Foliculite Decalvante: causas, sintomas e tratamento para alopecia cicatricial
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A foliculite decalvante é uma doença rara, que causa perda definitiva de cabelo no couro cabeludo, caracterizada pela substituição dos folículos pilosos por tecido cicatricial. Essa condição leva à alopecia cicatricial, resultando em áreas calvas permanentes.
Embora a causa exata da foliculite decalvante permaneça desconhecida, observa-se uma área central de cicatriz com pústulas (bolinhas de pus) na periferia das lesões.
Os pacientes frequentemente relatam sintomas como coceira intensa (prurido) e dor no local afetado.
Neste artigo, exploramos as possíveis causas da foliculite decalvante, como reconhecer os sinais precoces da doença e as opções de tratamento para alopecia cicatricial, com ênfase na intervenção precoce para minimizar a progressão da queda de cabelo.
Epidemiologia da Foliculite Decalvante
A foliculite decalvante é considerada rara, representando cerca de 3% dos casos de alopecia em geral e 11% das alopecias cicatriciais (que envolvem perda definitiva de cabelo).
Ela predomina em adultos de meia-idade e é mais comum em homens, com uma proporção que pode chegar a seis homens para cada mulher afetada.
Importante destacar que a doença não afeta crianças.
Causas da Foliculite Decalvante: O que Sabemos?
A causa exata da foliculite decalvante permanece desconhecida, mas estudos apontam que ela não se trata apenas de uma infecção bacteriana simples.
Embora a bactéria Staphylococcus aureus seja frequentemente identificada em culturas bacteriológicas das lesões, a doença vai além de uma infecção localizada no folículo piloso.
A teoria mais aceita sugere que o Staphylococcus aureus atua como um superantígeno, desencadeando uma resposta inflamatória exagerada do sistema imunológico.
Nesse processo, a bactéria estimula os linfócitos T a liberar linfocinas, substâncias que intensificam a inflamação.
Essa reação imunológica desregulada leva à destruição definitiva dos folículos pilosos, em um mecanismo semelhante a uma “autodestruição” do tecido capilar.
Há também evidências de uma possível predisposição hereditária, sugerindo que fatores genéticos podem influenciar o desenvolvimento da doença.
Como a Foliculite Decalvante se Manifesta? Sintomas e Características
A foliculite decalvante pode afetar qualquer região do couro cabeludo, sendo mais comum na área do vértice (topo da cabeça) e, em alguns casos, atingir múltiplas regiões (foto 1).
É raro que a doença comprometa o rosto ou a nuca.
Principais Sinais e Sintomas
- Alopecia cicatricial: A manifestação principal é uma área lisa de cicatriz no couro cabeludo, com perda definitiva dos fios de cabelo, marcada pela ausência dos orifícios foliculares (foto1)

- Expansão gradual: A placa de alopecia se expande lentamente, com sinais de atividade da doença na periferia, como:
- Pústulas: Pequenas “bolhinhas de pus” centradas por fios de cabelo (foto 2)

- Pápulas: Pequenos “carocinhos” inflamados.
- Politriquia: Em cerca de 90% dos casos, observa-se a saída de múltiplos fios (de 4 a 20) pelo mesmo orifício folicular, frequentemente acompanhada por escamas ao redor dos fios (foto 3).

- Túneis subcutâneos: Podem surgir túneis com pus abaixo da pele, detectáveis pela sensação de flutuação ao toque na área afetada.
- Secreção: Eliminação de pus ou sangue pode ocorrer nas áreas inflamadas.
- Coceira e dor: A presença de pústulas, juntamente com prurido (coceira) e dor, indica atividade da doença e a necessidade urgente de tratamento.
Prognóstico e Evolução
O início da foliculite decalvante antes dos 25 anos, além da presença das manifestações citadas acima, estão associados a um prognóstico mais grave e com maior severidade da doença.
A evolução é crônica, com tendência a recidivas frequentes, e a perda de cabelo é irreversível, pois os folículos destruídos não se regeneram.
Em estágios avançados, a área afetada pode apresentar apenas alopecia definitiva, com vermelhidão (eritema) ou escamas ao redor dos fios remanescentes.
Exames de Laboratório para Foliculite Decalvante: O que é necessário?
Para auxiliar no diagnóstico e manejo da foliculite decalvante, alguns exames laboratoriais e procedimentos podem ser indicados.
Embora a doença não seja exclusivamente uma infecção bacteriana, os exames ajudam a identificar fatores contribuintes e a diferenciar a condição de outras doenças do couro cabeludo.
Exames Recomendados
- Cultura bacteriológica e antibiograma: Esse exame é fundamental para identificar a presença de Staphylococcus aureus no couro cabeludo e determinar o antibiótico mais eficaz para o tratamento.
Apesar de a bactéria estar frequentemente presente, a inflamação na foliculite decalvante é influenciada por outros fatores imunológicos.
- Cultura bacteriológica da mucosa nasal: Este exame é importante para detectar reservatórios de Staphylococcus aureus na mucosa nasal, que podem atuar como fonte de reinfecção ou perpetuação da doença.
- Biópsia com exame histopatológico: A biópsia do couro cabeludo pode ser realizada para excluir outras condições que causam alopecia cicatricial, como lúpus eritematoso discoide ou líquen plano pilar.
No entanto, ela não é utilizada de rotina para confirmar o diagnóstico da foliculite decalvante.
Como Tratar a Foliculite Decalvante? Opções e Objetivos
Objetivos do Tratamento:
- Controlar a coceira (prurido) e a dor no couro cabeludo.
- Reduzir a inflamação dos folículos pilosos.
- Prevenir a perda adicional de cabelo, com foco em intervenção precoce.
Opções de Tratamento:
- Antibióticos orais:
- Tetraciclinas: Medicamentos como doxiciclina e minociclina são frequentemente prescritos por meses devido à sua ação contra o Staphylococcus aureus e propriedades anti-inflamatórias.
- Azitromicina: Menos utilizada, é indicada em casos de intolerância ou resistência às tetraciclinas.
- Corticosteroides:
- Podem ser aplicados em forma de gel, injetáveis diretamente nas lesões ou administrados por via oral, para aliviar a coceira, a dor e a inflamação.
- Cremes com antibióticos:
- Cremes contendo clindamicina ou ácido fusídico são úteis em casos com inflamação leve, ajudando a controlar infecções localizadas.
- Tratamento para casos graves ou resistentes:
- Rifampicina associada à clindamicina: Este é o esquema mais eficaz para casos graves ou resistentes, reduzindo o risco de resistência bacteriana. Geralmente, são recomendados 2 a 3 ciclos de tratamento para prolongar os períodos sem atividade da doença.
- Isotretinoína oral: Amplamente usada no tratamento da acne, pode ser uma opção para casos refratários de foliculite decalvante, ajudando a reduzir a inflamação crônica.