A foliculite abscedante do couro cabeludo, também conhecida clinicamente como celulite dissecante, é uma condição inflamatória severa que afeta os folículos pilosos. Caracteriza-se pela formação de abscessos (acúmulo de pus) e nódulos (caroços) que geram dor intensa e coceira constante.
Em estágios avançados, a enfermidade pode fazer com que os fios de cabelo emerjam por um único orifício folicular, evoluindo para a perda definitiva do cabelo. Além dos sintomas físicos, o aspecto antiestético compromete severamente a qualidade de vida e o bem-estar emocional dos pacientes.
Neste artigo, abordaremos detalhadamente as causas dessa forma de alopecia, suas manifestações clínicas e as opções terapêuticas disponíveis.
Perfil Epidemiológico: Quem a Doença Afeta?
Esta forma de perda de cabelo é considerada rara e apresenta um perfil específico de incidência:
Gênero e Idade: Afeta majoritariamente homens (76% dos casos), concentrando-se na faixa etária entre 20 e 40 anos (média de 37 anos). É ainda menos frequente em adolescentes.
Etnia: Pessoas de pele escura são as mais vulneráveis ao desenvolvimento da condição.
Classificação: Corresponde a 3% dos indivíduos diagnosticados com alopecia cicatricial, que é a perda definitiva de cabelo.
Fatores de Risco: A incidência é maior entre fumantes.
Quais as causas da alopecia dissecante do couro cabeludo?
Embora a etiologia exata permaneça desconhecida, a teoria mais aceita baseia-se em um distúrbio de queratinização no revestimento do conduto do pelo, o que leva à sua obstrução.
O processo ocorre da seguinte forma:
Obstrução e Dilatação: O sebo produzido pela glândula sebácea acumula-se, dilatando o folículo.
Ruptura: O canal do pelo rompe-se, liberando o sebo na derme (segunda camada da pele).
Inflamação: A presença desse material na derme desencadeia uma reação inflamatória vigorosa.
Infecção: O processo pode ser agravado pela introdução de bactérias, como o estafilococo.
Manifestações Clínicas e Diagnóstico Visual
A queda de cabelo manifesta-se através de diferentes tipos de lesões, dependendo do estágio da doença:
1. Lesões Precoces
As manifestações iniciais incluem comedões (semelhantes a cravos) e pústulas (pequenas bolhas de pus).
FOTO 1: Foliculite abscedante do couro cabeludo, evidenciando pústulas e crostas sanguíneas em área de perda de cabelo.
2. Nódulos Supurativos e Abscessos
Surgem caroços avermelhados e dolorosos, medindo entre 1 e 3 centímetros. À palpação, nota-se flutuação devido ao pus, que pode ser eliminado junto com sangue ao serem pressionados.
FOTOS 2 e 3: Visualização de nódulos avermelhados com sensação de flutuação no vértex, local típico da doença.
Uma característica marcante é a comunicação entre os nódulos: ao apertar uma lesão, o pus pode ser expelido através de outra. Essas lesões localizam-se geralmente no vértex (topo da cabeça) e na parte posterior do couro cabeludo.
FOTO 4: Localização típica no vértex, apresentando inflamação perifolicular e pústulas.
Evolução e Impacto na Qualidade de Vida
A foliculite abscedante tende a ser crônica, alternando períodos de atividade e inatividade. Os pacientes sofrem com dor, coceira e o estigma social causado pelas lesões visíveis, o que pode gerar baixa autoestima e rejeição.
A perda de cabelo ocorre em placas, sendo mais evidente sobre os nódulos. No início, a queda pode ser reversível; contudo, em fases avançadas, a destruição do folículo torna a perda irreversível.
FOTO 5: Foliculite decalvante avançada, onde se observa a ausência definitiva de pelos e a perda dos orifícios foliculares.
Em casos graves, podem surgir cicatrizes exageradas do tipo queloide.
A Tétrade de Oclusão Folicular
A doença pode fazer parte de um grupo de quatro condições que compartilham o mecanismo de obstrução do folículo (tétrade): a foliculite abscedante, a acne conglobata, a hidradenite supurativa e o cisto pilonidal.
FOTOS 6 e 7: Associação de foliculite abscedante com acne grave (conglobata), apresentando abscessos e crostas melicéricas (amareladas) no rosto e couro cabeludo. FOTO 8: Resultado terapêutico em paciente com acne conglobata após uso de isotretinoína. FOTOS 9, 10 e 11: Caso de paciente com foliculite abscedante associada a acne grau 3 na face e hidradenite supurativa na coxa.
Diagnóstico Laboratorial
Embora o diagnóstico seja majoritariamente clínico, alguns exames auxiliam na confirmação:
Dermatoscopia: Funciona como um “microscópio” sobre a pele, identificando alterações transitórias ou permanentes nos folículos.
Cultura e Antibiograma: Analisa o pus para identificar a bactéria e determinar o melhor antibiótico.
Biópsia e Histopatológico: Não é rotina, mas serve para diferenciar a foliculite de outras patologias similares.
Como tratar a foliculite abscedante?
O tratamento é desafiador devido à natureza recidivante da doença. A intervenção precoce é crucial para evitar a perda definitiva do cabelo. As principais abordagens incluem:
Antibióticos: Uso de derivados da tetraciclina por suas propriedades anti-inflamatórias e bactericidas.
Isotretinoína: Indicada para casos que não respondem aos antibióticos convencionais.
Medicamentos Biológicos: Terapias recentes, como os inibidores do Fator de Necrose Tumoral (anti-TNF), têm sido utilizadas com sucesso.
Intervenções Locais: Drenagem de abscessos, aplicação de cremes antibióticos e infiltração intralesional de corticosteroides para alívio imediato da dor e inflamação.
A foliculite decalvante é uma doença rara, que causa perda definitiva de cabelo no couro cabeludo, caracterizada pela substituição dos folículos pilosos por tecido cicatricial. Essa condição leva à alopecia cicatricial, resultando em áreas calvas permanentes.
Embora a causa exata da foliculite decalvante permaneça desconhecida, observa-se uma área central de cicatriz com pústulas (bolinhas de pus) na periferia das lesões.
Neste artigo, exploramos as possíveis causas da foliculite decalvante, como reconhecer os sinais precoces da doença e as opções de tratamento para alopecia cicatricial, com ênfase na intervenção precoce para minimizar a progressão da queda de cabelo.
Epidemiologia da Foliculite Decalvante
A foliculite decalvante é considerada rara, representando cerca de 3% dos casos de alopecia em geral e 11% das alopecias cicatriciais (que envolvem perda definitiva de cabelo).
Ela predomina em adultos de meia-idade e é mais comum em homens, com uma proporção que pode chegar a seis homens para cada mulher afetada.
Importante destacar que a doença não afeta crianças.
Causas da Foliculite Decalvante: O que Sabemos?
A causa exata da foliculite decalvante permanece desconhecida, mas estudos apontam que ela não se trata apenas de uma infecção bacteriana simples.
Embora a bactéria Staphylococcus aureus seja frequentemente identificada em culturas bacteriológicas das lesões, a doença vai além de uma infecção localizada no folículo piloso.
A teoria mais aceita sugere que o Staphylococcus aureus atua como um superantígeno, desencadeando uma resposta inflamatória exagerada do sistema imunológico.
Nesse processo, a bactéria estimula os linfócitos T a liberar linfocinas, substâncias que intensificam a inflamação.
Essa reação imunológica desregulada leva à destruição definitiva dos folículos pilosos, em um mecanismo semelhante a uma “autodestruição” do tecido capilar.
Há também evidências de uma possível predisposição hereditária, sugerindo que fatores genéticos podem influenciar o desenvolvimento da doença.
Como a Foliculite Decalvante se Manifesta? Sintomas e Características
A foliculite decalvante pode afetar qualquer região do couro cabeludo, sendo mais comum na área do vértice (topo da cabeça) e, em alguns casos, atingir múltiplas regiões (foto 1).
É raro que a doença comprometa o rosto ou a nuca.
Principais Sinais e Sintomas
Alopecia cicatricial: A manifestação principal é uma área lisa de cicatriz no couro cabeludo, com perda definitiva dos fios de cabelo, marcada pela ausência dos orifícios foliculares (foto1)
Foto 1: Foliculite decalvante, onde se observa perda definitiva de cabelo, correspondente a atrofia do couro cabeludo e atividade da doença na periferia da área de alopecia (pústulas centradas por pelo além de pápulas).
Expansão gradual: A placa de alopecia se expande lentamente, com sinais de atividade da doença na periferia, como:
Pústulas: Pequenas “bolhinhas de pus” centradas por fios de cabelo (foto 2)
Foto 2: Folicilite decalvante, onde se observa pústula (bolhinha de pus) e centrada por pelo.
Pápulas: Pequenos “carocinhos” inflamados.
Politriquia: Em cerca de 90% dos casos, observa-se a saída de múltiplos fios (de 4 a 20) pelo mesmo orifício folicular, frequentemente acompanhada por escamas ao redor dos fios (foto 3).
Foto 3: A Foliculite decalvante onde se observa politriquia que se manifesta pela confluência de saída dos fios de cabelo por único orifício, além de descamação envolvendo o pelo.
Túneis subcutâneos: Podem surgir túneis com pus abaixo da pele, detectáveis pela sensação de flutuação ao toque na área afetada.
Secreção: Eliminação de pus ou sangue pode ocorrer nas áreas inflamadas.
Coceira e dor: A presença de pústulas, juntamente com prurido (coceira) e dor, indica atividade da doença e a necessidade urgente de tratamento.
Prognóstico e Evolução
O início da foliculite decalvante antes dos 25 anos, além da presença das manifestações citadas acima, estão associados a um prognóstico mais grave e com maior severidade da doença.
A evolução é crônica, com tendência a recidivas frequentes, e a perda de cabelo é irreversível, pois os folículos destruídos não se regeneram.
Em estágios avançados, a área afetada pode apresentar apenas alopecia definitiva, com vermelhidão (eritema) ou escamas ao redor dos fios remanescentes.
Exames de Laboratório para Foliculite Decalvante: O que é necessário?
Para auxiliar no diagnóstico e manejo da foliculite decalvante, alguns exames laboratoriais e procedimentos podem ser indicados.
Embora a doença não seja exclusivamente uma infecção bacteriana, os exames ajudam a identificar fatores contribuintes e a diferenciar a condição de outras doenças do couro cabeludo.
Exames Recomendados
Cultura bacteriológica e antibiograma: Esse exame é fundamental para identificar a presença de Staphylococcus aureus no couro cabeludo e determinar o antibiótico mais eficaz para o tratamento.
Apesar de a bactéria estar frequentemente presente, a inflamação na foliculite decalvante é influenciada por outros fatores imunológicos.
Cultura bacteriológica da mucosa nasal: Este exame é importante para detectar reservatórios de Staphylococcus aureus na mucosa nasal, que podem atuar como fonte de reinfecção ou perpetuação da doença.
Biópsia com exame histopatológico: A biópsia do couro cabeludo pode ser realizada para excluir outras condições que causam alopecia cicatricial, como lúpus eritematoso discoide ou líquen plano pilar.
No entanto, ela não é utilizada de rotina para confirmar o diagnóstico da foliculite decalvante.
Como Tratar a Foliculite Decalvante? Opções e Objetivos
Prevenir a perda adicional de cabelo, com foco em intervenção precoce.
Opções de Tratamento:
Antibióticos orais:
Tetraciclinas: Medicamentos como doxiciclina e minociclina são frequentemente prescritos por meses devido à sua ação contra o Staphylococcus aureus e propriedades anti-inflamatórias.
Azitromicina: Menos utilizada, é indicada em casos de intolerância ou resistência às tetraciclinas.
Corticosteroides:
Podem ser aplicados em forma de gel, injetáveis diretamente nas lesões ou administrados por via oral, para aliviar a coceira, a dor e a inflamação.
Cremes com antibióticos:
Cremes contendo clindamicina ou ácido fusídico são úteis em casos com inflamação leve, ajudando a controlar infecções localizadas.
Tratamento para casos graves ou resistentes:
Rifampicina associada à clindamicina: Este é o esquema mais eficaz para casos graves ou resistentes, reduzindo o risco de resistência bacteriana. Geralmente, são recomendados 2 a 3 ciclos de tratamento para prolongar os períodos sem atividade da doença.
Isotretinoína oral: Amplamente usada no tratamento da acne, pode ser uma opção para casos refratários de foliculite decalvante, ajudando a reduzir a inflamação crônica.
A alopecia frontal fibrosante é uma forma de queda de cabelo que causa grande impacto psicossocial, especialmente em mulheres na menopausa. Caracterizada por inflamação e atrofia do couro cabeludo, ela provoca a perda de fios a partir da linha frontal (testa), progredindo gradualmente para a região posterior. A área afetada muitas vezes apresenta atrofia esbranquiçada na pele, próxima ao limite de implantação dos cabelos.
Neste artigo, exploraremos as causas da alopecia frontal fibrosante, suas manifestações dermatológicas e as opções de tratamento disponíveis.
Causas da Alopecia Frontal Fibrosante: O que Sabemos?
A alopecia frontal fibrosante é uma condição complexa, e suas causas ainda não são totalmente compreendidas. Considerada um subtipo de líquen plano, essa forma de queda de cabelo parece resultar de uma combinação de fatores genéticos, hormonais e ambientais. Abaixo, detalhamos os principais aspectos relacionados às suas causas:
1. Predisposição Genética
A hereditariedade desempenha um papel importante, já que a alopecia frontal fibrosante frequentemente afeta múltiplos membros da mesma família. Essa predisposição genética sugere que certos indivíduos são mais suscetíveis à doença.
2. Influência Hormonal
A condição é significativamente mais comum em mulheres, especialmente na menopausa, o que aponta para uma forte influência hormonal. Entre outros fatores hormonais associados, destacam-se:
Menopausa precoce ou redução dos níveis de estrógenos e andrógenos.
Benefícios observados com a reposição hormonal.
Resposta positiva ao tratamento com medicamentos antiandrógenos, como inibidores da 5-alfa-redutase.
3. Fatores Ambientais
O aumento da incidência da alopecia frontal fibrosante em diversos países, especialmente após 1994, sugere a influência de fatores ambientais em pessoas geneticamente predispostas.
Entre os possíveis gatilhos, estão:
Alergia manifestada por dermatite de contato: produtos cosméticos, como fragrâncias e conservantes, além de filtros solares, são suspeitos de desencadear ou agravar a enfermidade.
Hábito de fumar: Estudos investigam sua possível relação com o desenvolvimento da doença.
Embora a interação exata entre esses fatores ainda esteja sob investigação, a combinação de predisposição genética, alterações hormonais e exposição a gatilhos ambientais parece ser a chave para o surgimento da alopecia frontal fibrosante.
Como se Manifesta a Alopecia Frontal Fibrosante?
1. Queda de cabelo no couro cabeludo
A alopecia frontal fibrosante é uma condição caracterizada pela queda de cabelo progressiva, que começa na linha de implantação do couro cabeludo, afetando principalmente a região frontal e lateral, em forma de faixa (foto 1).
Essa perda de cabelo ocorre de forma lenta, com um retrocesso médio de 1,05 cm por ano, muitas vezes tão gradual que os pacientes demoram a perceber.
A seguir, detalhamos as principais manifestações da doença:
Região frontal: A queda é iniciada na linha frontal (testa), aumentando a área sem cabelo e criando uma testa mais ampla.
Padrões de queda:
Regular: Retrocesso homogêneo.
Irregular: Perda maior em algumas áreas do que em outras.
Pseudofranja: Preservação de uma faixa fina de cabelos na borda anterior.
Outras áreas: Menos comumente, a região occipital (acima da nuca) ou outras partes do couro cabeludo podem ser afetadas.
Sinais inflamatórios: Vermelhidão (eritema) e descamação ao redor dos folículos pilosos visíveis com o dermatoscópio, indicam atividade inflamatória.
Perda folicular: A ausência de óstios foliculares na área afetada caracteriza uma alopecia cicatricial (permanente).
Fios residuais: É comum observar um ou poucos fios isolados na área de alopecia.
2. Perda de Pelos em Outras Regiões
Sobrancelhas: A queda pode ser parcial ou total, começando pela parte lateral e frequentemente precedendo a perda de cabelo no couro cabeludo (foto 1).
Cílios: Afetados com menor frequência.
Outras áreas: Pelos do corpo, como axilas, região pubiana, braços e pernas, também podem ser comprometidos.
Pelos vellus: A perda preferencial de pelos finos (vellus) na borda frontal do couro cabeludo ajuda a diferenciar essa condição de outras alopecias.
Foto 1: Alopecia frontal fibrosante, onde se observa intensa queda de cabelo correspondente ao limite de implantação do couro cabeludo e gerando aumento da testa. Também existe perda das sobrancelhas, frequentemente precedendo a alopecia.
3. Sintomas Associados
Pacientes podem relatar:
Coceira (prurido), queimação, dor ou formigamento no couro cabeludo.
Esses sintomas indicam a fase ativa da doença.
4. Alterações Cutâneas
Além da queda de cabelo, a alopecia frontal fibrosante apresenta alterações na pele que podem preceder a perda de fios de cabelo, sendo, portanto, fundamentais para o diagnóstico precoce.
Reconhecer essas manifestações pode antecipar o tratamento e ajudar a prevenir a progressão da alopecia, que é irreversível.
Manchas escuras: Semelhantes ao melasma(foto 2), variam entre tons de marrom, cinza, preto ou azul.
Localiza-se mais comumente no rosto, mas também no pescoço, colo e membros superiores, ou seja, com preferência por áreas expostas ao sol.
Essas manchas estão associadas à variedade pigmentosa do líquen plano.
Foto 2: Manchas escuras no rosto, manifestação associada à queda de cabelo da alopecia frontal fibrosante.
Atrofia da pele
Características: A pele na região frontal, logo abaixo da linha de implantação do couro cabeludo, torna-se fina, lisa e mais clara que o normal, com vasos sanguíneos dilatados (telangiectasias) visíveis
Localização: Comumente na testa, próximo à linha de implantação do cabelo (foto 1).
Pápulas faciais
Descrição: Pequenos caroços (pápulas) relacionados aos folículos pilosos, com superfície lisa, bordas pouco definidas e cor da pele normal. Podem apresentar delicadas espículas foliculares, semelhantes à ceratose pilar (foto 3).
Localização: Mais frequentes nas regiões temporais (próximo às orelhas), mas podem aparecer na testa, maçãs do rosto ou queixo.
Significado: Associadas a maior gravidade da doença.
Foto 3: Pápulas (carocinhos) na região frontal (testa) da face, frequentemente associadas à queda de cabelo da alopecia frontal fibrosante.
Rugas e Eritema
Rugas: Surgem na região preauricular (próximo às orelhas), sendo menos comuns.
Vermelhidão (eritema): Extensa na face, semelhante à rosácea(fotos 3 e 4), mas ocorre com menor frequência.
Fotos 4 e 5: Telangiectasias (vasos sanguíneos dilatados) associado a eritema (vermelhidão), simulando a rosácea.
As alterações cutâneas podem aparecer antes da queda de cabelo, permitindo a identificação precoce da alopecia frontal fibrosante.
Como confirmar o diagnóstico de Alopecia Frontal Fibrosante?
Dermatoscopia: Exame que avalia sinais inflamatórios e perda folicular.
Biópsia de pele: Exame histopatológico para confirmar a condição.
Como Tratar a Alopecia Frontal Fibrosante?
O tratamento da alopecia frontal fibrosante deve começar o mais cedo possível, pois a perda de cabelo é irreversível, devido à natureza cicatricial da doença.
As opções terapêuticas incluem medicamentos tópicos, orais e, em alguns casos, procedimentos como transplante capilar.
A escolha do tratamento depende da gravidade, extensão da doença e resposta do paciente. Abaixo, detalhamos as principais abordagens:
1. Tratamentos Tópicos
Corticoides
Creme: Reduz a inflamação no couro cabeludo.
Intralesional: Injeções aplicadas a cada 8 semanas para maior eficácia.
Minoxidil 5% (solução ou espuma): Auxilia no tratamento simultâneo daalopecia androgenética, estimulando o crescimento capilar.
Tacrolimo e pimecrolimo: Usados no início ou como alternativa aos corticoides, minimizando a atrofia da pele
2. Tratamentos Orais
Inibidores da 5-alfa-redutase (finasterida, dutasterida): Atuam na regulação hormonal, com benefícios em mulheres na menopausa.
Hidroxicloroquina: Possui ação anti-inflamatória.
Antibióticos anti-inflamatórios (tetraciclina, doxiciclina, minociclina): Reduzem a inflamação.
Retinoides orais (isotretinoína, acitretina): Eficazes para tratar as pápulas faciais e controle da doença.
Imunossupressores (metotrexato, micofenolato de mofetil): Indicados em casos graves.
Outros medicamentos: Pioglitazona, naltrexona e tofacitinibe podem ser considerados em situações específicas.
3. Procedimentos
Excimer laser e laser de CO2
Transplante capilar: Viável apenas após o controle da doença, com manutenção do tratamento clínico para evitar reativação. O procedimento tem eficácia limitada devido ao risco de recidiva.
Qual a Importância do Diagnóstico Precoce
Iniciar o tratamento logo no início pode estabilizar a progressão da doença e preservar os folículos remanescentes.
Um dermatologista pode avaliar a necessidade de dermatoscopia ou biópsia para confirmar o diagnóstico e personalizar o tratamento.
Prognóstico da Alopecia Frontal Fibrosante
A alopecia frontal fibrosante geralmente apresenta uma fase ativa de cerca de 5 anos, após a qual, a progressão pode estabilizar. No entanto, a recuperação dos pelos nas áreas afetadas é rara, com relatos ocasionais de recuperação parcial.
Fatores associados a um pior prognóstico incluem:
Perda de pelos nas sobrancelhas e cílios.
Presença de pápulas faciais, indicando maior gravidade.
Embora a doença seja crônica e a perda de cabelo permanente, o tratamento adequado pode controlar a inflamação, prevenir maior progressão e melhorar a qualidade de vida.
O Brasil ocupa o segundo lugar no mundo em número de casos de hanseníase e concentra 92% de todos os casos do continente americano.
Pernambuco está entre os estados com maior incidência em crianças e adolescentes, enquanto Recife é a quarta capital com mais casos. Esses dados alarmantes reforçam a necessidade de iniciativas inovadoras no combate à hanseníase.
O papel da Dermatologia Comunitária
A falta de conhecimento sobre a hanseníase, tanto por parte da população quanto das equipes de saúde, é o maior desafio no controle da doença.
No passado, o tratamento era realizado exclusivamente por dermatologistas, mas foi descentralizado e passou a ser atribuído ao médico da Atenção Primária, como principal responsável pelo tratamento da hanseníase.
No entanto, a qualidade do atendimento oferecido por esses profissionais ainda é inferior ao dos especialistas, o que compromete o diagnóstico precoce, reconhecido pelo surgimento de mancha esbranquiçada e perda da sensação do frio e do calor (foto 1) fundamental na prevenção das sequelas e da transmissão da infecção, esta última, fundamental para o controle da doença.
Foto 1: Hanseníase Indeterminada em uma criança, manifestada pelo aparecimento de mancha esbranquiçada (hipocrômica) com perda dos pelos.
Países como Argentina, República Dominicana e México já adotaram a Dermatologia Comunitária, uma subespecialidade que tem gerado excelentes resultados no combate à doença. Essa abordagem envolve:
Treinamento prático e teórico
Dermatologistas e médicos residentes da especialidade treinam médicos da Atenção Primária, diretamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), tanto durante as consultas quanto em aulas específicas sobre a hanseníase.
Após esse treinamento, a qualificação dos médicos continuará, através da telemedicina, com envio de casos clínicos, incluindo fotos e história clínica, e com respostas pelos dermatologistas e residentes de dermatologia.
Treinar demais membros das equipes de saúde, especialmente os agentes comunitários de saúde e enfermeiros, principais responsáveis pela busca ativa da doença, sendo esta considerada precária no Brasil pela ONU.
Educação comunitária
Além do treinamento médico e demais membros das equipes de saúde, a Dermatologia Comunitária promove palestras em vários ambientes das comunidades como nas escolas e nas próprias UBS, a fim de educar a população sobre a hanseníase e outras doenças de pele.
Benefícios além da hanseníase
Embora a hanseníase seja o foco inicial, a implementação da Dermatologia Comunitária beneficia pacientes com outras doenças dermatológicas, que representam cerca de 20% das consultas nas UBS.
Um caminho para o Brasil
Apesar do sucesso em outros países, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) ainda não implantou a Dermatologia Comunitária como uma subespecialidade. Esse atraso impacta negativamente a formação de médicos na especialidade da Dermatologia, especialmente após a reforma do ensino médico, que assim como na hanseníase, descentralizou essa atividade, tornando obrigatórios os estágios dos alunos na Atenção Primária.
O envolvimento da SBD é fundamental para:
Criar programas de treinamento específicos para médicos da Atenção Primária.
Incorporar a Dermatologia Comunitária no programa da residência médica de Dermatologia.
Criar o departamento de Dermatologia Comunitária na SBD a fim de gerar estratégias de combate efetivo à hanseníase.
Aumentar a conscientização da população sobre a hanseníase e outras doenças dermatológicas no Brasil, gerando, em consequência, envolvimento dela no combate efetivo à doença.
Sem uma mudança estratégica de apoiar as Equipes de Saúde que atuam, principalmente, nas comunidades pobres, as mais afetadas pela doença, tanto pelo Ministério da Saúde, pelas Secretarias de Saúde (municipais e estaduais) e, especialmente, pela SBD, o Brasil continuará ocupando essa vergonhosa posição de destaque na incidência da hanseníase.
É hora de investir na Dermatologia Comunitária como um caminho para transformar essa realidade e a nossa ONG, o Instituto ProntoPele, tem o compromisso de transformar o Janeiro Roxo, mês dedicado ao combate à hanseníase, em todo Ano Roxo.
A hanseníase é uma doença infecciosa, causada pela bactéria Mycobacterium leprae. Apesar de ser pouco contagiosa e ter cura, o Brasil ocupa o segundo lugar no mundo em número de casos. Sua transmissão ocorre principalmente pelo contato íntimo e prolongado, através da fala, predominantemente, dentro do ambiente domiciliar.
Infelizmente, a hanseníase afeta desproporcionalmente a população de baixa renda, que vive em condições de maior aglomeração, com várias pessoas dividindo espaços pequenos.
Porém, o maior motivo dessa população ser a mais afetada é a falta de maior investimento em educação, que gera pessoas sem conhecimento sobre a doença e, principalmente, sem capacidade de refletir sobre o que as afeta. Essa última capacidade, o pensamento crítico, é adquirida pelo aproveitamento do conhecimento em formar pensadores, principal objetivo da educação, muito enfatizado pelo grande educador Paulo Freire.
Como identificar a hanseníase em sua fase inicial?
O primeiro sinal da hanseníase é o surgimento de uma mancha esbranquiçada (foto 1) e, menos frequente, por mancha avermelhada com características específicas:
Perda dos pelos na região
Ausência de suor no local
Sensação reduzida de calor e frio
Foto 1: Mancha hipocrômica (esbranquiçada) na perna, característica da etapa precoce da hanseníase, conhecida como Indeterminada
Nessa fase inicial, ainda não há transmissão nem dano aos nervos periféricos, principal responsável pelas graves sequelas da doença, portanto, irreversíveis. Por isso, o diagnóstico precoce é essencial.
Consequências da falta de diagnóstico precoce
Sem tratamento adequado, a hanseníase pode causar sequelas sérias, como:
Perda da visão
Impotência sexual
Mãos e pés em garra, dificultando atividades manuais e a locomoção
Essas consequências impactam profundamente a qualidade de vida dos pacientes, muitas vezes limitando sua capacidade de trabalhar e se locomover de maneira autônoma.
Desafios no combate à hanseníase e a importância do diagnóstico precoce
A erradicação da hanseníase passa por superar barreiras de gestão publica e culturais, como o treinamento das equipes de saúde, incluindo a realização de busca ativa mais eficiente.
A importância da busca ativa
Por se tratar de uma doença de transmissão predominantemente domiciliar, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que mais de 90% dos familiares dos pacientes sejam examinados. Essa medida é essencial para evitar que pessoas já tratadas sejam reinfectadas por membros da família, que permanecem sem diagnóstico.
No entanto, a realidade está longe dessa meta. Temos a seguinte realidade sobre a doença:
Apenas 64% dos familiares são examinados, o que compromete o controle da doença.
Outro problema crítico é o abandono do tratamento que ocorre em12% dos pacientes.
Apenas 74% concluem o tratamento.
Esses índices preocupam devido ao risco de resistência bacteriana aos antibióticos, agravado por dispormos de poucas opções desses medicamentos.
O preconceito como obstáculo
O estigma associado à hanseníase é um fator que dificulta tanto o diagnóstico quanto o tratamento. Muitos pacientes evitam buscar ajuda próxima de suas residências por medo de serem identificados, preferindo locais distantes e, consequentemente, aumentando o risco de abandono do tratamento Portanto, esse preconceito é mais um motivo para investirmos na educação da população sobre a doença.
A necessidade de qualificação das equipes de saúde
A responsabilidade pela busca ativa recai principalmente sobre os agentes comunitários de saúde e enfermeiros. Contudo, esses profissionais frequentemente não recebem treinamento adequado para desempenharem essa função de maneira eficiente.
O médico da Atenção Primária também tem um papel crucial. No entanto, a formação insuficiente começa já no curso de medicina e persiste após a graduação. Faltam programas de capacitação, organizados pelo Ministério da Saúde, secretarias estaduais e municipais, e até mesmo pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).
A solução: Dermatologia Comunitária
Uma medida promissora seria a implantação da subespecialidade de Dermatologia Comunitária pela SBD, já existente em diversos países como Argentina, México e República Dominicana. Esse modelo consiste na presença de médicos residentes de dermatologia e dermatologistas em Unidades Básicas de Saúde, trabalhando em conjunto com as equipes da Atenção Primária. Essa integração contribuiria significativamente para a qualificação destes últimos profissionais, principais responsáveis pelo tratamento e consequente controle efetivo da hanseníase.
A tatuagem é uma prática de modificação estética que existe há mais de 5.000 anos, sendo utilizada para alterar a cor da pele em diferentes regiões do corpo, como olhos, lábios e sobrancelhas.
Ela não apenas permite expressar a individualidade, mas também serve para embelezar e realçar partes específicas, podendo até ajudar a disfarçar certas doenças da pele, como vitiligo, alopecia e cicatrizes cirúrgicas.
Além de seu papel estético, as tatuagens podem ter um impacto importante para pacientes que passaram por procedimentos cirúrgicos. Um exemplo é o uso da tatuagem para recriar a aparência natural da aréola e do mamilo após a reconstrução mamária, trazendo mais confiança e bem-estar para quem passou por uma mastectomia.
No entanto, é importante lembrar que, apesar dos benefícios, a tatuagem pode envolver riscos à saúde.
Procedimentos realizados sem os cuidados adequados podem favorecer a transmissão de doenças infecciosas, além de agravar ou induzir doenças da pele e até afetar outros órgãos.
Quem mais faz tatuagem? Entenda as tendências e os riscos envolvidos
As tatuagens têm se tornado cada vez mais populares entre adolescentes e adultos jovens, mas sua prática está crescendo em todas as faixas etárias.
A popularidade das tatuagens varia em diferentes regiões do mundo: nos Estados Unidos, cerca de 30% da população possui ao menos uma tatuagem. Já na Colômbia, a porcentagem varia significativamente com a idade:
6% das pessoas acima de 35 anos possuem tatuagem.
19% entre 25 e 34 anos.
47% entre 18 e 24 anos.
Apesar da popularidade, é preocupante o número de pessoas que se sentem insatisfeitas com o resultado: aproximadamente 23% dos tatuados relatam arrependimento.
Com o aumento da prática, cresce também a incidência de reações adversas, que, embora não sejam fatais, podem impactar a qualidade de vida, afetando tanto a saúde da pele quanto a autoestima.
Estudos indicam que até 67% das pessoas podem apresentar reações cutâneas adversas após a tatuagem.
Essas reações ocorrem com mais frequência ao usar pigmentos vermelhos, embora a tinta preta seja a mais comumente utilizada.
Como a tatuagem pode gerar efeitos colaterais?
A aplicação de tatuagens pode trazer riscos à saúde, especialmente quando há uso de metais inorgânicos ou pigmentos vegetais misturados com cinza de cigarro, prática mais comum entre tatuadores inexperientes.
Muitas das substâncias presentes nas tintas de tatuagem permanentes têm características tóxicas e, em alguns casos, podem ser mutagênicas ou até cancerígenas.
Essas reações adversas podem ocorrer logo após a aplicação da tatuagem ou, em alguns casos, anos depois.
Isso se deve ao processo de penetração das agulhas na derme, camada localizada logo abaixo da epiderme, em uma profundidade de 1 a 3 milímetros. É nessa camada que as tintas e pigmentos se depositam de forma permanente.
Esses materiais, por serem estranhos ao organismo, podem desencadear respostas imunológicas, causando inflamações, alergias ou outras reações adversas.
Quais são as complicações da tatuagem?
Logo após fazer uma tatuagem, é comum observar inchaço na pele durante as primeiras duas horas. Em cerca de um terço dos casos, esse inchaço pode durar de duas a três semanas e pode vir acompanhado de coceira e leve alteração na cor da pele.
Foto 1: Após aplicação da tatuagem, a pele se tornou avermelhada e com coceira
Complicações inflamatórias
O inchaço (edema) transitório está sempre presente, acompanhado ou não de coceira como consequência do trauma, provocado pelas agulhas. Desaparece entre 2 e 3 semanas.
Reações alérgicas à tatuagem geralmente se manifestam como eczema de contato (inflamação na pele), através de vesículas (bolhinhas) e bolhas (foto 2).
Foto 2: surgimento de alergia ao material da tatuagem, manifestado pelo aparecimento de vesículas e bolhas na tatuagem, associado a coceira (prurido)
Em alguns casos, a luz solar transforma as substâncias presentes na tinta em alérgenos, gerando a dermatite fotoalérgica, sendo o pigmento vermelho, que contém mercúrio, o principal responsável.
Agravamento de Doenças Cutâneas
Pessoas com condições de pele como vitiligo, granuloma anular, líquen plano, lúpus eritematoso, líquen escleroso, pioderma gangrenoso e esclerodermia (morfeia), podem ver essas doenças agravadas após a tatuagem.
Um achado comum a essas doenças citadas acima é o fenômeno isomórfico de Koebner, que consiste no surgimento de novas lesões, induzidas pelo trauma, comum após a realização da tatuagem.
Um exemplo comum desse fenômeno é o surgimento de feridas nos locais da tatuagem, especialmente nos membros inferiores, como manifestação do pioderma gangrenoso
Por isso, recomenda-se que pessoas com doenças de pele evitem realizar tatuagem ou, sejam avaliados, previamente, por um dermatologista.
Sarcoidose e Respostas Autoimunes
A sarcoidose é outra complicação que pode ocorrer devido à exposição prolongada do material estranho ao sistema imunológico, gerando mecanismo de autoimunidade, especialmente em pessoas geneticamente predispostas.
Essa reação, que pode demorar anos para se manifestar, é caracterizada pelo surgimento de pápulas e nódulos (caroços), geralmente nas bordas da tatuagem, correspondente aos locais com maior concentração do pigmento.
Em casos graves, a sarcoidose pode afetar outros órgãos, como os pulmões.
Pacientes tratados com Interferon devem evitar tatuagens, pois o medicamento aumenta o risco de sarcoidose.
Outras Doenças Relacionadas à Tatuagem
Certas doenças, como líquen plano, linfomas, pseudolinfomas e papulose linfomatóide, podem surgir na área tatuada. Essas condições são raras, mas é importante estar ciente dos riscos associados.
Complicações infecciosas da tatuagem: bactérias, vírus e fungos
As complicações infecciosas de uma tatuagem surgem devido à quebra da barreira cutânea pelas agulhas, facilitando a entrada de microrganismos, especialmente em pessoas com imunidade comprometida, como pacientes com AIDS ou em tratamento com quimioterapia.
O risco de infecção aumenta em ambientes não esterilizados, mas é muito baixo quando o procedimento é realizado por um tatuador profissional que segue rigorosos padrões de higiene.
Infecções Bacterianas
Infecções causadas por bactérias são comuns em procedimentos de tatuagem, especialmente se os frascos de tinta não forem adequadamente selados — até 28% das tintas podem estar mal fechadas e 10% já foram encontradas contaminadas.
Entre os microrganismos mais comuns estão o Staphylococcus aureus, Streptococcus pyogenes, Clostridium difficile e Pseudomonas aeruginosa, responsáveis por condições como impetigo (foto 3), foliculite, furunculose, abscessos, celulite e erisipela.
Foto 3: impetigo, manifestado pela presença de pústula (bolha de pus), induzido pela penetração da bactéria estafilococo, durante a tatuagem
Essas infecções podem surgir em alguns dias ou semanas após a tatuagem, manifestando-se como dor, vermelhidão, inchaço, febre e, às vezes, presença de pus.
A maioria dessas infecções é tratada com os mesmos métodos usados para infecções bacterianas em geral.
Infecções por micobactérias não tuberculosas, como Mycobacterium chelonae, M. abscessum e M. fortuitum, são mais raras, mas podem ocorrer quando a água não destilada é usada para diluir a tinta.
Essas bactérias provocam caroços e lesões que podem evoluir para feridas (úlceras).
Em países como o Brasil, onde a hanseníase é endêmica,ocupando o segundo lugar no mundo, há casos relatados de transmissão do Mycobacterium leprae, causador da hanseníase, através da tatuagem.
Além disso, a bactéria da tuberculose, Mycobacterium tuberculosis, também pode ser transmitida, causando lesões cutâneas e inflamação dos gânglios linfáticos (inguas) próximos.
Infecções Virais
As infecções virais mais associadas à tatuagem incluem HIV, hepatite B e hepatite C, embora o risco seja baixo quando as normas de higiene são seguidas.
O vírus HPV pode ser transmitido e causar verrugas na área tatuada. Recomenda-se evitar a exposição solar logo após a tatuagem, pois o sol pode reduzir a imunidade da pele e aumentar o risco de infecção pelo HPV.
Em particular, o melanoma e o carcinoma basocelular estão ligados ao uso de pigmentos pretos, enquanto o carcinoma espinocelular é mais associado ao pigmento vermelho.
Diversos fatores podem contribuir para a indução de câncer de pele em áreas tatuadas, incluindo:
Substâncias cancerígenas presentes nas tintas de tatuagem, como aminas aromáticas e hidrocarbonetos policíclicos.
O trauma causado pelas agulhas de tatuagem, que rompe a barreira cutânea.
A resposta inflamatória prolongada do organismo a materiais estranhos inseridos na pele.
Exposição solar, que pode intensificar os danos nas áreas tatuadas, por provocar diminuição da imunidade.
O uso de laser para remoção de tatuagens, que pode fragmentar os pigmentos em moléculas menores, potencialmente liberando substâncias cancerígenas.
Aplicar tatuagens sobre sinais escuros (nevos) pode aumentar o risco de transformação desses sinais em melanoma.
Para minimizar esses riscos, é importante escolher locais de aplicação confiáveis, além de evitar tatuagens sobre nevos e áreas de pele já sensibilizadas.
Complicações Cosméticas da Tatuagem
A insatisfação com a aparência final da tatuagem é uma das complicações mais comuns.
Um dos motivos para essa insatisfação é a profundidade inadequada na aplicação do pigmento, que, ao penetrar profundamente e atingir a camada de gordura (tecido subcutâneo), pode migrar de volta para a superfície da pele. Esse movimento da tinta para áreas fora da tatuagem original pode distorcer o desenho e comprometer o formato desejado.
Complicações de Sensibilidade da Pele Causadas pela Tatuagem
A tatuagem pode causar desconfortos como dor e coceira (prurido) devido a possíveis lesões nos nervos da pele durante o processo de aplicação. Esse efeito ocorre especialmente em áreas onde as agulhas penetram mais profundamente, provocando uma reação alérgica e, em alguns casos, uma sensação persistente de prurido que pode durar além do período de cicatrização.
Complicações com Tatuagens Durante o Exame de Ressonância Magnética
Pessoas com tatuagens podem experimentar reações desconfortáveis durante o exame de ressonância magnética, como inflamação, inchaço e uma sensação de queimação na pele tatuada.
Esses efeitos são causados pela presença de metais, como óxido de zinco, nos pigmentos da tatuagem, que podem conduzir corrente elétrica e aquecer a pele durante o procedimento.
Além disso, esses metais podem interferir na qualidade das imagens geradas pelo exame, reduzindo a clareza e dificultando o diagnóstico.
Complicações Induzidas pelo Sol em Tatuagens
A exposição solar pode causar reações em até 20% das pessoas tatuadas, manifestando-se como lesões avermelhadas, inchaço, coceira e dor na área tatuada. Essas reações são mais comuns em tatuagens com pigmentos vermelhos e amarelos, devido à presença de sulfeto de cádmio, um componente sensível à luz solar.
Para evitar essas complicações, é recomendável o uso de protetor solar e evitar a exposição direta ao sol nas primeiras semanas após a tatuagem.
Como Remover uma Tatuagem?
O método mais eficiente e seguro para remover tatuagens é o uso de raios laser, que fragmentam os pigmentos da tinta e permitem que o organismo os elimine ao longo do tempo.
Embora o laser seja a técnica preferida, outras opções incluem cirurgia e dermoabrasão, que removem as camadas da pele onde a tinta está depositada. No entanto, esses métodos alternativos têm maior risco de deixar cicatrizes.
A pseudofoliculite da barba é uma inflamação que ocorre quando os pelos da barba voltam a crescer após o barbear e se reintroduzem na pele, causando os conhecidos pelos encravados.
Essa condição é mais comum em homens com pelos encaracolados, sendo especialmente frequente em pessoas de pele mais escura.
Os sintomas incluem pápulas (pequenos carocinhos endurecidos) e pústulas (bolhas de pus) na área da barba, que podem, em casos mais graves, levar à formação de queloide.
Neste artigo, vamos discutir as causas, manifestações clínicas, prevenção e tratamento da pseudofoliculite da barba.
A pseudofoliculite da barba é uma condição inflamatória que afeta os pelos da barba e a pele ao redor. Ela ocorre quando os pelos, após serem removidos pelo barbear, penetram novamente na pele.
Embora seja mais comum na área da barba, pode ocorrer em outras partes do corpo, com pelos mais grossos e longos, especialmente após a remoção dos mesmos.
A Pseudofoliculite da Barba é Frequente?
A pseudofoliculite da barba é uma inflamação comum entre os homens, principalmente após começarem a se barbear, coincidindo com o surgimento dos pelos na puberdade e predominando na idade adulta, entre os 14 e 25 anos.
Essa condição é significativamente mais comum em homens de pele escura, que geralmente têm pelos encaracolados.
É menos frequente entre pessoas de origem asiática, hispânica e ainda mais rara em pessoas de pele clara.
Nos Estados Unidos, cerca de 5 milhões de homens de pele escura são afetados pela pseudofoliculite da barba.
Entre os homens de pele escura que ingressam no serviço militar dos EUA, a prevalência varia entre 45% e 83%.
As mulheres são menos afetadas do que os homens. Quando ocorrem casos em mulheres, eles geralmente resultam da remoção de pelos faciais com pinça ou, no caso de mulherl⁰ transgênero, do ato de barbear.
Essa condição é comum entre mulheres que apresentam:
Síndrome do Ovário Policístico (SOP): Manifestada por hirsutismo (excesso de pelos), com prevalência semelhante à dos homens, devido à maior frequência de remoção de pelos.
Período Pré-Menopausa: Fase marcada por alterações hormonais.
Menopausa: Fase em que as alterações hormonais continuam a influenciar o crescimento dos pelos.
Quais as Causas da Pseudofoliculite da Barba?
Embora seja mais comum após o barbear, a pseudofoliculite da barba também pode ocorrer devido a outras formas de remoção de pelos, como cera e pinça.
Após o barbear, o crescimento dos pelos pode seguir dois caminhos:
Penetração Extrafolicular:
Depois de barbear, o pelo pode crescer deitado sobre a pele e, em seguida, penetrar na pele alguns milímetros de onde saiu, atingindo uma profundidade de 2 a 3 milímetros (foto 1).
Foto 1: Pseudofoliculite da barba com pelos deitados sobre a pele, gerando pelo encravado devido à penetração na pele entre os folículos pilosos.
Este crescimento errado provoca uma reação inflamatória na pele, como se fosse um corpo estranho. Com o tempo, geralmente entre 3 e 6 semanas, o pelo reaparece na superfície da pele e as lesões desaparecem.
Penetração Transfolicular:
Esticar a pele antes de cortar o pelo faz com que a ponta do pelo retraia para dentro do folículo piloso. Assim, o pelo cresce dentro do folículo, rompendo a bainha que o reveste e invadindo a derme (segunda camada da pele). A natureza encaracolada do pelo favorece essa penetração, pois o pelo não cresce para fora da pele.
Além de esticar a pele antes de barbear, o uso de lâminas de barbear com múltiplas camadas contribui para essa penetração interna.
A predominância da pseudofoliculite da barba em indivíduos de pele escura se deve aos pelos encaracolados. Esses pelos, por serem encurvados, têm maior facilidade de se curvarem logo após surgirem e penetrarem na pele.
A menor frequência de pseudofoliculite no bigode ocorre porque os pelos são menos encaracolados e têm diâmetro menor em comparação com outros pelos da barba.
Quando o pelo atinge 10 milímetros de comprimento, dentro da pele, ele pode atravessar a pápula e se tornar visível na superficie da pele, resultando na regressão espontânea da lesão.
Como se Manifesta a Pseudofoliculite da Barba?
A pseudofoliculite da barba se manifesta através de pápulas (pequenos carocinhos) que medem entre 2 a 5 milímetros.
Em casos complicados por infecção bacteriana, lesões maiores podem surgir.
Inicialmente, essas pápulas são avermelhadas (eritematosas) e, posteriormente, escurecem.
As pápulas aparecem de 1 a 2 dias após o barbear e podem persistir por várias semanas, desaparecendo somente quando o pelo emergIr na superfície da pele.
As pústulas (bolhinhas de pus) podem surgir por duas razões:
Sem infecção bacteriana: Apenas como resultado da inflamação causada pela penetração do pelo.
Com infecção bacteriana: Devido à presença de bactérias na área inflamada.
A extensão da inflamação varia bastante. Em alguns casos, é limitada a poucas lesões, mas pode se espalhar por uma grande área da barba.
Nos homens, as áreas mais frequentemente afetadas são a parte anterior do pescoço, seguida pela mandíbula, bochechas (regiões malares) e o queixo (fotos 2a e 2b).
Fotos 2a e 2b: Pseudofoliculite da barba mostrando pápulas, pústulas e pelos deitados sobre a pele, resultado de pelos encravados, na parte anterior do pescoço.
O bigode e as regiões das costeletas geralmente não são afetados.
Nas mulheres, o queixo é a área mais afetada devido à maior densidade de pelos em casos de hirsutismo.
Além disso, podem surgir pelos encravados no púbis, braços, pernas e axilas.
Sensações de coceira e dor são comuns, 1 a 2 dias após o barbear, seguidas pelo aparecimento de pápulas e pústulas.
Quais as Complicações da Pseudofoliculite da Barba?
A pseudofoliculite da barba pode levar a várias complicações, incluindo:
Mancha escura: Devido à inflamação da pele, pessoas de pele escura são especialmente propensas a desenvolver manchas escuras.
Infecção bacteriana: Os arranhões causados pela coceira, criam portas de entrada para bactérias.
Isso se manifesta pelo aumento da dor. As lesões que se tornam flutuantes à palpação e drenam material purulento.
Queloide: Cicatrizes espessas que se formam devido ao processo de cicatrização anormal.
Diminuição da autoestima e oportunidades de emprego: Especialmente em locais de trabalho que exigem barbear frequente, como nas forças armadas, essa condição pode impactar significativamente a autoestima e as oportunidades profissionais.
Quais as Doenças que Podem Ser Confundidas com a Pseudofoliculite da Barba?
Algumas doenças podem ser confundidas com a pseudofoliculite da barba, incluindo:
Foliculite bacteriana: Manifesta-se com o surgimento abrupto de pústulas e pápulas avermelhadas, ao contrário da pseudofoliculite da barba, que tem evolução longa e apresenta pápulas de consistência endurecida. Na foliculite bacteriana, a cultura bacteriológica é positiva para a presença de estafilococos, enquanto na pseudofoliculite da barba, é negativa.
Foliculite causada por traumatismo: Esta condição se manifesta por uma inflamação transitória do folículo piloso, devido à inflamação gerada pelo ato de barbear. Surgem pápulas avermelhadas e escoriações (arranhões). Diferente da pseudofoliculite da barba, as lesões desaparecem rapidamente ao suspender o ato de barbear.
Tinha da barba: Causada pela infecção por fungo dermatófito (impinge), apresenta pápulas, pústulas e nódulos (caroços maiores).
Distingue-se da pseudofoliculite da barba pela facilidade de remoção dos pelos e é confirmada pelo exame micológico (exame direto e cultura).
Acne queloideana da nuca: É uma condição similar à pseudofoliculite da barba, diferindo apenas pela localização. Ambas as doenças podem coexistir.
A Pseudofoliculite da Barba Pode Ser Prevenida?
Prevenir a pseudofoliculite da barba envolve impedir que os pelos penetrem na pele entre os folículos pilosos, ou seja, evitar que eles se tornem encravados.
Aqui estão algumas medidas preventivas:
Evitar remover os pelos: Deixar de barbear, usar cera ou pinça pode ajudar.
Manter o comprimento do pelo: Durante o barbear, manter o comprimento do pelo não inferior a meio centímetro.
Reduzir a frequência do barbear: Barbear-se 2 a 3 vezes por semana em vez de diariamente, pode reduzir o número de lesões.
Usar creme ou gel lubrificante: Aplicar uma grande quantidade de creme ou gel para deixar os pelos macios pode evitar que se formem pontas afiadas.
Alternativamente, aplicar uma compressa morna por 5 a 10 minutos, antes do ato de barbear.
Lavar a região com movimentos circulares: Usar uma esponja, pano levemente abrasivo ou pincel para barbear diariamente pode ajudar a liberar os pelos encravados.
Não existe consenso sobre o tipo de lâmina de barbear a ser usada. No entanto, recomenda-se o uso de um aparelho elétrico que corte o pelo a uma certa distância da superfície da pele, idealmente, a um mínimo de 1 milímetro.
Evitar:
Esticar a pele antes de barbear.
Cortar o pelo no sentido contrário ao seu crescimento.
Usar lâminas de barbear cegas.
Barbear-se de forma infrequente, o que permite que os pelos atinjam um comprimento que predisponha a encravar.
Puxar os pelos encravados, pois isso pode levar a inflamação do folículo piloso e subsequente penetração do pelo na parede do folículo (crescimento transfolicular).
As lesões desaparecem após 1 a 6 meses, mas as manchas escuras (hiperpigmentação) podem demorar mais para desaparecer.
Após a involução da pseudofoliculite, os pelos podem ser cortados rente à pele.
A Pseudofoliculite da Barba Tem Tratamento?
Sim. A pseudofoliculite da barba tem tratamento. Aqui estão as principais opções:
Remoção de pelos encravados: Os pelos que penetraram na pele podem ser removidos com uma escova de dente ou uma agulha esterilizada.
Se não for possível deixar de se barbear, as seguintes alternativas podem ser consideradas:
Corticosteroides de baixa potência: Em forma de creme, são úteis para controlar a inflamação da pele.
Para inflamações intensas, corticosteroides podem ser injetados nas lesões, especialmente em queloide, a cada 4 a 6 semanas.
Antibióticos tópicos: Indicados para casos com infecção bacteriana. Combinam peróxido de benzoíla com clindamicina ou eritromicina.
Cremes para diminuir a espessura da pele: Cremes com ácido retinoico, ureia e ácido glicólico podem reduzir o risco de pelos encravados.
É necessário uso prolongado para manter o controle.
Peelings: 3 tipos de peelings correspondente ao ácido glicólico, ácido salicílico ou ácido tricloroacético podem reforçar as opções de tratamento acima.
Eflornitina em creme: Retarda o crescimento dos pelos, diminuindo sua densidade e melhorando a pseudofoliculite.
É mais eficaz quando combinada com tratamento a laser.
Antibióticos orais: A eficácia é discutível na ausência de infecção bacteriana.
Tetraciclina e seus derivados, como doxiciclina, podem ser usados por seu efeito anti-inflamatório adicional, com tratamento entre 1 e 3 meses.
Tratamento hormonal: Antiandrógenos são úteis para mulheres com síndrome do ovário policístico, ajudando a diminuir a densidade dos pelos.
Laser: Múltiplas sessões são necessárias para a remoção definitiva dos pelos.
Esta é a melhor opção de tratamento, pois apenas 10 a 20% dos pelos permanecem após o tratamento.
O laser é eficaz apenas sobre os pelos que ainda não se tornaram brancos.
A proteção contra insetos é crucial, especialmente em regiões com alta exposição a esses animais.
No Brasil, onde enfrentamos desafios com saneamento básico e educação sobre prevenção contra insetos, torna-se vital intensificar as medidas protetivas, principalmente durante o verão, época que registra aumento no número desses transmissores de doenças potencialmente letais.
Neste artigo, exploraremos as principais opções de repelentes e outras estratégias eficazes para se proteger contra picada de insetos.
Fique atento aos links internos para mais informações sobre cada tópico mencionado, proporcionando uma compreensão mais aprofundada e medidas práticas de proteção.
A Importância do combate à picada de Insetos
A picada de insetos pode resultar em consequências sérias para a saúde, incluindo:
Doenças por Protozoários e Virus: Insetos são vetores de doenças graves como malária, febre amarela, dengue, chikungunya e zika.
Mortalidade: Estas doenças podem ser fatais e são responsáveis por mais mortes anualmente do que outras causas como violência armada, terrorismo e conflitos armados.
Complicações Cutâneas: As picadas frequentemente causam infecções bacterianas da pele e alergias severas, conhecidas como estrófulo, que são reações alérgicas intensas à picada de insetos.
Mecanismo de Ação dos Repelentes
Você sabia que apenas as fêmeas de certos insetos picam os seres humanos?
Elas fazem isso para obter o sangue necessário na produção de seus ovos.
Intrigantemente, essas fêmeas são capazes de identificar os humanos pelo odor que exalam.
Como os Repelentes Funcionam?
Os repelentes são projetados para confundir esses sensores olfativos dos insetos, reduzindo assim a chance de sermos picados.
Eles operam de duas formas principais:
Agonistas dos Receptores Olfativos: Os repelentes podem se ligar a esses receptores, tornando difícil para o inseto detectar e reconhecer a pele humana.
Antagonistas dos Receptores Olfativos: Eles transformam um aroma que seria atraente para os insetos em algo repulsivo, desencorajando a aproximação deles.
Devido a esses mecanismos de ação distintos, alguns repelentes são eficazes contra certos tipos de insetos, mas não contra outros.
Isso explica por que, às vezes, é necessário usar uma combinação de repelentes para obter proteção efetiva.
Como Utilizar o Repelente Corretamente
Utilizar repelente de forma correta é essencial para garantir a máxima eficácia e segurança.
Aqui estão algumas dicas práticas para a aplicação adequada de repelentes:
Antes de Sair de Casa
Aplicação Geral: Ainda dentro de casa, aplique o repelente em spray formando uma camada fina sobre a pele, evitando excessos.
Áreas de Aplicação: Aplique o produto nas áreas de pele exposta e sobre as roupas, mas nunca por baixo delas.
Aplicação no Rosto
Coloque uma pequena quantidade nas mãos e passe cuidadosamente no rosto, evitando o contato com os olhos e a boca.
Cuidados Pós-Aplicação
Lave as mãos com água e sabão imediatamente após a utilização do repelente para evitar contato acidental com olhos, boca e genitais.
Evite aplicar repelente em feridas ou pele irritada.
Dicas Adicionais
Evite Inalação: Não use sprays em ambientes fechados ou perto de alimentos para evitar a inalação.
Crianças: Não aplique repelente diretamente nas mãos das crianças, pois elas podem tocar nos olhos ou na boca.
Filtro Solar e Repelente: Se necessário, aplique primeiro o filtro solar. Como é necessário reaplicar o filtro solar mais frequentemente do que o repelente, a aplicação simultânea dos 2 produtos pode gerar utilização do repelente além do necessário
Durabilidade: Atividades como nadar, suar, tomar banho, praticar exercícios ou estar na chuva podem reduzir a eficácia do repelente.
As Mulheres Grávidas Podem Usar Repelentes?
É seguro e recomendável que mulheres grávidas usem repelentes, especialmente em áreas onde doenças transmitidas por insetos, como as arboviroses, são comuns.
O uso de repelentes durante a gravidez é crucial para proteger tanto a mãe quanto o feto de infecções como a Zika, que pode causar graves deformidades congênitas.
Recomendações de Repelentes para Gestantes
DEET: Um dos repelentes mais eficazes e seguros para mulheres grávidas. Ele oferece uma proteção robusta contra uma variedade de insetos e é considerado seguro para uso durante toda a gravidez.
Roupas Impregnadas: Além dos repelentes aplicados diretamente na pele, as gestantes podem utilizar roupas tratadas com permetrina. Este é um método adicional de proteção muito eficaz.
Cuidados Especiais Durante a Amamentação
Evite o Mamilo: Ao aplicar repelente, é importante evitar a área do mamilo para prevenir que a substância seja ingerida pelo bebê durante a amamentação.
Quais os Tipos de Repelentes Disponíveis?
A eficácia dos repelentes pode variar significativamente entre as diferentes opções disponíveis no mercado. Basicamente, os repelentes são divididos em duas grandes categorias: naturais e sintéticos.
Em relação aos sintéticos, dispomos dos seguintes tipos:
DEET (N,N-Dietil-m-toluamida)
Icaridina
IR3535 (Etil butilacetilaminopropionato)
Permetrina
Abordaremos mais profundamente cada um deles a seguir.
DEET: O Repelente Mais Eficaz
O DEET é amplamente reconhecido como um dos repelentes mais eficazes do mercado, oferecendo proteção robusta contra mosquitos, moscas e carrapatos.
Esta substância tem um histórico comprovado:
Longa História de Uso: Com mais de 70 anos de aplicação segura.
Amplo Espectro de Proteção: Efetivo contra uma grande variedade de insetos.
Duração Prolongada: Oferece proteção prolongada, que pode ser ainda mais estendida com fórmulas em microcápsulas. Essas cápsulas retardam a evaporação e reduzem a absorção pela pele, permitindo o uso de concentrações menores sem perder eficácia.
Concentrações e Eficiência
Diferentes Concentrações: Disponível em formulações que variam de 5% a 100%.
Eficiência Ideal: A concentração de 30% é considerada um platô de eficiência, mas concentrações mais altas proporcionam maior tempo de proteção.
Proteção por Duração:
15% a 30% de concentração oferecem entre 6 e 12 horas de proteção.
10% de concentração protege por cerca de 2 horas, enquanto 24% estende até 5 horas.
Fatores Redutores: A eficácia do repelente pode ser diminuída por atividades como natação, banho, chuva, sudorese e ao lavar a área aplicada.
Escolhendo a Concentração Correta
Para uso diário e exposição moderada, uma concentração mais baixa, alinhada ao tempo de exposição aos insetos, é geralmente adequada.
Concentrações mais elevadas são recomendadas para:
Intensa Exposição a Insetos: Para exposições prolongadas de mais de 3 a 4 horas.
Ambientes com altas Temperaturas e uomidade: Essas condições podem diminuir a eficácia do repelente, tornando necessárias concentrações mais altas.
Mecanismos de Ação do DEET no Combate aos Insetos
O DEET é um repelente altamente eficaz, que atua de forma específica para impedir que mosquitos e outros insetos piquem os seres humanos. Aqui estão os principais mecanismos pelos quais o DEET oferece proteção:
Perturbação dos Receptores Sensoriais: Localizados nas antenas dos mosquitos, estes receptores são essenciais para que os insetos localizem sua próxima vítima.
O DEET interfere nesses receptores, reduzindo significativamente a capacidade dos mosquitos de detectar a pele humana.
Mascarando o Cheiro da Pele: O DEET atua nos receptores olfatórios dos insetos, comprometendo sua habilidade de sentir o cheiro humano.
Além disso, forma uma barreira de vapor que altera a percepção gustativa e olfativa dos insetos, tornando o ambiente desagradável para eles. Essa combinação de fatores contribui para a aversão dos insetos em se aproximar e picar.
Importante:
Não Letal: É crucial notar que o DEET não mata os insetos; sua função é exclusivamente repelente, impedindo que os insetos se aproximem e piquem os indivíduos tratados.
Efeitos Colaterais do DEET
O DEET é geralmente seguro, quando usado conforme as instruções, mas como qualquer produto químico, pode causar efeitos colaterais em certas circunstâncias.
Aqui estão alguns dos possíveis efeitos colaterais:
Gravidade dos Efeitos: Efeitos colaterais graves são raros e geralmente estão associados à ingestão do DEET ou a uma exposição intensa, especialmente em crianças.
Inflamação e Neurotoxicidade: A absorção excessiva pela pele pode levar à inflamação e, em casos extremos, à neurotoxicidade, caracterizada por sintomas como letargia, confusão, encefalopatia e convulsões.
Danos a Materiais: O DEET pode danificar materiais de vinil, como cadeiras de carro e armações de óculos.
Sensação Desconfortável: Alguns usuários relatam uma sensação oleosa e pegajosa após a aplicação do DEET.
Interação com Filtro Solar: A aplicação simultânea de DEET e filtro solar pode reduzir a eficácia do filtro solar e aumentar a absorção do DEET para o corpo. Recomenda-se aplicá-los em áreas distintas para evitar esses problemas.
Efeitos em Crianças: Efeitos tóxicos no sistema nervoso são mais observados em crianças após exposição maciça, seja por ingestão ou aplicação excessiva na pele. No entanto, esses casos são raros.
Importante
É essencial seguir as instruções de uso do DEET e evitar a exposição excessiva para reduzir o risco de efeitos colaterais.
Se ocorrerem reações adversas, como irritação da pele ou sintomas neurológicos, deve-se procurar assistência médica imediatamente.
Cuidados com o Uso do DEET em Crianças
O uso de DEET em crianças requer precauções especiais para garantir sua segurança e eficácia.
Aqui estão as diretrizes importantes a seguir:
Idade Apropriada: O DEET pode ser aplicado em crianças a partir de 2 meses de idade, conforme algumas recomendações, embora muitos especialistas sugiram esperar até que a criança tenha pelo menos 2 anos.
Concentração Adequada: Para crianças, é recomendável usar repelentes com uma concentração de DEET entre 10% e 30%. Essas concentrações são eficazes e tendem a ser mais seguras para a pele sensível das crianças.
Remoção Após Uso: É importante remover o repelente da pele das crianças assim que não houver mais exposição aos insetos para minimizar o risco de irritação ou absorção excessiva.
Evitar Uso Simultâneo com Filtro Solar: Como mencionado anteriormente, a aplicação simultânea de DEET e filtro solar pode reduzir a eficácia do filtro solar e aumentar a absorção sistêmica do DEET.
Se necessário, aplique-os em momentos ou áreas diferentes.
Precauções Adicionais: Tenha cuidado para evitar a ingestão do repelente e não aplique em excesso na pele das crianças. Altas concentrações aplicadas de forma repetitiva podem levar a efeitos tóxicos no sistema nervoso, embora sejam raros.
Dicas de Aplicação
Aplique o repelente nas mãos dos adultos primeiro e então transfira para a pele da criança, evitando áreas ao redor dos olhos e da boca.
Assegure que as mãos das crianças sejam lavadas após a aplicação para evitar que elas coloquem os dedos na boca ou nos olhos.
Icaridina: Uma Alternativa Eficiente ao DEET
A Icaridina é um repelente eficaz contra uma ampla gama de insetos, incluindo mosquitos, carrapatos, e ácaros, onde este último pode causar trombiculiase.
Além disso, é efetiva contra doenças transmitidas por arbovírus, como zika, dengue e chikungunya, além da malária.
Mecanismo de Ação
Odor Desagradável: Semelhante ao DEET, a Icaridina emite um odor que é desagradável para os insetos, o que o desencoraja à aproximação e à picada.
Concentrações e Efetividade
Disponível em Diversas Concentrações: 7%, 15% e 20%.
Proteção Duradoura: Concentrações entre 10% e 20% oferecem de 6 a 12 horas de proteção.
Comparação com DEET: Em concentrações de 20%, a Icaridina é tão eficaz quanto o DEET. No entanto, geralmente oferece um tempo de proteção mais curto, exceto quando o DEET está em concentrações abaixo de 30%.
Vantagens em Relação ao DEET
Não Tóxica: A icaridina não apresenta toxicidade, mesmo com uso prolongado, sendo considerada mais segura que o DEET.
Maior Conforto no Uso: É inodora e não deixa a pele pegajosa, pois não tem consistência gordurosa. Além disso, não degrada objetos de plástico nem irrita a pele.
Reaplicação: Recomenda-se a reaplicação da icaridina a cada 3 a 4 horas para manter sua efetividade, especialmente na proteção contra carrapatos.
Proteção Contra Carrapatos
Efetividade Inicial: Tanto a icaridina quanto o DEET são eficazes na primeira hora após a aplicação. No entanto, a eficácia do DEET é superior após esse período.
IR3535 (Etil butilacetilaminopropionato): Eficiência e Segurança em Repelentes
O IR3535 é conhecido por sua eficácia no combate a mosquitos e carrapatos, sendo uma opção confiável para repelentes.
Mecanismo de Ação
Receptores de Odor: Assim como o DEET, o IR3535 funciona perturbando os receptores de odor dos insetos, o que dificulta a sua capacidade de localizar humanos.
Efetividade e Aplicação
Variação de Eficácia: Estudos mostram resultados variados em relação à eficácia do IR3535. Enquanto alguns estudos indicam que é menos eficaz que outros repelentes, outros apontam que sua eficácia é comparável à do DEET, necessitando de reaplicações a cada 6 a 8 horas para manter sua efetividade.
Concentrações Disponíveis: O repelente está disponível em concentrações que variam de 7,5% a 20%.
Proteção Prolongada: Na concentração de 20%, o IR3535 oferece proteção completa contra o mosquito Aedes e Culex por 7 a 10 horas.
Duração Longa: Concentrações a partir de 10% são efetivas por várias horas, garantindo uma longa duração de proteção.
Permetrina: Proteção Abrangente Contra Insetos
A permetrina é um repelente de amplo espectro, altamente eficaz na proteção contra uma grande variedade de insetos, sendo especialmente útil em locais de exposição intensa.
Aplicações e Eficácia da permetrina
Impregnação em Tecidos: Frequentemente usada durante a fabricação de roupas, calças e roupa de cama, a permetrina pode permanecer eficaz nos tecidos por até 70 lavagens.
Aplicação em Spray: Também disponível em spray a 0,5%, pode ser aplicada em roupas, sapatos, mosquiteiros e equipamentos de camping. Requer reaplicação após cerca de 5 lavagens.
Uso Seguro da permetrina
Não Aplicar na Pele: Apesar de estar disponível em loção para tratamento de escabiose e pediculose, a permetrina não deve ser aplicada diretamente na pele para repelência de insetos.
Mecanismo de Ação da Permetrina
Impacto no Sistema Nervoso: A permetrina age causando danos ao sistema nervoso dos insetos, paralisando-os. É segura para humanos quando usada conforme indicado.
Comparação com DEET
Proteção Contra Carrapatos: Oferece maior proteção contra carrapatos em comparação ao DEET.
Combinação com DEET: Para proteção ideal, a combinação de permetrina (aplicada em tecidos) e DEET (aplicado na pele) é recomendada, cobrindo uma gama mais ampla de insetos que o DEET sozinho não pode repelir.
Efeitos Adversos da Permetrina
Reações Raras: Embora as reações adversas sejam raras, doses altas podem causar problemas neurológicos como parestesia, tremores, perda de coordenação, ataxia, paralisia e convulsões.
Outros Efeitos: A permetrina também pode causar irritação da pele e dos olhos, além de potenciais efeitos no sistema imunológico e no desenvolvimento fetal.
O segundo grupo de repelentes é representado pelos de origem natural, a partir de óleo de plantas.
Esses produtos naturais são mais seguros (menos efeitos colaterais) do que os sintéticos, referidos anteriormente.
Dispomos dos seguintes tipos:
Óleo de Eucalipto de Limão: Uma Alternativa Natural ao DEET
O Óleo de Eucalipto de Limão é reconhecido por sua eficácia comparável ao DEET, especialmente em concentrações mais baixas, oferecendo uma opção natural eficaz para repelir insetos.
Eficácia e Duração
Proteção Prolongada: Dependendo da agressividade dos mosquitos, este óleo pode oferecer proteção de até 6 horas contra os mais agressivos e até 12 horas para os menos agressivos.
Concentrações Variáveis: Disponível em spray, as concentrações variam de 10% a 40%, permitindo flexibilidade no nível de proteção desejado.
Comparação com Outros Repelentes
Eficácia Contra Carrapatos: Tanto o óleo de eucalipto de limão quanto a icaridina mostram maior eficácia do que o DEET no combate a carrapatos, oferecendo uma alternativa robusta para áreas com alta prevalência desses parasitas.
Precauções
Uso em Crianças: Devido à sua potência, não é recomendado para crianças menores de 3 anos. É importante seguir as diretrizes de segurança para evitar reações adversas em peles sensíveis.
Óleo de Citronela: Uso e Eficácia como Repelente Natural
O Óleo de Citronela é amplamente utilizado como repelente natural, disponível em diversas formas e concentrações para atender a diferentes necessidades de proteção contra insetos.
Formas e Concentrações
Variedade de Aplicações: O óleo pode ser encontrado em concentrações que variam de 0,5% a 20% e é aplicado de várias formas, incluindo óleo puro, velas (que emitem fumaça) e loções.
Eficácia Contra Insetos: É particularmente eficaz contra mosquitos transmissores da malária e de arboviroses, como dengue, zika e chikungunya. No entanto, não é eficaz contra carrapatos, pulgas e maruins.
Efeitos Colaterais
Irritações: Embora geralmente seguro, o óleo de citronela pode causar irritação dos olhos e da pele em algumas pessoas, especialmente se usado em altas concentrações ou aplicado de forma inadequada.
Óleo de Erva de Gato: Segurança e Eficácia em Repelentes Naturais
O Óleo de Erva de Gato é conhecido por sua segurança superior em relação a efeitos colaterais, comparado a repelentes tradicionais como o DEET, além de oferecer proteção eficaz contra mosquitos.
Características e Aplicação
Duração da Proteção: Oferece até 7 horas de proteção contínua contra mosquitos, tornando-o ideal para uso prolongado em ambientes externos.
Formas de Uso: Disponível em spray e loção, com concentrações que variam entre 7% e 15%, o óleo de erva de gato permite uma aplicação flexível de acordo com as necessidades individuais.
Vantagens
Segurança: Comparado ao DEET, o óleo de erva de gato apresenta menos riscos de efeitos colaterais, tornando-o uma opção mais segura, especialmente para pessoas com pele sensível ou alérgica.
Outras Medidas de Proteção Contra Picadas de Insetos
Além do uso de repelentes, existem várias estratégias eficazes para minimizar as chances de ser picado por insetos.
Aqui estão algumas medidas complementares que você pode adotar:
Controle de Água Parada
Evitar Acúmulo de Água: Elimine fontes de água parada ao redor de sua residência, como em pneus velhos, para reduzir os locais de reprodução dos mosquitos.
Povoar Águas Acumuladas: Introduza peixes e bactérias não patogênicas em recipientes com água acumulada para destruir as larvas de mosquitos.
Técnicas Avançadas
Mosquitos Geneticamente Modificados: Utilize mosquitos modificados geneticamente que possuem genes letais para seus descendentes, reduzindo a população de mosquitos.
Barreiras Físicas
Instalação de Telas: Coloque telas em janelas e portas para evitar a entrada de insetos.
Uso de Mosquiteiros: Durante o sono, use mosquiteiros cuidadosamente dispostos para evitar o contato com objetos ao redor da cama, impedindo que os insetos se apoiem e piquem.
Vestuário Apropriado
Roupas Protetoras: Vista roupas que cubram completamente braços e pernas, preferencialmente de cores claras, pois são menos atraentes para os mosquitos. Cubra as extremidades da calça com as meias para proteger os tornozelos, cobrindo a extremidade da calça com as meias.
Cuidados Pessoais
Manutenção das Unhas: Mantenha as unhas cortadas para evitar escoriações causadas pelo ato de coçar, reduzindo assim o risco de cicatrizes e infecções bacterianas, como a erisipela.
Complicações Evitadas pelo Uso de Repelentes
O uso de repelentes não é apenas uma medida de conforto; é crucial para prevenir uma série de complicações dermatológicas e reações alérgicas causadas por picadas de insetos.
Aqui estão algumas das principais complicações que podem ser evitadas:
Problemas de Pele
Coceira (Prurido): o repelente reduz a necessidade de coçar, prevenindo agravamento da pele.
Cicatrizes e Manchas Escuras: Evita marcas permanentes resultantes de picadas frequentes e coceira excessiva.
Estrófulo: Prevenção do surgimento de pápulas (carocinho), inchaços de urticária e coceira intensa em áreas expostas da pele.
Infecções Bacterianas: Reduz o risco de condições como impetigo e erisipela que podem ocorrer quando a pele é frequentemente arranhada.
Dermatite de Contato: Diminui a incidência de dermatite que pode resultar do uso de cremes para tratar a coceira causada por picadas.
Reações Alérgicas
Urticária: Minimiza o aparecimento de urticas (inchaços) que podem durar até 24 horas por lesão, frequentemente acompanhadas de intensa coceira.
Reação Anafilática: Evita situações potencialmente fatais, como o surgimento de inchaços nas vias respiratórias que dificultam a respiração.
No ProntoPele, você será atendido para tratar alergia à picada de inseto no mesmo dia.
Eritema nodoso é uma inflamação da parte mais profunda da pele, correspondente à gordura (tecido celular subcutâneo), pertencendo ao grupo das paniculites.
Manifesta-se como nódulos avermelhados e dolorosos, na parte anterior das pernas.
Geralmente, não é possível identificar sua etiologia, porém, o dermatologista deve investigar as causas.
Neste artigo, vamos relatar as causas dessa doença, além das manifestações clínicas e o tratamento.
O que é o eritema nodoso?
O eritema nodoso é uma inflamação do tecido celular subcutâneo (gordura da pele), correspondente à parte mais profunda da pele, relacionado a uma reação de hipersensibilidade (alérgica) a uma gama variada de doenças, incluindo infecções, sarcoidose, doenças inflamatórias intestinais, medicamentos, doenças autoimunes, gravidez e câncer.
O eritema nodoso é frequente?
É uma doença rara, com incidência de 52 por 1 milhão de pessoas.
As mulheres são 3 a 6 vezes mais afetadas do que os homens, predominando na idade adulta.
Na infância, não existe diferença entre os gêneros.
A segunda e terceira décadas da vida são as mais afetadas.
A incidência varia em diferentes regiões do planeta, relacionada à prevalência das causas da doença em cada localidade.
Eritema nodoso: qual o mecanismo de adoecimento?
O mecanismo não é bem conhecido, porém, considera-se que esteja relacionado ao processo alérgico consequente à exposição a vários antígenos (substâncias alérgicas), formação de complexos imunes e consequente deposito deles nas pequenas veias da gordura da pele.
Existe predisposição hereditária, confirmado por casos na mesma família, porém ainda é discutível essa influência.
As causas da doença não são identificadas entre 37 e 60%.
As causas mais frequentes, em ordem decrescente:
Infecciosa: pela bactéria estreptococo na orofaringe (garganta), é a mais frequente.
Leucemias:Leucemia mieloide aguada é a mais frequente
Carcinomas internos
Gravidez
Como o eritema nodoso se manifesta?
Manifesta-se pelo aparecimento súbito de nódulos, ligeiramente elevados e que, menos frequentemente, podem confluir formando placas avermelhadas.
Localizam-se mais frequentemente na face anterior das pernas, de forma bilateral e simétrica. Menos frequentemente, localizam-se em maléolos (transição entre as pernas e os pés), coxas, braços, nádegas, panturrilhas e rosto.
Medem entre 2 e 5 centímetros.
Fotos 1a 1b: Eritema nodoso, manifestado por nódulos avermelhados na face anterior das pernas
Quando se localizam sobre as articulações, podem gerar inchaço nelas.
As lesões são dolorosas.
Desaparecem entre 3 e 6 semanas, sem deixar cicatriz.
Durante sua involução, as lesões, inicialmente avermelhadas, são substituídas, em poucos dias, por outras de cor violáceas e, finalmente, apresentam coloração amarelo-esverdeada, semelhante a hematomas que são gerados por traumatismo de objeto.
Frequentemente, as lesões são precedidas por:
Dor na barriga
Vômito
Diarreia
Febre entre 38 e 39 graus
Sensação de mal-estar
Fadiga
Dor de cabeça
Tosse
Vômito
Perda de peso
Dor nas articulações (principalmente nos maléolos e joelhos)
Têm duração de uma a três semanas.
Algumas dessas manifestações podem ser sugestivas de doença sistêmica (origem em outro órgão).
Eritema nodoso: quais exames laboratoriais são importantes para o diagnóstico?
Hemograma completo: identifica infecção ou câncer no sangue (leucemia)
Velocidade de hemossedimentação e proteína C reativa: doença e inflamação em outros órgãos
Pesquisa da bactéria estreptococo na orofaringe (garganta)
Titulação de antiestreptolisina O: infecção por estreptococo
Rx de tórax: sarcoidose, tuberculose, linfoma
Qual o tratamento do eritema nodoso?
Medidas de suporte:
Repouso com a elevação das pernas
Compressão das pernas com meia elástica
Medicamentos anti-inflamatório para a dor como a indometacina e o naproxeno
Outros medicamentos anti-inflamatórios:
Iodeto de potássio
Colchicina
Dapsona
Hidroxicloroquina
Tetraciclina, minociclica e eritromicina
Corticosteroide por via oral e injetável dentro da lesão
A miíase é uma infestação da pele, e consequente invasão dos órgãos e tecidos, pelas larvas de moscas dípteros e podendo atingir também os animais.
Qual a frequência da miíase?
Predomina nos países de clima tropical, preferencialmente na população pobre e, nesta, acomete mais as áreas rurais.
Não existe predomínio por gênero, raça ou idade
Como acontece a instalação da miíase?
Em relação aos agentes etiológicos, estes podem ser classificados em 3 tipos quanto à interação com o homem, em ser mais ou menos dependentes dele, para atingir a fase adulta:
Agentes específicos ou parasitas obrigatórios:
Corresponde à miíase furunculóide: A fêmea adulta coloca entre 10 e 50 ovos em outro inseto voador. Este, pica a pele do homem, injetando os ovos do inseto inicial e, após penetrar na pele, geram a lesão semelhante ao furúnculo.
Esse tipo de parasitismo se caracteriza pela necessidade obrigatória do homem, em algum momento, fazer parte do ciclo de vida da mosca.
As moscas responsáveis por esse tipo de parasitismo são a Dermatobia hominis e a Callitroga americana.
Localiza-se na pele não coberta pela roupa, especialmente na cabeça, manifestado por um nódulo (caroço), com aspecto de um furúnculo, medindo entre 1 e 2 centímetros, avermelhado, edemaciado (inchado) e com um orifício.
Foto 1: Miíase furunculóide, onde se observa nódulo avermelhado, consequente a intensa inflamação. Foto cedida pelo dermatologista Samuel Freire, do Atlas Dermatológico.
Observando esse orifício, é possível detectar movimento de líquido, em consequência do deslocamento da larva, tentando respirar pela abertura do nódulo.
Foto 2: Miíase furunculoide, onde se observa a larva chegando à superfície da lesão para respirar. Foto cedida pelo dermatologista Samuel Freire, do Atlas Dermatológico.
Muito menos frequentemente, podem surgir várias lesões, cada uma correspondente à inoculação de uma larva.
A sensação de dor é muito intensa, em ferroada, e pode ser agravada por infecção por bactérias, gerando erisipela ou abscesso.
Agentes semi-específicos:
As larvas da mosca não têm a obrigação de parasitar o homem para atingir a fase adulta.
Podem ser de 2 tipos clínicos:
Miíase secundária:
Os ovos são depositados em lesões abertas consequente a outras doenças, como úlcera de perna, gerando, nestas, a ampliação do seu tamanho.
Foto 3: Miíase secundária: numerosas larvas sobre úlcera. Foto cedida pelo dermatologista Samuel Freire, do Atlas Dermatológico. Foto 4: Miíase secundária, onde se observa a larva removida da úlcera. Foto cedida pelo dermatologista Samuel Freire, do Atlas Dermatológico.
Miíase cavitária:
A mosca deposita os ovos em cavidades naturais do corpo como ouvido, nariz, vagina e olhos.
Podem progredir para destruição de tecidos anexos, inclusive de cartilagem e de osso e, gerar, consequentemente, meningite, mastoidite, sinusite e faringite.
Ao contrário da miíase furunculoide, a miíase provocada por agentes semi-específicos pode gerar grande número de larvas.
As moscas responsáveis por esses tipos de lesões pertencem ao grupo Calliroga macellaria, Lucilia illustris e Cochliomyria hominivorax.
Miíase migrante:
É consequente ao deposito de ovos das moscas na pele e gerando lesões lineares, serpiginosas, além de muita coceira (prurido). Diferencia-se da larva migrans (link interno), pelo fato de os túneis serem de menor diâmetro.
Agentes acidentais:
Acidentalmente, o homem ingere esses parasitos, em consequência da contaminação dos alimentos, gerando a miíase intestinal.
Qual o tratamento da miíase?
A miíase furunculóide é tratada com asfixia da larva, através da oclusão do orifício com éter e esparadrapo, durante 24 horas. Após esse período, a larva, já morta, gera facilidade da sua remoção, que pode ser realizada com pinça, após apertar a pele (foto 5).
Foto 5: Mííase Furunculóide, onde se observa a eliminação da larva, morta em consequência da asfixia, decorrente da oclusão da abertura do nódulo. Foto cedida pelo dermatologista Samuel Freire, do Atlas Dermatológico.
As variedades secundárias e cavitarias, podem ser tratadas com a colocação de éter ou com a ingestão de ivermectina. e posterior remoção das larvas, bastante trabalhosa, devido ao seu grande número.