente aquecido, como uma colher, sobre a região afetada ou de uma gaze embebida em éter.

O resultado dessa pesquisa é a falta de reação ao calor, no primeiro (colher), e ao frio, no segundo (éter).

É importante o reconhecimento da doença nessa etapa precoce, chamada de indeterminada, porque ainda não é possível transmiti-la a essa altura, além de também ser possível prevenir suas severas sequelas, como:

  • cegueira,
  • impotência sexual,
  • insuficiência renal,
  • esterilidade,
  • feridas,
  • osteomielite nas mãos e pés.

Infelizmente, apenas 20% das pessoas que são diagnosticados nos Postos de Saúde estão nessa fase inicial.

Após 6 meses da doença, o paciente já evoluiu para a fase mais avançada, em decorrência do comprometimento dos nervos, pois esses tecidos não se regeneram.

Mesmo sendo tratado adequadamente, ele carregará as sequelas graves da hanseníase para o resto da vida.

A evolução dos portadores da forma inicial, a indeterminada, poderá ser para a Tuberculoide, na qual, em decorrência da manutenção parcial das defesas do indivíduo, há a aparição de algumas lesões na pele, além da incapacidade de transmissão para outras pessoas, pelo baixo número de bactérias no organismo.

Hanseníase tipo Tuberculoide
Hanseníase tipo Tuberculoide

Nos pacientes que não possuem imunidade, a forma precoce deve evoluir para a forma Virchowiana, na qual os bacilos se multiplicam livremente no organismo.

Hanseniase tipo Virchowiana
Hanseniase tipo Virchowiana (foto autorizada para publicação pelo Dr. Samuel Freire do Atlas Dermatológico)

“Hanseníase virchowiana manifesta-se com inchaço (infiltração) de todo rosto e das orelhas, perda das sobrancelhas (madarose), adquirindo aspecto de facie leonina. Transmite muitas bactérias, através da fala, cerca de 180.000 em 10 minutos de fala, em consequência de falta de capacidade do organismo para destruir a bactéria. ”

Em consequência, eles podem desenvolver muitas lesões na pele e transmitir a doença pela eliminação maciça dos micróbios.

As formas tuberculoide e Virchoviana perdem, além da sensibilidade térmica, também a dolorosa e ,por último, a tactil, evidenciado através do contato com agulha e algodão com a pele, respectivamente.

Como é feito o tratamento da hanseníase?

Os fatores que contribuem para a manutenção da hanseníase são o diagnóstico tardio e o exame apenas parcial nos membros da família (50% no Brasil), que é realizado pelas equipes do Programa da Saúde da Família (PSF) para detectar todas as pessoas afetadas pela doença na residência.

O alto índice de abandono do tratamento é outro fator importante, que além de possibilitar a transmissão, permite o desenvolvimento de resistência da bactéria aos medicamentos.

Infelizmente, a maioria da população brasileira é desinformada sobre a doença.

O investimento maciço em educação, além de despertar a população para a importância do diagnóstico precoce, combate o inexplicável preconceito sobre a doença, que gera vergonha no paciente em ser identificado. Este sentimento contribui muito para a demora do paciente em procurar o médico e o abandono do tratamento.

A doença é curável caso o tratamento prescrito seja seguido à risca durante 6 meses para as formas clínicas não contagiosas (Indeterminada e Tuberculoide), e um ano para a forma contagiosa (Virchowiana). O tratamento é oferecido gratuitamente pelo Governo.

O médico responsável pela intervenção terapêutica é, principalmente, o do PSF e, menos frequentemente, o dermatologista.

Os fisioterapeutas também participam através da minimização das sequelas impostas pela doença.

Quando o tratamento é realizado pelo dermatologista, o profissional deve ser especializado e ter experiência na área.

Agora que você já sabe mais sobre a hanseníase, que tal continuar a leitura e tirar suas dúvidas sobre a teledermatologia?

Tratamento da acne: mitos e verdades sobre Roacutan

O tratamento da acne é um tema um tanto quanto polêmico e levanta muitas dúvidas.

Muito frequente na adolescência, a acne chega a acometer cerca de 60% das moças e 70% dos rapazes.

Alguns fatores contribuem para o aparecimento das temidas espinhas, como o aumento da produção da gordura pela glândula sebácea, que é influenciada pela atuação dos hormônios sexuais.

Isso gera aumento na oleosidade natural da pele.

Continue lendo o nosso post e saiba mais sobre o tratamento da acne!

O que não deve ser feito durante o tratamento de acne?

Apesar de a acne ser comum durante a adolescência, algumas atitudes muito reproduzidas por nós agravam a doença.

As mais comuns são:

  • apertar as espinhas (estourar),
  • limpeza de pele exagerada,
  • uso de alguns tipos de cremes no rosto e para alisar os cabelos,
  • uso irregular ou suspensão do tratamento sem recomendação médica, o que favorece a resistência aos medicamentos  da acne.

É um mito que alguns alimentos como o chocolate possam influenciar a evolução do quadro!

Como é feito o tratamento da acne?

Para o tratamento da acne, o principal conselho é paciência, pois a sua duração vai variar de acordo com a gravidade do problema.

Entre as opções possíveis, há a aplicação de medicamento tópico para acne leve, através de antibiótico e ácido retinoico.

Em casos com predomínio de muitas espinhas, especialistas recomendam o uso oral de antibióticos e a isotretinoína.

O que é o Roacutan?

A isotretinoína, comercialmente conhecida como Roacutan, revolucionou o tratamento da acne a partir de 1975.

Ele é o único medicamento que cura a doença, geralmente num ciclo de 6 a 8 meses, porém em 20% dos casos pode ocorrer recidiva.

Dessa forma, geralmente é necessário mais de um ciclo de tratamento, especialmente em rapazes antes dos 20 anos e com acne severa.

É o único remédio que atua em todos os mecanismos de ação da doença, como:

  • produção exagerada de sebo (oleosidade da pele) pelas glândulas sebáceas,
  • desobstrução dos poros da pele, que eliminam o sebo (evita formação dos cravos),
  • combate à bactéria responsável pela inflamação cutânea, responsável pelas espinhas.

Por mulheres em idade fértil, deve ser utilizado acompanhado do uso de anticonceptivo, preferencialmente de 2 tipos, devido aos graves danos ao feto em caso de uso durante a gestação.

Por ser um derivado de vitamina A, provoca ressecamento dos lábios, olhos e pele. Também deve ser evitada a ingestão de bebida alcoólica e exposição ao Sol de forma exagerada para evitar queimaduras.

Apesar dos efeitos colaterais leves, exceto a proibição de gravidez, foram construídas inverdades sobre seu uso, tais como ser causador de depressão e de agressão ao fígado.

Se acompanhado com exames laboratoriais mensais e, no caso das mulheres, de anticoncepcionais até 1 mês após a conclusão do tratamento, é um medicamento muito seguro, além de ser o mais eficaz.

É importante frisar que antes de iniciar qualquer intervenção terapêutica, é essencial fazer uma consulta com um dermatologista que tenha experiência no assunto.


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