Saiba mais sobre a hanseníase!

A hanseníase é doença que afeta a pele e os nervos periféricos, causada por uma bactéria, a Mycobacterium leprae, também conhecida como bacilo de Hansen. 

Ela foi endêmica em todo o mundo, mas, atualmente, está restrita a alguns países em decorrência da introdução de tratamento eficiente.

A sua transmissão ocorre através da fala e é pouco contagiosa.

É fundamental para o controle do contágio e prevenção de sequelas que seja tratada precocemente.

Continue lendo o nosso post e saiba mais sobre a hanseníase!

A hanseníase no Brasil

Apesar de a hanseníase de ter sido erradicada em muitos lugares, o Brasil continua incluído entre os países em que a doença circula, ocupando o segundo lugar, superado apenas pela Índia.

Oficialmente, nosso país tem 30.000 hansenianos, porém mais preocupante ainda é que para cada paciente em tratamento, existem 5 sem ele, disseminando a doença.

Nós concentramos cerca de 93% de todos os hansenianos do continente americano e somos o único país ainda endêmico, ou seja, com mais de um caso por cada 10.000 habitantes.

Pernambuco é um dos estados com grande concentração de infectados. A região metropolitana do Recife concentra 68% do total de casos. Recife ocupa o segundo lugar com mais doentes na faixa etária de menores de 15 anos e o terceiro lugar no geral entre as capitais brasileiras.

Dos seus 94 bairros, 42 (44,7%) apresentam alta incidência da doença e em alguns deles chega a ser 4 vezes mais endêmico do que a média nacional. 

Como é feita a transmissão da hanseníase?

A hanseníase é transmitida pela propagação da bactéria Mycobacterium leprae através da fala. Após penetrar no organismo, 90% da população consegue destruí-la e essa capacidade já existe no indivíduo desde o nascimento.

Portanto, apenas a minoria permite que o bacilo de Hansen se multiplique, e em consequência disso, passa a eliminar grande quantidade através da fala (180.000 bacilos em 10 minutos de fala).

Além disso, para haver transmissão, é necessário um contato íntimo e prolongado.

O ambiente ideal para esse contágio é o domicílio. Portanto, a doença não é transmitida através de contatos fugazes nem através de objetos, ou seja, é pouco contagiosa.

Como a hanseníase se manifesta?

A manifestação inicial se dá através do surgimento de uma ou mais manchas brancas na pele, menos frequentemente avermelhadas, que ficam sem pelos e se tornam incapazes de suar.

Hanseníase tipo Indeterminada (foto autorizada para publicação pelo Dr. Samuel Freire do Atlas Dermatológico)

A confirmação do diagnóstico dessa fase precoce é através de testes que confiram a perda da sensação de frio e calor nas manchas.

A ausência de sensibilidade térmica é constatada através do contato de um objeto ligeiramente aquecido, como uma colher, sobre a região afetada ou de uma gaze embebida em éter.

O resultado dessa pesquisa é a falta de reação ao calor, no primeiro (colher), e ao frio, no segundo (éter).

É importante o reconhecimento da doença nessa etapa precoce, chamada de indeterminada, porque ainda não é possível transmiti-la a essa altura, além de também ser possível prevenir suas severas sequelas, como:

  • cegueira,
  • impotência sexual,
  • insuficiência renal,
  • esterilidade,
  • feridas,
  • osteomielite nas mãos e pés.

Infelizmente, apenas 20% das pessoas que são diagnosticados nos Postos de Saúde estão nessa fase inicial.

Após 6 meses da doença, o paciente já evoluiu para a fase mais avançada, em decorrência do comprometimento dos nervos, pois esses tecidos não se regeneram.

Mesmo sendo tratado adequadamente, ele carregará as sequelas graves da hanseníase para o resto da vida.

A evolução dos portadores da forma inicial, a indeterminada, poderá ser para a Tuberculoide, na qual, em decorrência da manutenção parcial das defesas do indivíduo, há a aparição de algumas lesões na pele, além da incapacidade de transmissão para outras pessoas, pelo baixo número de bactérias no organismo.

Hanseníase tipo Tuberculoide

Nos pacientes que não possuem imunidade, a forma precoce deve evoluir para a forma Virchowiana, na qual os bacilos se multiplicam livremente no organismo.

Hanseniase tipo Virchowiana (foto autorizada para publicação pelo Dr. Samuel Freire do Atlas Dermatológico)

“Hanseníase virchowiana manifesta-se com inchaço (infiltração) de todo rosto e das orelhas, perda das sobrancelhas (madarose), adquirindo aspecto de facie leonina. Transmite muitas bactérias, através da fala, cerca de 180.000 em 10 minutos de fala, em consequência de falta de capacidade do organismo para destruir a bactéria. ”

Em consequência, eles podem desenvolver muitas lesões na pele e transmitir a doença pela eliminação maciça dos micróbios.

As formas tuberculoide e Virchoviana perdem, além da sensibilidade térmica, também a dolorosa e ,por último, a tactil, evidenciado através do contato com agulha e algodão com a pele, respectivamente.

Como é feito o tratamento da hanseníase?

Os fatores que contribuem para a manutenção da hanseníase são o diagnóstico tardio e o exame apenas parcial nos membros da família (50% no Brasil), que é realizado pelas equipes do Programa da Saúde da Família (PSF) para detectar todas as pessoas afetadas pela doença na residência.

O alto índice de abandono do tratamento é outro fator importante, que além de possibilitar a transmissão, permite o desenvolvimento de resistência da bactéria aos medicamentos.

Infelizmente, a maioria da população brasileira é desinformada sobre a doença.

O investimento maciço em educação, além de despertar a população para a importância do diagnóstico precoce, combate o inexplicável preconceito sobre a doença, que gera vergonha no paciente em ser identificado. Este sentimento contribui muito para a demora do paciente em procurar o médico e o abandono do tratamento.

A doença é curável caso o tratamento prescrito seja seguido à risca durante 6 meses para as formas clínicas não contagiosas (Indeterminada e Tuberculoide), e um ano para a forma contagiosa (Virchowiana). O tratamento é oferecido gratuitamente pelo Governo.

O médico responsável pela intervenção terapêutica é, principalmente, o do PSF e, menos frequentemente, o dermatologista.

Os fisioterapeutas também participam através da minimização das sequelas impostas pela doença.

Quando o tratamento é realizado pelo dermatologista, o profissional deve ser especializado e ter experiência na área.

Agora que você já sabe mais sobre a hanseníase, que tal continuar a leitura e tirar suas dúvidas sobre a teledermatologia?

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