Cisto epidermóide: o que é e quais são os sintomas?

O cisto epidermóide, também conhecido por cisto epidérmico, cisto de inclusão epidérmica, ou indevidamente por cisto sebáceo, é um pequeno nódulo benigno da pele.

Esse é o tipo de cisto mais comum na pele e é muito frequente nos adultos e raro nas crianças.

Não há preferência por sexo, podendo se manifestar igualmente em homens e mulheres.

Continue lendo o nosso post e tire todas suas dúvidas sobre o cisto epidermóide.

Qual é a causa do cisto epidermóide?

A parede do cisto epidermóide, popularmente conhecido como cisto sebáceo, tem a mesma composição da pele. É originado do infundíbulo folicular, uma parte do pelo.

A cavidade do cisto é preenchida por camadas laminares de queratina.

O cisto epidermóide pode surgir na derme,camada intermediária da pele, de forma espontânea, por oclusão do folículo pilosebáceo (pelo), manifestada por um comedão (cravo) e também como consequência da implantação do epitélio folicular na derme devido a um trauma ou a partir de células desprendidas ao longo das fendas embrionárias.

Há chances de haver rompimento, gerando inflamação no tecido ao redor do cisto.

Manifestações clínicas do cisto epidermóide

Manifesta-se por um nódulo (caroço) ou cisto da cor da pele que se move livremente à palpação, frequentemente, com um ponto escuro central, semelhante a um cravo, correspondente ao orifício do folículo pilossebáceo obstruído.

Cisto epidermóide nas costas

Apertar o cisto pode resultar na eliminação de um material de mau odor (rançoso) e na inflamação e  esta, em consequência da eliminação desse material no tecido ao redor.

Pode ser único ou múltiplo. À palpação profunda da pele, existe uma sensação de serem móveis (de se deslocarem).

O cisto epidermóide (cisto sebáceo) inicialmente mede poucos milímetros e pode atingir, lentamente, alguns centímetros, geralmente entre 1 e 5.

São de coloração da pele normal e esbranquiçados ou amarelados quando localizados mais superficialmente.

Cisto epidermóide superficial

Quando há complicação com inflamação ou infecção, o cisto aumenta rapidamente de tamanho e a pele se torna avermelhada e dolorosa,

Cisto epidermóide infectado

geralmente, em consequência do hábito de apertar o cisto.

Localiza-se mais frequentemente no rosto, pescoço (atrás da orelha) e parte superior do tronco.

O cisto epidermóide pode ser confundido ou diagnosticado como:

  • Lipoma
  • Cisto pilar, quando ocorre no couro cabeludo
  • Abscesso
  • Pilomatricoma

Tratamento do cisto epidermóide

O tratamento do cisto epidermóide depende do seu tamanho e se há, ou não, inflamação. Ele deve ser feito por um médico especializado na área, como um dermatologista.

Para um cisto medindo até um centímetro, deve ser feita incisão, após anestesia local, seguida de forte expressão para eliminar a cápsula do cisto. Se não for eliminada a cápsula, é indicado realizar a curetagem e cauterização com bisturi elétrico.

A remoção de todo o cisto é o melhor tratamento para as lesões de maior tamanho, desde que esteja sem inflamação e sem infecção bacteriana.

Nos casos com inflamação, é indicada a injeção de acetonido de triancinolona (medicamento importado). Se surgir infecção bacteriana, deve ser prescrito antibiótico por via oral e drenado, quando houver complicação  de abscesso.

Ao notar o crescimento de um cisto epidermóide, deve-se procurar um dermatologista de confiança para iniciar o tratamento. Fale conosco e marque sua consulta no ProntoPele.

Alopecia de tração: conheça essa doença que causa perda de cabelo

A alopecia de tração é uma forma de perda de cabelo resultante de tensão prolongada ou repetitiva do cabelo e que acomete o limite anterior e lateral do couro cabeludo.

Ela é mais frequente em crianças e mulheres negras, porém pode ocorrer em qualquer população.

Está relacionada a penteados com tração, principalmente em “rabo de cavalo” apertados, tranças ou penteados em coque (bailarinas). Outras formas de ação física, como alisamento com escova ou pente quente também predispõem à alopecia de tração

Continue lendo e saiba mais sobre essa doença.

O que causa a alopecia de tração?

O penteado é o agressor direto, porém a fragilidade natural dos cabelos crespos e a associação de alisamento químico aumentam a possibilidade de desenvolver a alopecia de tração.

A tração e o dano físico ao eixo do cabelo levam inicialmente a alterações no ciclo de crescimento do cabelo. No início, o trauma da tração provoca uma inflamação ao redor do folículo piloso.

Como resultado dessa inflamação, os folículos pilosos podem tornar-se miniaturizados (cabelos mais finos, semelhante ao pelo velo) e consequente redução da densidade capilar.

A manutenção do fator agressor de forma crônica provoca a destruição progressiva dos folículos terminais tracionados. Se for suspensa a tração, é possível a recuperação do cabelo, porém se a agressão for mantida, a alopecia se torna irreversível.

Manifestações clínicas da alopecia de tração

Inicialmente, surge foliculite de tração e que se manifesta pelo surgimento de pápulas (carocinho), pústulas (bolhinhas de pus) e vermelhidão ao redor dos pelos, ainda sem perda de cabelo ou com alopecia discreta.Essa inflamação denuncia inflamação inicial ao pelo.

Com a persistência da tração, ocorre perda perceptível do cabelo, com diminuição da sua densidade até a alopecia completa da região afetada do couro cabeludo

A localização mais comum da alopecia de tração é na parte frontal e lateral do couro cabeludo e que corresponde à tensão mais comum no cabelo.

Alopécia de tração lateral. Foto autorizada pelo Dr. Samuel Freire do Atlas Dermatológico.
Alopécia de tração frontal. Foto autorizada pelo Dr. Samuel Freire do Atlas Dermatológico.

Se a tração persistir, a alopecia será irreversível.

O sinal da franja é definido como pelos terminais (pelos longos) anterior à área de alopecia, a qual é constituída por pelos residuais finos ou miniaturizados.

No entanto, a queda de cabelo na parte de trás também pode ser vista em mulheres que costumam usar coque apertado.

A queda de cabelo também pode acontecer consequente à colocação de tranças de cabelo, como o mega hair.

Tratamento da alopecia de tração

A parte mais importante do tratamento da alopecia de tração é interromper precocemente a tensão dos cabelos, alertando os pacientes para evitar esse trauma que cause dor. Se necessário, deve ser feito com pouca frequência e por curtos períodos.

Para o tratamento, deve-se consultar um médico especializado que recomendará o melhor método baseado na quantidade de perda de cabelo e seriedade do caso.

Na fase inicial, é recomendado a aplicação de minoxidil a 5% em solução, uma ou duas vezes ao dia e que provoca alongamento no período de crescimento (anágeno) do folículo piloso e encurtamento na fase de repouso (telógeno).O veículo em espuma é comercializado em outros países. Também pode ser aplicado na concentração de 2%

Assim, induz a conversão de cabelos miniaturizados em terminais(longos). O tratamento deve ser continuado durante um ano para avaliar com segurança a sua eficácia.

A inflamação da fase precoce é combatida com aplicação de corticosteróides sobre a pele ou intralesional, além de antibióticos, por via oral, que tenham ação anti-inflamatória como a tetraciclina, a minociclina e a doxiciclina.

Os pacientes com perda de cabelo de longa duração são beneficiados com transplante de cabelo ou técnicas de camuflagem como a utilização de cosméticos que possam reduzir a visibilidade da perda, como tatuagem, loções ou sprays.

Se você está perdendo cabelo e desconfia  de ter alopecia de tração, marque sua consulta no ProntoPele para fazer uma avaliação e ser iniciado o tratamento indicado para você.

Saiba mais sobre a acne da mulher adulta

A acne da mulher adulta é caracterizada por lesões características de comedões (cravos) e lesões inflamatórias(espinhas) no rosto, pescoço, ombros e tórax. Essa condição também é frequente a partir dos 25 anos.

No entanto, a acne tem alta incidência na adolescência, o que gera percepção equivocada de  que ela se limita a essa faixa etária. Porém, é muito comum permanecer e, menos comum, surgir a partir dos 25 anos de idade.

Existe um predomínio de 75% dos casos nas mulheres, provavelmente por maior preocupação delas em tratar a acne.

A acne predomina nas mulheres a partir de 16 anos e se mantém em 50% delas entre os 20 e 30 anos. Ainda permanece entre os trinta e quarenta anos em 25% e, em mais de 10%, nas mulheres na década dos 40 anos. Já na sexta década, atinge menos de 5% delas.

Existe uma discreta prevalência de acne da mulher adulta em negras ou de origem hispânica. Continue lendo o post e saiba mais sobre essa condição.

O que causa a acne da mulher adulta?

Os 4 fatores que contribuem na etiologia da acne da mulher adulta são:

Queratinização anormal do folículo pilossebáceo

As células que revestem o pelo têm uma adesão maior entre elas e, consequentemente, há a diminuição da renovação das células no processo de eliminação delas.

Isso contribui para a diminuição do diâmetro do orifício do pelo e consequente dificuldade na eliminação do sebo. Isso gera o aparecimento do comedão (cravo) e que representa a primeira manifestação da acne da mulher adulta.

O sebo é a gordura produzida pela glândula sebácea que está localizada na parte inferior do pelo.

Aumento da produção do sebo

A queratinização folicular anormal associada à maior produção de sebo contribuem para a formação do comedão (cravo).

Bactéria Cutibacterium acnes

A bactéria Cutibacterium acnes coloniza o pelo e é responsável pela geração do quarto fator  seu processo inflamatório em consequência da ruptura do comedão, gerando a pápula (espinha).

Inflamação

A resposta imunológica do organismo contra a bactéria gera inflamação dos cravos com o surgimento da pápula(espinha) e pústula (bolhinha de pus). A  consequente ruptura do pelo elimina bactérias, o sebo e a queratina do seu conteúdo no tecido ao redor, agravando o processo inflamatório

Outros fatores

Os andrógenos,gerados pelo organismo ou de origem externa, contribuem para a formação do comedão Também agem na formação do cravo os seguintes fatores: 

  • O ciclo menstrual
  • O fumo
  • Uso de produtos cosméticos de consistência oleosa

Os hormônios andrógenos estimulam a hipertrofia da glândula sebácea e consequente maior produção do sebo. A influência androgênica é comprovada pela ação de medicamentos que combatem esse hormônio e, consequentemente, melhoram a acne.

Níveis elevados dos andrógenos ocorrem, principalmente, na síndrome do ovário policístico, e menos frequentemente em tumores do ovário e da glândula suprarrenal, origem dos hormônios, normalmente.

A administração de testosterona e esteroides anabolizantes, administrada nas academias de ginástica,  além de anticonceptivos hormonais (pílula) contendo apenas progesterona (pílula sem estrógeno que tem ação anti andrógeno) também contribuem para o agravamento da acne da mulher adulta.

Mesmo em níveis normais, os andrógenos contribuem para o aumento da produção do sebo pela atuação direta na glândula sebácea, seja por maior conversão local de precursores dos andrógenos em andrógenos, seja pela maior sensibilidade da glândula sebácea a esses hormônios.

Também ocorre agravamento da acne da mulher adulta no período pré-menstrual, evidenciado pelo aumento do número de lesões inflamatórias (espinhas).

Essa piora da acne é induzida pela diminuição do orifício (poro) do pelo, gerando acúmulo de sebo, substância que induz o aparecimento dos comedões(cravos) e, a partir destes, as pápulas (espinhas).

Acredita-se também que o fumo induza a maior formação dos comedões em consequência do efeito na diminuição da eliminação das células que revestem o pelo (gera obstrução da eliminação do sebo) por ação da nicotina. Porém, outros estudos não confirmaram isso.

Não existe certeza da contribuição de produtos cosmecêuticos na indução da acne. Mesmo assim, deve-se evitar a aplicação de substância de consistência oleosa no rosto ou no cabelo.

Vale ressaltar que também existe uma predisposição familiar ao desenvolvimento da acne, e também maior tendência nas mulheres com alto nível de estresse e nas que ainda não tiveram filho

Manifestações clínicas da acne da mulher adulta

As manifestações clínicas ocorrem como continuidade da acne na adolescência e apenas 18% surgem pela primeira vez na vida adulta.

A acne da mulher adulta se manifesta por comedões(cravos) que podem ser da cor da pele (comedões fechados)

Acne grau 1 com comedões (cravos) fechados

ou com pontos negros (comedões abertos).

Acne grau 1 com comedão (cravo) aberto

Os comedões fechados se torna mais evidentes se a pele for esticada. Também compõe as manifestações as lesões inflamatórias, representadas por pápulas(espinhas), pústulas (bolhinhas de pus) e nódulos.

Acne grau 2 com pápulas (espinhas) e pústulas

Existem duas apresentações clínicas: uma com comedões em várias regiões do rosto associados a algumas pápulas e pústulas, e outra limitada à parte inferior da face (mento, ao redor da boca e da mandíbula).

Acne da mulher adulta

Esta última localização, apesar da literatura informar que  representa apenas 11% dos casos, na experiência do autor,  essa região é muito frequente em mulheres após a adolescência.

Geralmente a intensidade da acne é leve a moderada na mulher nessa faixa etária. Também há a possibilidade de acne da mulher adulta manifestar-se, além do rosto, também no pescoço, tórax e ombros.

Independentemente de onde for, recomenda-se uma investigação em relação ao hiperandrogenismo, ou seja, elevação do hormônio andrógeno proveniente do ovário ou da glândula suprarrenal e que se manifesta da seguinte forma:

  • Sinais de virilização como hirsutismo (aumento de pelos semelhante ao homem)
  • Queda de cabelo na parte anterior do couro cabeludo (entradas),
  • Crescimento do clitóris
  • Menstruações irregulares
  • Infertilidade
  • Ovário policístico
  • Início abrupto de acne severa
  • Acne grave ou resistência ao tratamento
  • Acantose nigricante
  • Obesidade

A avaliação hormonal deve ser precedida de suspensão do anticonceptivo hormonal(pílula) por 4 a 6 semanas.

Também deve ser investigado o uso de medicamentos que agravam a acne, como:

  • Corticosteróides de uso tópico, ingeridos ou injetáveis
  • Vitaminas B2, B6 e B12
  • Fenitoína
  • Lithium
  • Isoniazida
  • Anticonceptivos contendo apenas progestágenos, ciclosporina, psoralenos e azatioprina

Tratamento da acne da mulher adulta

O tratamento da acne da mulher adulta só pode ser definido por um médico especializado na área , que irá avaliar a causa e traçar o melhor método para cada caso.

Em geral, há a aplicação de medicamentos em toda pele afetada como:

  • Acido retinóide
  • Peróxido de benzoíla
  • Eritromicina
  • Clindamicina
  • Acido azelaico

Geralmente esses medicamentos ,combinados, têm maior efetividade

Por via oral pode-se optar pelo uso da tetraciclina e derivados como a minociclina, limeciclina e doxiciclina além de  sulfa e  azitromicina.Os três primeiros medicamentos são mais eficazes.

Também pode ser recomendado anticonceptivos hormonais contendo estrógeno e progestágeno, ou a isotretinoína, sendo esta última a mais eficaz.

O uso da isotretinoína, também conhecida, comercialmente como Roacutan deve ser acompanhado de cuidadosa utilização de todos métodos  anticonceptivos, além de evitar a exposição solar exagerada(fácil queimadura solar) e uso de bebida alcoólica.

Os efeitos dos medicamentos surgem 8 a 12 semanas após o início do tratamento. Alguns medicamentos, mesmo aplicados na pele, devem ser evitados durante a gravidez, exceto o ácido azelaico, a eritromicina e a clindamicina.

Após o controle da acne da mulher adulta, é muito importante a aplicação de medicamentos contendo ácido retinóico para prevenir a recidiva e combater as manchas escuras residuais, mais frequentes nas mulheres de pele escura.

Agora que você já sabe mais sobre a acne da mulher adulta, que tal nos seguir no Instagram, facebook e youtube para saber mais sobre os principais cuidados com a pele?

O que causa a candidíase e quais são as manifestações?

A candidíase é uma infecção causada pelo fungo do gênero Candida, sendo uma das infecções mais comuns da pele e mucosas.

Ela pode apresentar-se de diferentes maneiras e ter sintomas variados.

Independentemente da manifestação, é preciso fazer um acompanhamento médico para que o tratamento correto seja efetuado.

Continue lendo o nosso post e confira mais informações sobre candidíase!

Qual é a causa da candidíase?

A Candida albicans é a mais frequente entre as 30 espécies de Candida (subtipos) que infectam o ser humano.

Sua distribuição é ampla, tanto no meio ambiente como fazendo parte da biota (flora de microorganismos que habitam a epiderme normal).

É um fungo comensal, ou seja, vive na pele, especialmente nas dobras e nas mucosas das cavidades oral e genital (masculina e feminina) de indivíduos saudáveis, além do intestino.

Porém, é capaz de provocar doença oportunista por modificações no organismo, nas seguintes condições:

  • Desequilíbrio da flora composta por microorganismos encontrados normalmente na pele e mucosas.
  • Agressão à integridade da pele ou mucosas por agentes físicos, como atrito nas dobras da pele. 
  • Queda da imunidade provocada por doenças, como a AIDS e leucemia, ou por uso de medicamentos que deprimem a imunidade.

O desequilíbrio da flora pode estar ligado com o uso de antibióticos, que provoca destruição das bactérias da pele, permitindo a proliferação da cândida.

Em relação à agressão da integridade da pele, ela é mais comum em pessoas obesas ou que usam roupas apertadas, além de traumas provocados pelo uso de dentadura ou do DIU, que permitem a penetração da cândida que está presente na pele e nas mucosas.

No caso de queda de imunidade por medicamentos, ela é comum em transplante de órgãos. Os corticosteroides também podem ter esse efeito, até mesmo através da inalação, para combater asma e rinite.

Apesar da patogenicidade do fungo, ou seja, de sua capacidade de invadir a pele e mucosas e contribuir para a instalação da doença, o mais importante são os fatores relacionados ao hospedeiro, enumerados acima, para a cândida sair da condição de comensal (boa convivência) para se tornar patógeno.

Portanto, em condições normais, a candidíase é de difícil transmissão.

Manifestações clínicas da candidíase

A candidíase pode ter diversas manifestações clínicas. Confira as principais!

Candidíase oral

É frequente nos recém-nascidos, conhecida popularmente como sapinho

Ao nascimento, a microbiota (microorganismos habitantes da pele e das mucosas em estado normal) é estabelecida a partir do canal do parto, objetos em berçários ou amamentação.

O aleitamento materno é um fator de proteção contra a candidíase comprovado pela menor incidência da doença nas crianças amamentadas pela mãe em comparação com as que não foram.

Em adultos, ocorre mais frequentemente em diabéticos, idosos (uso mais frequente de dentaduras) e especialmente nas pessoas com a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), sendo a presença da candidíase nestes últimos um indicador de doença pelo vírus do HIV.

Caracteriza-se pela presença de placas brancas ligeiramente elevadas, que se assemelham à nata de leite ou ao leite coalhado.

Candidíase na boca

A remoção dessas placas pode ser feita pela fricção de uma gaze ou pela raspagem com um abaixador de língua para revelar uma mucosa avermelhada ou com feridas ou erosões.

As lesões podem acometer qualquer parte da cavidade oral, porém são mais frequentes no ângulo da boca (constituindo a queilite angular da candidíase),

Candidíase no canto da boca

mucosa jugal (parte interna das bochechas), e no palato mole (parte posterior do céu da boca).

Candidíase no palato (céu da boca)

A partir desse último, pode se estender ainda mais e chegar à faringe e à laringe.

A localização na faringe é quase exclusiva dos pacientes com a imunidade baixa, como os portadores de HIV, e gera sensação de dor durante a deglutição (disfagia) e também na parte anterior do tórax.

A propagação da infecção para a laringe se manifesta por rouquidão.

O uso de prótese dentária ou chupeta facilita o acúmulo de saliva no palato duro (céu da boca).

Os pacientes podem se queixar de sensação de boca felpuda (algodão na boca), perda do paladar e, em alguns casos, dor durante a mastigação e ao engolir.

Candidíase vaginal

É a forma clínica mais frequente, desencadeada por:

  • estados de alto nível do hormônio estrógeno durante a gravidez e em uso de anticonceptivo hormonal (pílula),
  • uso recente de antibióticos e medicamentos imunossupressores (baixam as defesas),
  • diabetes mellitus,
  • uso de roupas justas e/ou de fibras sintéticas (evitam a transpiração).

As mulheres soropositivas apresentam um número elevado de recorrências e com maior duração, com tendência a maior intensidade à medida que diminui a imunidade em decorrência da AIDS.

Manifesta-se com prurido e sensação de queimação na vulva, disúria (dor durante ato de urinar) ou dispareunia (dor durante ato sexual).

Esses sintomas são mais intensos durante a semana que antecede a menstruação.

No exame ginecológico, observa-se eritema da vulva e da mucosa vaginal, edema na vulva, além de arranhões (escoriações) e secreção de aspecto leitoso e espessa, porém também pode ser discreta ou inexistente

Candidíase no pênis

Conhecida como balanite, quando atinge apenas a glande, ou balanopostite, quando atinge também o prepúcio.

Manifesta-se por eritema (vermelhidão) e por lesões esbranquiçadas e erosões, que podem se disseminar para as coxas, bolsa escrotal, dobras entre nádegas e virilhas.

Os casos com inflamação mais intensa, geralmente estão associados a diabetes descompensada.

Candidíase intertriginosa

Acomete as dobras da pele como as virilhas, entre nádegas, e abaixo dos seios (seios pêndulos em idosas).

Candidíase abaixo da mama

A condição é agravado nos seguintes casos:

  • obesidade,
  • nos meses mais quentes do ano,
  • clima úmido,
  • má higiene,
  • gestação,
  • diabetes.

Caracteriza-se por áreas avermelhadas cobertas por uma camada esbranquiçada, além de fissuras ou feridas de forma linear.

Candidíase sistêmica

É uma forma muito grave devido à disseminação para outros órgãos através da corrente sanguínea.

Os doentes mais propensos a essa disseminação da candidíase são;

  • recém-nascidos,
  • transplantados,
  • portadores de câncer, especialmente os com leucemia,
  • pacientes submetidos à cirurgia abdominal,
  • pacientes em nutrição parenteral (nutrientes pela veia).

A UTI é um local frequente de transmissão dessa forma de candidíase ameaçadora à vida.

O diagnóstico da doença é baseado principalmente por exame dermatológico e raramente é necessária confirmação laboratorial do diagnóstico, que é realizado por exame micológico (exame direto ao microscópio e cultura).

Como é feito o tratamento?

Inicialmente, devem ser investigados os fatores que predispõem à doença.

Existe uma preferência pelos medicamentos de uso tópico, porém nos casos mais intensos devem ser associados tratamentos por via oral e até sistêmica (na veia), este último quando atinge outros órgãos.

Os medicamentos mais eficazes de uso tópico são os derivados imidazólicos, como o clotrimazol, miconazol, oxiconazol e cetoconazol.

Utiliza-se o itraconazol e fluconazol (o melhor) por via oral e nos casos que se disseminam para outros órgãos, é indicado a anfotericina B por via parenteral (na veia).

É importante ressaltar que o método terapêutico ideal deve ser prescrito por um médico. A automedicação pode piorar a situação e causar manifestações mais graves.
Marque sua consulta conosco e garanta o melhor tratamento para sua candidíase!

Vitamina D: essencial para a sua saúde

A vitamina D atua de diferentes formas no nosso corpo e apresenta muitas funções reguladoras.

Infelizmente, é comum que pessoas tenham deficiência dessa substância, principalmente idosos, acamados ou pacientes de doenças crônicas.

Como consequência disso, o corpo metaboliza menos cálcio, podendo ocasionar fraturas e fraquezas nos ossos.

Continue lendo o nosso post e saiba mais sobre esse tema tão interessante! 

O que é vitamina D e qual sua função?

A vitamina D é um pró-hormônio que, associado ao paratormônio (PTH), atua como importante regulador do metabolismo do cálcio.

A síntese na pele é a principal fonte natural dessa vitamina, especificamente, a vitamina D3, contribuindo com 90% do total adquirido pelo organismo.

Alguns alimentos são fonte de natural dela, como o fígado de peixes gordos como salmão, bacalhau, atum, cavala e sardinha, porém representam apenas 10%.

A vitamina D absorvida, seja pela pele ou por alimentos, é convertida no fígado em 25-hidroxivitamina D (calcidiol), a principal forma encontrada no sangue.

Posteriormente, é transformada no rim em 1,25-di-hidroxivitamina D (calcitriol), a forma ativa dessa vitamina.

Esta última é a responsável pela absorção adequada de cálcio pelo intestino e menor eliminação pelo rim, para, assim, prevenir fraturas ósseas pela boa absorção de cálcio pelos ossos.

Por isso, é muito importante a manutenção da concentração dessa vitamina no sangue para evitar a diminuição da absorção de cálcio.

Quando há deficiência de vitamina D?

A vitamina D e seus metabólitos têm papel clínico significativo devido à sua inter-relação com a homeostase do cálcio e o metabolismo ósseo.

Atualmente, Raquitismo (crianças) e osteomalácia (crianças e adultos) devido à grave deficiência dessa substância são incomuns.

Os idosos confinados em ambientes fechadas podem desenvolver deficiência de vitamina D, uma vez que a produção natural diminui com a idade e os idosos ingerem menor quantidade dela.

Também são mais vulneráveis os que vivem nos países do hemisfério norte, principalmente no inverno, por menor exposição solar.

Além disso, há vulnerabilidade por parte de pessoas de pele escura, obesas, gestantes, lactentes, os que tomam remédios que aceleram o metabolismo dessa vitamina, como:

  • anticonvulsivantes,
  • corticosteroides,
  • antirretrovirais,
  • colestiramina,
  • antifúngicos.

Como já falado, os que se expõem pouco ao sol também pode apresentar essa deficiência, que é comum em idosos acamados, pessoas que usam roupas de proteção ou filtro solar constantemente, e  portadores de osteoporose.

Também existem doenças e condições que geram má absorção intestinal, como:

  • doença celíaca,
  • fibrose cística,
  • doença de Crohn
  • cirurgia bariátrica,
  • insuficiência hepática (fígado) e renal.

O que é considerado deficiência de vitamina D?

A suficiência de vitamina D é estimada pela concentração de 25-hidroxivitamina D no sangue e que deve oscilar de forma ideal entre 20 e 40 ng/ml, porém alguns consideram que não deve ser abaixo de 30 ng/ml em idosos, para minimizar o risco de quedas e fraturas.

Exagero na ingestão, implicando em nível no sangue acima de 50 ng/ml, pode gerar, paradoxalmente, fraturas nos ossos, além do risco potencial de induzir câncer, como os de próstata e pâncreas.

Por isso, deve ser realizado a dosagem dessa vitamina, sob supervisão, periodicamente nas pessoas mais suscetíveis, especialmente os idosos.

É recomendado que haja exposição ao sol no rosto e braços durante 5 a 15 minutos, não devendo ser prolongada pelo risco de indução do câncer de pele.

Apesar de representar menor fonte de absorção, a ingestão de alimentos industrializados ricos em cálcio e vitamina D é recomendado.

Os especialistas prescrevem óleo de fígado de bacalhau na dose de 1 colher de chá, 100 gramas de sardinha enlatada, atum (90 gramas) e salmão (100 gramas).

O filtro solar deve conter fator de proteção solar (FPS) de 15, desde que aplicado de forma homogênea.

São indicados filtros solares com maior fator de proteção para compensar a habitual aplicação incompleta, sendo quantidade ideal de 2 mg por centímetro quadrado de pele. 

Isso reduz a síntese de vitamina D em 98%, porém não provoca deficiência da mesma porque, geralmente, o filtro solar não é aplicado de forma ideal.

Os adultos que não se expõem regularmente ao sol devem ingerir 600 a 800 unidades de vitamina D3 (colecalciferol) diariamente.

As pessoas idosas (acima de 70 anos), especialmente as confinadas em ambientes fechados e outros grupos de risco, devem ingerir 800 unidades.

Agora que você já sabe mais sobre vitamina D, que tal continuar lendo e aprender mais sobre teledermatologia?

Saiba mais sobre a alopecia androgenética e como tratá-la

A alopecia é uma condição que afeta tanto o sexo feminino quanto o masculino e ocorre por influência do hormônio andrógeno e por fatores genéticos.

Apesar de ser mais comum nos homens, ela tende a causar um grande efeito emocional nas mulheres, estando ligada diretamente com a baixa autoestima.

Para compreendê-la melhor, é preciso conhecer o que provoca a queda de cabelo, assim como quando ocorrem as manifestações clínicas.

Continue lendo o nosso post e saiba mais sobre a alopecia androgenética!

O que é alopecia androgenética?

A alopecia androgenética é caracterizada pela alteração no ciclo evolutivo do cabelo, em que os pelos terminais, espessos e longos, se transformam em pelos velos, mais finos, curtos e menos pigmentados.

Isso acontece, como o nome já sugere, por influência de hormônio andrógeno e por tendência genética.

No sexo masculino, o processo tem influência hormonal, quando há elevação da dihidrotestosterona, derivada da testosterona, que atua no afinamento do pelo.

A testosterona no sangue permanece em nível normal.

Essa queda de cabelo (alopecia) é a mais frequente em ambos os sexos, afetando cerca de 50% dos homens e 6 a 25% das mulheres ao atingir 50 anos.

E isso torna-se ainda  mais recorrente após os 70 anos, com elas apresentando mais de 40% dos casos, enquanto eles, 80%.

Essa queixa tem aparecido cada vez mais cedo. Sinais precoces de calvície podem ser vistos em mais de 10% dos adolescentes entre 15 e 17 anos.

Nas síndromes hiperandrogênicas (doenças com excesso de andrógenos) no sexo feminino, como ocorre na síndrome dos ovários policísticos, tumores de ovário ou de glândula adrenal e hiperplasia adrenal, a queda de cabelo pode atingir 80%, mesmo nas jovens.

Apesar de a calvície ser mais frequente nos homens, é uma condição socialmente aceita e, portanto, não gera tanta preocupação nem busca por consulta com o dermatologista, na maioria deles.

O mesmo não acontece com as mulheres, já que a alopecia gera baixa autoestima, ansiedade, depressão e consequente busca pelo atendimento dermatológico.

Em relação à etnia, é menos frequente em indivíduos amarelos e negros do que nos brancos.

O que causa a queda de cabelo?

A doença está relacionada a uma desordem do ciclo evolutivo do cabelo associado à miniaturização dos fios terminais. Ou seja, passam a ser mais finos, mais curtos e mais claros. Estes últimos constituem os pelos velos.

A fase de crescimento (anágena) sofre encurtamento do tempo de vida, que normalmente é de 2 a 6 anos e passa a ser de semanas a meses.

Consequentemente, entram mais precocemente na fase final de telógeno, a qual antecede a expulsão do pelo.

Os fios renascem como pelos velos, o que dá uma aparência de calvície por não dar densidade ao cabelo.

Independentemente da etiologia, a alteração folicular em homens e mulheres parece ser a mesma, havendo uma via comum de miniaturização folicular indistinguível entre os sexos.

Os hormônios estão envolvidos na patogênese da alopecia androgenética.

A testosterona, quando está em nível normal no sangue, se transforma, através da enzima 5 alfa-redutase, a nível do pelo, em di-hidrotestoterona.

Este último, portanto, é único hormônio que está aumentado no pelo, no qual atua diretamente, provocando a transformação do pelo terminal em pelos velos.

Isso explica os níveis normais de testosterona no sangue em homens calvos.

Na mulher ainda não está esclarecida essa relação da queda de cabelo com os níveis de testosterona, pois estando em níveis normais, a denominação de alopecia androgenética feminina não é adequada e pode ser substituída pela alopecia de padrão feminino.

Atualmente, existem argumentos suficientes para considerar as alopecias androgenéticas masculina e feminina como entidades clínicas distintas.

Existe uma clara participação da herança, mais evidente no homem, em que a chance é 5 vezes maior naquele cujo pai seja também portador. Na mulher, a influência genética é menor.

Manifestações clínicas da alopecia

A alopecia androgenética masculina inicia-se, frequentemente, durante a puberdade e manifesta-se com perda de cabelo na parte anterior (entradas), parte média e do vértice.

Progride até a perda de cabelo na parte anterior se encontrar com a posterior. Em alguns predomina na parte anterior, enquanto em outros, no vértice.

A velocidade de progressão é lenta, sendo mais extensa quanto mais cedo for o início. Consiste na gradual substituição de fios mais grossos, longos e escuros por pelos velos.

Na mulher, costuma manifestar-se entre vinte e quarenta anos de idade, agravando-se na menopausa.

É caracterizada por um afinamento difuso dos cabelos, poupando, ao contrário do homem, a linha de implantação do cabelo e apresentando diferentes graus de alopecia.

Há uma substituição progressiva de pelos terminais por pelos velos, porém a perda dos primeiros é mais difusa, incompleta, ao contrário dos homens, nos quais essa perda é mais intensa.

Na fase inicial pode haver queda de cabelo, resultando na redução da densidade capilar na parte central do couro cabeludo. Ocorre afinamento difuso ou em “Árvore de Natal” dos fios, com alargamento do repartido central, poupando a linha de implantação frontal.

Alopecia androgenética (queda de cabelo)

Nas ocorrências femininas, é obrigatório a investigação de manifestações de hiperandrogenismo (excesso de hormônio andrógeno), apesar de pouco frequentes, como:

  • acne,
  • irregularidade menstrual,
  • infertilidade,
  • galactorreia (eliminação de leite),
  • hirsutismo (excesso de pelo),
  • seborreia (excesso de gordura na pele),
  • acantose nigricante.

Essas alterações estão associadas a quadros mais exuberantes ou de evolução rápida de alopecia.

Além disso, existe, no sexo feminino, associação com hipertensão arterial, risco aumentado de morte por diabetes ou doença no coração.

No homem, existe também risco aumentado de doenças cardiovasculares, além de câncer de próstata.

O diagnóstico diferencial entre a alopecia de padrão feminino e o eflúvio telógeno nem sempre é fácil, no último, a queda é difusa, ou seja, não se limita à parte frontal e vértice da cabeça, mesmo sendo mais intensa na região temporal.

Geralmente, o início da perda de cabelo é mais intenso, permitindo ao paciente colher grande quantidade de fios para mostrar ao dermatologista, enquanto na alopecia androgenética feminina o processo é contínuo e discreto.

Na alopecia é possível observar a maior densidade capilar na região occipital do que na parte superior da cabeça.

No dermatoscópio, instrumento que permite o exame do cabelo de forma detalhada, podem ser visualizados os pelos velos, que são mais evidentes na região do vértice no homem e frontal na mulher do que a occipital, não afetado pela alopecia em ambos os sexos.

Assim, pode ser comparada a relação entre pelos terminais e pelos velos, fundamental para  avaliar a intensidade da queda de cabelo. É de se esperar uma diminuição dessa relação com a progressão do quadro.

Como é o tratamento da alopecia?

O tratamento no homem consiste na associação de minoxidil e finasterida e o transplante de cabelo.

O remédio é aplicado diretamente no couro cabeludo, na concentração de 5%, duas vezes ao dia, durante toda vida, no homem e 1 vez ao dia na mulher.

Pode aumentar a queda de cabelo no início do tratamento por eliminar aqueles pelos já iriam cair independente do tratamento (fase do eflúvio).

Deve ser administrado sempre com cabelo seco para manter a concentração. Não deve lavar o cabelo por até 4 horas após a aplicação para garantir a absorção do medicamento.

Nunca dormir antes de 2 horas após a aplicação, para evitar que a solução atinja o rosto, pois pode nascer cabelo no local.

O início da melhora da queda capilar ocorre a partir de 4 a 8 meses e estabiliza entre 12 e 16 semanas. Portanto, a avaliação em relação à eficácia deve ser feita, em média, após 1 ano.

Os pacientes que têm melhor prognóstico de recuperação são os que têm menos de 10 centímetros de diâmetro de alopecia, menos de 10 anos de evolução e menos de 40 anos.

A finasterida é usada na dose de 1 mg ao dia no homem e evitado na mulher durante a gravidez pelo risco de deformidade genital no bebê do sexo masculino, além de menor efetividade

Existe o risco de 1,5% de impotência sexual, diminuição libido e retardo na ejaculação, porém são efeitos colaterais reversíveis, uma vez suspenso a medicação.

O implante de cabelo, indicado nos casos avançados, oferece tratamento definitivo desde que a queda de cabelo tenha cessado e que tenha área doadora suficiente na região occipital (parte posterior do cabelo).

Os tratamentos mais modernos oferecem excelentes resultados do ponto de vista da quantidade de fios implantados (densidade do cabelo), além da aparência natural indistinguível dos pelos originais.

Antes de iniciar qualquer tratamento, é fundamental visitar um médico especializado na área. A automedicação pode ter sérias consequências para a saúde e trazer efeitos contrários aos desejados.

Agora que você já sabe mais sobre a alopecia androgenética, que tal continuar a leitura e saber como se proteger do sol de maneira eficaz?

Teledermatologia: como funcionam as consultas?

A teledermatologia faz referência ao uso de tecnologias de comunicação para a transmissão à distância de informações relacionadas à saúde.

Houve um aumento explosivo de publicações de artigos científicos sobre a telemedicina nas últimas décadas, apesar dessa atividade ter sido iniciada há 50 anos.

Seu uso vem sendo descrito em mais de 20 especialidades médicas, especialmente naquelas em que a interpretação de imagens representa a arma principal na formulação do diagnóstico.

Continue lendo o nosso post e saiba mais sobre a teledermatologia!

Quais são as vantagens da teledermatologia?

A utilização desse recurso pode oferecer uma série de potenciais vantagens, principalmente em situações como as observadas no Brasil.

Vivemos em um país de dimensões continentais e com distribuição de profissionais especialistas, por exemplo, os dermatologistas, concentrada em grandes centros urbanos, atraídos por mercados de trabalho com maior poder aquisitivo, como o Sudeste e Sul do Brasil.

Esse fato dificulta o acesso à consulta dermatológica de populações distantes e/ou de difícil acesso às cidades de maior porte, especialmente na Região Amazônica.

Isso também ocorre, em outras proporções, nas grandes cidades pela difícil mobilidade consequente de transportes públicos de má qualidade e, no momento atual, pela pandemia do Coronavírus.

De modo geral, há uma escassez de dermatologistas não apenas no Brasil, mas em muitos outros países.

Essa é uma especialidade com significativo componente visual, sendo um campo particularmente favorável ao uso da telemedicina, através da teledermatologia.

A evolução da teledermatologia

Essa atividade foi iniciada em 1995 no estado de Oregon, nos Estados Unidos, para atender 3 comunidades de baixo poder aquisitivo.

Houve um rápido crescimento na última década e os serviços de teledermatologia estão sendo cada vez mais usados para apoiar o atendimento ao paciente em uma variedade de ambientes.

Tem o potencial de aumentar o acesso aos cuidados dermatológicos de alta qualidade, mantendo a eficácia clínica e a relação custo-benefício devido à boa visibilidade das imagens, na grande maioria das doenças da pele.

A teledermatologia tem 3 funções muito importantes: assistencial de consultas, educativa e de pesquisa.

Como é feita uma consulta através da teledermatologia?

Essa nova forma de atendimento vem sendo estudada como forma de assistência médica a distância através de dois tipos principais.

Modalidade de armazenamento e envio

Na modalidade de armazenamento e envio, o paciente realiza fotografias, preferencialmente através do aparelho celular, já que a qualidade das fotos se aproximou das câmaras fotográficas tradicionais, porém oferece grande facilidade e maior mobilidade.

Deve realizar 3 fotos, de grande distância englobando toda pele afetada, de média distância e de aproximação para as lesões serem bem visualizadas, sempre com boa iluminação e aparelho celular, preferencialmente, de ótima qualidade.

É muito importante que sejam guardadas as fotos, para possibilitar a comparação com outras após o tratamento, sempre procurando repetir as mesmas posições e, assim, garantir maior segurança quanto ao êxito do tratamento.

Estudos mostram, respeitado os cuidados enumerados acima, que poderemos ter uma coincidência de diagnóstico entre o presencial e a distância de até 90%.

Essa modalidade de teledermatologia oferece a vantagem da melhor qualidade das imagens, que são enviadas com as informações referentes à solicitação da consulta a distância e ficam armazenadas em um banco de dados, podendo ser acessadas após um intervalo de tempo.

Portanto, a comunicação ocorre de forma assincrônica, ou seja, não é simultânea.

Modalidade de teleconferência

A segunda forma de realizar o atendimento é através da teleconferência envolvendo diretamente o dermatologista e o paciente, ou também participando o médico consultor (médico da Atenção Primária), com horário combinado entre as partes, através do celular do paciente ou médico consultor e o computador do especialista.

Essa modalidade, ao contrário da primeira, oferece maior interação entre o dermatologista e o paciente, de forma simultânea, para o melhor esclarecimento do histórico clínico.

Além disso, ela possibilita a visualização de outras regiões do corpo não vistas nas fotos iniciais, se forem necessárias ao dermatologista.

Também na teleconferência, o dermatologista conversará com o paciente sobre a doença e o tratamento que será instituído.

Em seguida, através da plataforma, será encaminhada a receita, inclusive a especial (controlada), através da assinatura digital, para o e-mail do paciente com todos os cuidados do sigilo médico.

Modalidade híbrida

A consulta ideal é a combinação das duas formas de atendimento, conhecida como híbrida, que reúne as vantagens de ambas as modalidades, atualmente muito mais simples e mais acessível com a melhoria da qualidade do telefone móvel, também adotada pelo ProntoPele.

Esse tipo de atendimento da teledermatologia também é muito importante no acompanhamento das doenças crônicas da pele, como psoríase e úlcera de perna, uma vez tendo sido realizado a consulta inicial, presencial.

É especialmente indicada para os idosos, que geralmente têm dificuldade de locomoção, aos internados em hospitais e residentes em abrigos, além de presidiários.

A teleconsulta jamais substituirá a consulta presencial, a forma ideal, sendo um modelo diferente no qual é oferecido maior acessibilidade ao dermatologista (difícil mobilidade nas grandes cidades, situações de calamidade pública e grandes distâncias percorridas no Brasil), tão importante para um melhor prognóstico por permitir o início de tratamento o mais precocemente possível, importante, por exemplo, no câncer de pele, sem perder a eficiência.

Existe uma grande economia de tempo pelo paciente tanto no deslocamento como na espera no consultório, o que gera menor custo para ele.

A satisfação tanto do paciente quanto dos médicos generalistas, especialistas de outras áreas e dermatologistas envolvidos com a teledermatologia tem sido muito grande em relação à precisão do diagnóstico.

A ação educativa é dirigida à população e também aos membros das Equipes de Saúde do Programa de Saúde da Família (PSF), entre dermatologistas e entre dermatologistas e médicos de outras especialidades e realizada de forma mais prática através do WhatsApp.

O médico do PSF, bem treinado, através de aulas teóricas a distância e treinamento prático presencial, pode resolver 80% dos problemas de saúde das comunidades. As doenças da pele representam 20% do atendimento desse profissional.

O grande foco de pesquisa em telemedicina, atualmente, está relacionado à Inteligência Artificial, pois informações e fotos das doenças mais frequentes são analisadas por potente computador e, assim, obtêm-se respostas mais precisas, principalmente, por médicos não especialistas, residentes em locais distantes dos grandes centros urbanos.

Com a comprovação da importância da telemedicina, incluindo a teledermatologia, durante a tragédia da pandemia do Coronavírus, é irreversível sua oficialização definitiva pelo Conselho Federal de Medicina, que, atualmente, promete sua atuação apenas durante a pandemia.

Concluímos com a seguinte frase: “O trem da telemedicina está.chegando. Suba a bordo ou saia do caminho”.     

Se você ainda tem dúvidas sobre a teledermatologia ou deseja marcar a sua consulta conosco, entre em contato! Ficaremos felizes de atendê-lo!

Ceratose actínica: saiba mais sobre essa doença

Ceratose actínica é uma doença da pele considerada pré-maligna. Ela é causada pela exposição ao sol.

Sua manifestação ocorre através de manchas escuras e claras nas partes do corpo que ficam mais expostas à radiação solar.

Geralmente, a doença não se torna maligna e o tratamento consegue suavizar os sintomas.

Incidência da ceratose actínica

Ela é a quarta maior causa de visita ao dermatologista.

A incidência aumenta com a idade, chegando a atingir 80% das pessoas na faixa etária de 60 a 69 anos, consequente ao efeito cumulativo do sol, especialmente as de pele branca, olhos azuis e cabelo claro.

É mais frequente no sexo masculino, provavelmente, consequente à maior exposição ao sol.

Também apresenta mais frequência em regiões com maior intensidade de sol, ou seja, países que estão geograficamente localizados próximo à Linha do Equador como o Brasil, especialmente se a exposição solar começar antes de 20 anos.

O que causa a ceratose actínica?

A causa da ceratose actínica é a radiação ultravioleta B, energia emitida pelo sol, que gera alterações nas células da epiderme, parte mais superficial da pele, suficiente para iniciar o processo de câncer.

Porém, ela ainda não é considerada um verdadeiro câncer já que para isso ocorrer é necessário que essas células malignas invadam a derme, parte mais profunda da pele, onde tem vasos sanguíneos e linfáticos, responsáveis pelas metástases cutâneas.

O papel do sol na indução da ceratose actínica é comprovado por atingir pessoas menos protegidas pelo sol, caracterizado pela pele branca, olhos azuis e cabelos claros.

 Ela afeta mais:

  • indivíduos que sofreram queimadura solar na infância
  • profissionais mais expostos ao sol, como marinheiros e agricultores
  • pessoas que não usam filtro solar
  • pessoas que estão em países com maior incidência da irradiação solar
  • população branca
  • doentes portadores de doenças hereditárias que demonstram maior sensibilidade ao efeito carcinogênico do sol, como o albinismo.

Além disso, pessoas que têm menor imunidade por doenças, como a AIDS, ou por uso de medicamentos que deprimam a imunidade, como nos submetidos a transplante de órgãos, também têm maior tendência a desenvolver ceratose actínica.

Manifestações clínicas

A ceratose actínica surge na pele mais exposta ao sol nos homens calvos, rosto, pescoço, dorso das mãos, antebraços e pernas (principalmente nas mulheres).

Geralmente aparecem como manchas avermelhadas e menos frequentemente como manchas mais escuras cobertas por escamas aderentes e estas responsáveis pelo aspecto áspero ao toque. Seu tamanho varia de milímetros até 2 centímetros.

Ceratose actínica na cabeça

As lesões surgem em pele que mostram sinais de agressão crônica, como manchas escuras e claras, além de aspecto mais fina, ou seja, atrófica.

No couro cabeludo, dorso das mãos e antebraços, as lesões tendem a ter escama mais espessa e consequentemente serem mais elevadas.

O lábio inferior apresenta aspecto áspero, com escamas, esbranquiçado e com feridas

Queilite actínica (lesão pré-cancerosa no lábio)

e o câncer de pele que surge tem maior possibilidade de metástase do que o que se origina na pele.

A capacidade da ceratose actínica progredir para um verdadeiro câncer de pele, o carcinoma espinocelular, é baixa.

Esse poder de transformação maligna é comprovado pelo fato de 60% desse câncer de pele se originar a partir da ceratose actínica.

A capacidade de metástase desse carcinoma espinocelular é de aproximadamente 8%.

Essa transformação maligna é denunciada pelo surgimento de:

  • dor,
  • ulceração (ferida),
  • crescimento rápido,
  • inflamação.

Além da probabilidade de transformação maligna, a ceratose actínica pode regredir espontaneamente, principalmente se diminuir a exposição solar ou for incrementado a aplicação de filtro solar regularmente, ou permanecer como lesão pré-maligna.

Apesar da maioria das lesões de ceratose actínica não evoluir para câncer de pele, sua presença denuncia uma pele que foi muito exposta ao sol, especialmente em idosos.

Portanto, representa um marcador de risco de surgir câncer de pele em qualquer local exposto ao sol como, além do carcinoma espinocelular, outros tipos de câncer como o carcinoma basocelular e o melanoma em locais independentes da ceratose actínica.

As regiões mais susceptíveis de ocorrer transformação maligna são o lábio inferior, orelhas e couro cabeludo.

Como é feito o tratamento?

Preventivamente, deve usar filtro solar diariamente, independentemente de exposição solar direta e iniciar essa aplicação meia hora antes de sair de casa e reaplicar a cada 2 horas, independentemente de exposição direta.

O filtro solar deve conter substâncias que protejam a pele tanto para radiação ultravioleta B como também contra a ultravioleta A.

Também é recomendado utilizar boné de aba larga e proteger a parte posterior da cabeça.

Indo à praia, se proteger com guarda-sol, usar óculos escuro e adaptar uma sombrinha ao carrinho do bebê. Usar camisas anti UV quando for se expor diretamente ao sol.

É fundamental iniciar a proteção solar a partir dos 6 meses de vida.

O mais importante é que todas essas medidas de proteção podem resultar no desaparecimento da ceratose actínica.

A escolha do tratamento específico depende da quantidade de lesões e deve ser definida por um especialista.

Quando apresentam poucas lesões deve ser aplicado o nitrogênio líquido (crioterapia) durante 5 minutos, uso de curetagem (raspado) associado ou não ao aparelho de eletrocoagulação.

Quando o paciente apresenta muitas lesões, é preferível a aplicação de 5 fluoruracila ou de imiquimod, a terapia fotodinâmica, o peeling de média profundidade, o criopeeling e o laser ablativo de CO₂ ou de erbium.

A vantagem desses últimos tratamentos é de atingirem também as lesões escondidas (subclínicas). O peeling e o laser apresentam a vantagem adicional de rejuvenescerem a pele.

Preventivamente, antes e após o tratamento, devem ser aplicados, além de filtro solar, cremes de ácido retinoide como a tretinoína e o adapaleno.

Esses cremes de ácido retinoide, além de combaterem a ceratose actínica, rejuvenescem a pele, sendo mais eficaz a tretinoína.

Vale ressaltar que o tratamento só deve ser iniciado após a prescrição médica. A automedicação pode ter um efeito contrário ao desejado e agravar a doença.

Agora que você já sabe mais sobre a ceratose actínica e a importância do filtro solar para tratá-la e preveni-la, que tal continuar a leitura e saber mais sobre como se proteger do sol de maneira eficaz?

O que é e qual a causa da dermatite atópica?

A dermatite atópica é uma doença que se manifesta pela inflamação da pele.

Ela é associada a muita coceira, pele seca e evolução prolongada (crônica).

Além disso, também tem associação com alergia tipo asma e rinite no portador da doença e também em membros da família.

A doença, incluindo manifestações da dermatite atópica, rinite, asma e outras manifestações, é genericamente chamada de atopia.

Continue lendo o nosso post e saiba mais sobre a dermatite atópica e atopia!

Qual a incidência da dermatite atópica?

É frequente o início da doença na infância, sendo 45% dos casos até os seis meses, 60% durante o primeiro ano de vida e 85% antes dos cinco anos.

Em menos de 2% dos casos, o início acontece na vida adulta. Afeta 5 a 20% das crianças e predomina no sexo feminino.

Aproximadamente 30% dos pacientes desenvolvem asma e 35% também rinite.

A dermatite atópica, geralmente, é a primeira manifestação da doença em muitos doentes e seguido por asma, rinite ou ambos. Essa evolução é conhecida como Marcha Atópica.

A incidência da dermatite atópica vem aumentando ao longo das últimas décadas sendo mais frequente em áreas urbanas e em países desenvolvidos, e nestes países tem duplicado ou triplicado nas últimas três décadas.

Qual a causa da dermatite atópica?

A causa não é bem conhecida, porém múltiplos fatores participam da dermatite atópica.

Um dos mais importantes é a hereditariedade.

Aproximadamente 70% dos pacientes têm outros membros com manifestações de atopia, ou seja, rinite, asma e dermatite atópica.

O risco de desenvolver dermatite atópica dobra ou triplica se um dos pais é alérgico e triplica e até aumenta 5 vezes se ambos pais forem alérgicos.

A pele do paciente com dermatite atópica é muito sensível a vários estímulos e exigindo menor intensidade deles para gerar coceira e inflamação da pele.

Mínimos estímulos como roupas com maior atrito (como as de lã) e atrito da toalha ao se enxugar a pele geram vontade de coçar.

Produtos como sabões, detergentes e solventes irritam a pele, porque a pele oferece menos resistência à penetração dessas substâncias.

Para evitar isso, é recomendado o uso de luva para atividades domésticas.

Embora 30 a 80% dos pacientes portadores de dermatite atópica são alérgicos a certos alimentos, o momento da introdução de alimentos sólidos do bebê-  ou estratégias de evitar certos alimentos durante a gravidez ou no puerpério (logo após o nascimento) – não influencia no risco de a criança desenvolver dermatite atópica.

Embora alergia alimentar seja um assunto controverso, ela é mais frequente no primeiro ano de vida, com pico de incidência aos 18 meses.

Os alérgenos mais frequentes são ovo e leite, mas trigo, soja e amendoim também são alérgenos potenciais.

O que é incontestável é a importância do aleitamento materno até os 2 anos e não se deve fazer dieta restritiva, a menos que se comprove o agravamento da dermatite atópica com certos alimentos e essa relação é mais provável nos casos de dermatite atópica severa.

A alergia ao ácaro da poeira domiciliar também contribui, principalmente nas crianças, a partir da idade pré-escolar.

A sudorese induz a vontade de coçar e, portanto, é indicado roupas que facilitem a transpiração, como as de tecido de algodão e folgadas, além de intensificar o uso de ar condicionado no verão.

Os pacientes não suportam extremos de temperatura, além do calor, o clima frio e seco.

Este último agrava o ressecamento da pele, causa muito importante na indução da coceira e inflamação da pele.

Os enfermos nasceram com menor imunidade contra infecções bacterianas, virais e fúngicas na pele, especialmente nos locais com maior inflamação.

Existe uma maior proliferação do Estafilococo aureus e do fungo Malassezia furfur, que são habitantes naturais da pele e que estão presentes em maior quantidade na pele aparentemente normal do paciente e gerando inflamação.

O estresse induz ou agrava a dermatite atópica e isso é confirmado pela coincidência do agravamento da doença com separações dos pais e atrito familiar, por exemplo.

A aparência antiestética da pele é motivo de bullying na escola e diminuição da autoestima.

Manifestações clínicas

As manifestações da doença se caracterizam pela tríade de coceira (prurido) intensa, pele seca (xerose) e inflamação (eczema).

A pele seca se caracteriza por descamação fina e áspera ao tato, geralmente atingindo a maior parte da pele, apesar de poder ser localizada.

O prurido sempre está presente em grande intensidade e interferindo com as atividades diurnas – e durante o sono – que piora durante a sudorese.

O ato de coçar provoca espessamento da pele, o qual mantém a coceira, gerando um ciclo vicioso de coceira e engrossamento da pele, além de criar porta de entrada para penetração de bactérias existentes normalmente na pele e consequente infecção bacteriana.

As manifestações clínicas da dermatite atópica variam com a idade e apresentam características peculiares quanto aos tipos de lesões e localização das mesmas. 

Geralmente, três fases podem ser identificadas:

Dermatite atópica infantil

Surge entre 3 meses e dois anos. Manifesta-se com eritema (manchas avermelhadas) e que, nos casos mais intensos, podem cursar com vesículas (bolhas pequenas). Estas ao se romper se transformam em lesões com crostas consequente ao ressecamento do líquido das vesículas.

Até os seis meses localizam-se predominantemente na face (em especial nas regiões malares e poupando a parte central do rosto) e no couro cabeludo.

Dermatite atópica no rosto

As lesões podem permanecer localizadas nessas áreas ou estender-se e atingir toda a face, o pescoço, a parte de extensão (parte externa) dos membros e, nos casos graves, generalizar-se.

Após os três meses de vida, quando se desenvolve a coordenação para o ato de coçar, aparecem as escoriações (pele arranhada) e consequente penetração de bactérias, gerando infecção bacteriana.

Nessa fase, as lesões tendem a ser exsudativas (úmidas por líquido na pele). As lesões evoluem por surtos, podendo desaparecer completamente, e apenas melhorar ou persistir com maior ou menor intensidade.

Dermatite atópica pré-puberal

Surge entre os 3 e 12 anos. Pode ser uma continuidade da primeira fase ou aparecer pela primeira vez nessa fase.

Tem localização preferencial nas dobras dos cotovelos e joelhos.

Dermatite atópica no cotovelo

Comumente também são afetados o rosto, o pescoço, os punhos, as nádegas, a face posterior das coxas e o dorso das mãos e dos pés.

Nessa fase, ao contrário da anterior, as lesões são mais secas e espessadas (liquenificadas), além de arranhadas (escoriadas), consequente ao ato de coçar pelo prurido intenso.

Nos casos mais graves, a inflamação da pele pode se generalizar a todo corpo. A ocorrência de infecção bacteriana é menos frequente do que na fase infantil.

A afecção pode permanecer até a puberdade ou desaparecer no decorrer da infância.

Dermatite atópica da adolescência e do adulto

A localização e o aspecto da pele são os mesmos da fase pré-puberal. A face é geralmente acometida, apresentando palidez e lesões avermelhadas, tendo uma preferência pela pele ao redor da boca e dos olhos.

Uma localização particular nas adolescentes e mulheres jovens é o seio, afetando apenas um lado.

Antecedendo ou associado às lesões referidas, muitos pacientes apresentam outras manifestações como:

  • pele com aspecto de arrepiada (braços, coxas e rosto),
Ceratose pilar (pele arrepiada)
  • acentuação do ressecamento da pele e sendo mais intenso nas pernas (ictiose),
Ictiose (pele seca)
  • manchas mais claras do que a pele, semelhante ao pano branco (pitiriase versicolor), decorrente, também, do ressecamento da pele.
Pitiríase alba (mancha branca)

Complicações da dermatite atópica

Os pacientes são mais vulneráveis à infecção bacteriana pelo Staphylococcus aureus e menos frequentemente pelo Streptococcus piogenes e que contribui para agravamento da inflamação da pele.

Também apresentam maior susceptibilidade a infecções por vírus como molusco contagioso, verruga vulgar e herpes simples.

A dermatite atópica predispõe a reação anafilática decorrente da hiper-reatividade a substâncias alérgenas como medicamentos (penicilina) e vacinas sendo uma reação muito grave, ameaçadora à vida.

Observa-se retardo do crescimento relacionado à ingestão de corticosteroide ou à própria doença.

Alterações oculares podem ocorrer como catarata em 10% dos casos, principalmente nos casos graves de dermatite atópica e com acometimento prolongado do rosto, ceratoconjuntivite, uveíte, descolamento de retina, fotofobia (sensibilidade à exposição solar) e ceratocone.

Nos casos de dermatite atópica grave, de longa evolução e com lesões na face, deve ser realizado exame oftalmológico periódico de modo a detectar afecção ocular precocemente.

Qual é o tratamento?

A prevenção é realizada através de diversas medidas. É necessário consultar um médico para saber quais são indicadas para cada caso.

Em geral, é recomendado banho de curta duração e com menor quantidade de sabonete, o menos quente possível.

Para secagem, não friccionar a pele ao se enxugar com a toalha.

Deve-se evitar lavar as mãos frequentemente e atividades de dona de casa que envolvam contato com detergentes e proteger as mãos com luva de algodão e revesti-la com luva de borracha.

As unhas devem ser cortadas duas vezes por semana de modo a evitar traumatizar a pele consequente ao ato de coçar.

É recomendado evitar extremos de temperatura como clima frio e seco (acentuam o ressecamento da pele) e quente e úmido, que agravam a coceira.

Outra medida é manter o quarto arejado e sem poeira e sendo, portanto, necessário limpar os objetos com pano úmido e evitar carpetes e cortinas. Também deve-se evitar contato com animais, devido ao pelo deles.

É muito importante a hidratação frequente da pele através da aplicação de loções e cremes, preferencialmente logo após o banho, antes de 3 minutos após se enxugar, já que mesmo após o banho, a pele aparentemente seca, ainda resta alguma quantidade de água que potencializa a ação do creme hidratante.

O tratamento propriamente dito consiste na hidratação da pele e combate à inflamação.

Deve ser aplicado creme à base de ceramida na pele sem inflamação, durante e principalmente entre as crises, regularmente, para manter a hidratação da pele.

A inflamação, nos casos mais leves e localizados, deve ser combatida com aplicação de cremes contendo corticosteroide e com o cuidado de evitar o uso prolongado de modo a evitar a atrofia da pele, principalmente nas dobras, onde pode provocar a formação de estrias.

De modo a poupar a pele da atrofia pelo uso prolongado de corticosteroide, pode ser aplicado outras substâncias anti-inflamatórias como o pimecrolimo e o tacrolimo.

Nos casos disseminados, pode ser ingerido corticosteroide por curto período além de outros remédios anti-inflamatórios, também por via oral.

Uma vez que a inflamação for sendo controlada, iniciar a fototerapia e que consiste na irradiação da pele com energia derivada do sol.

Vale ressaltar, novamente, que o tratamento adequado só será prescrito após a análise de cada caso e que a automedicação pode ter um efeito contrário ao desejado, piorando a doença.

Conte com a ProntoPele para tratar a dermatite atópica. Entre em contato conosco e marque sua consulta.

Eflúvio telógeno: entenda esse tipo de queda de cabelo

O eflúvio telógeno é uma condição que modifica as fases de crescimento do cabelo e, consequentemente, causa a queda precoce dos fios.

O cabelo cresce em três fases: a anágena, o catágeno e o telógeno.

Cada uma tem um papel essencial e é responsável por manter o crescimento dos fios, assim como a sua renovação.

O eflúvio telógeno ocorre quando essas fases não ocorrem normalmente. Continue lendo e entenda mais sobre essa condição!

O que é eflúvio telógeno?

O couro cabeludo possui 100.000 a 150.000 folículos pilosos. Possuímos 2 tipos de pelos no corpo: cabelo terminal e velos. Eles diferem no diâmetro e tamanho, sendo o primeiro com maior nos dois parâmetros.

O folículo piloso tem 3 fases de crescimento. A primeira fase, anágena, tem duração de 2 a 6 anos e é responsável por 90% de todo cabelo.

A segunda fase, o catágeno, o fio do cabelo começa a sofrer involução e corresponde a 1%.

Já na terceira fase, o telógeno, o cabelo se prepara para ser eliminado e acontece entre 2 e 3 meses (perdemos entre 50 e 150 fios diariamente), representando 10% do cabelo.

No local da queda, surge outro ciclo do pelo, recomeçando novamente pela fase anágena.

No eflúvio telógeno, há uma diminuição do tempo de crescimento do pelo da fase anágeno, acelerando a transformação não sincronizada, simultaneamente, do pelo anágeno em telógeno e consequente queda de grande quantidade de cabelo.

O percentual dos pelos na fase telógeno aumenta de 10% para até 35% no eflúvio telógeno.

Qual é a causa do eflúvio telógeno?

Vários fatores contribuem para o eflúvio telógeno, como:

  • doenças autoimunes, como lúpus eritematoso,
  • doenças que cursam com febre alta, como dengue,
  • após cirurgias de grande porte,
  • após fenômenos fisiológicos normais, como gravidez, aborto e no recém-nascido,
  • rápida perda de peso,
  • dietas muito restritivas em relação às proteínas e calóricas,
  • anemia por deficiência de ferro (mulheres que perdem muito sangue durante a menstruação),
  • deficiência congênita ou adquirida de zinco,
  • doenças endócrinas (hipotireoidismo ou hipertireoidismo),
  • grande número de medicamentos, como as estatinas para controlar o colesterol e anticonceptivos hormonais (pílula),
  • suplementos vitamínicos contendo grande quantidade de vitamina A,
  • estresse emocional intenso,
  • doenças da pele que geram inflamação do couro cabeludo, como a dermatite seborreica,
  • enfermidades infecciosas como sífilis e AIDS,
  • doenças do fígado e dos rins.

Existe controvérsia em relação ao suplemento de ferro em pacientes que têm um nível normal de ferritina no sangue (importante índice de avaliação de anemia) e de vitamina D no controle da queda de cabelo no eflúvio telógeno.

Em 30% dos casos, a causa da queda de cabelo não é identificada.

Quais são os sintomas?

A principal queixa é a queda intensa do cabelo e estimulando o paciente a colher grandes amostras de cabelo.

Sentem dor, descrita como picada de agulha no couro cabeludo. 

No exame clínico, a densidade dos cabelos pode estar reduzida em até 50%, antes que o paciente reconheça a queda de cabelo.

O eflúvio telógeno é o maior motivo de consulta por queda de cabelo, sendo mais frequente nas mulheres, provavelmente por serem mais atentas em relação à queda de cabelo do que nos homens.

O início da queda surge 3 meses após o estímulo.

Em relação à duração da queda de cabelo, o eflúvio telógeno pode ser classificado em agudo e crônico.

No agudo, a duração varia de 2 a 6 meses, ocorrendo a recuperação total do cabelo, entre 6 e 12 meses.

Na forma crônica, a duração da queda é superior a 4 e 6 meses e pode durar anos, sendo mais demorada a recuperação em mulheres durante a menopausa.

A distribuição da queda de cabelo é difusa, ou seja, é homogênea em todo couro cabeludo, porém pode ser mais evidente na região temporal (parte lateral da cabeça),

Eflúvio telógeno

parte anterior e vértex.

A queda de cabelo pode atingir outras partes do corpo. Não existem alterações no couro cabeludo além da queda de cabelo.

O exame do cabelo ao microscópio é importante, onde podem ser reconhecidos os pelos na fase telógena.

A tentativa de remover, por exemplo, 50 fios de cabelo pode avaliar o grau de queda. Se a queda por superior a 10%, ou seja, mais de 6 a 10 fios, caracteriza a doença.

A colheita de todo cabelo que caia durante o dia realizada pelo próprio paciente pode confirmar o aumento da queda normal que é entre 100 a 150 fios por dia.

A utilização do aparelho conhecido como dermatoscópio ajuda a diferenciar o eflúvio telógeno de outras causas de queda de cabelo.

No diagnóstico diferencial com outras causas de queda de cabelo, a doença mais semelhante é a alopecia feminina, a forma mais comum de queda de cabelo no sexo feminino e a alopecia androgenética masculina, a forma de alopecia mais comum no sexo masculino.

No eflúvio telógeno, o paciente lembra quando começou a cair o cabelo, enquanto os portadores de alopecia feminina e da alopecia androgenética masculina relatam a presença durante muitos anos antes de notar um aumento repentino da queda de cabelo.

Além disso, a queda no eflúvio telógeno é difusa, ou seja, é homogênea em todo couro cabeludo enquanto na alopecia feminina predomina na parte anterior (frontal) e no vértex (parte superior antes de atingir a parte posterior da cabeça).

Tratamento do eflúvio telógeno

A cura depende da identificação e eliminação da causa. Após a remoção do fator desencadeante da queda de cabelo, somente será observada a redução da queda após 2 a 3 meses.

O eflúvio telógeno por medicamentos e por eventos fisiológicos, como a gravidez, é geralmente autolimitado e não requer tratamento.

Ao contrário da forma aguda, a crônica é mais difícil de identificar a causa.

O apoio psicológico é muito importante e deve se prolongar até a redução da queda de cabelo.

Suplementos de vitaminas, minerais, de zinco e de proteínas não estão indicados por não haver comprovação científica do seu uso.

Embora o tratamento da deficiência de ferro sem evidência laboratorial de anemia seja controverso, a ingestão de ferro pode ser benéfica para alguns autores, especialmente quando a dose de ferritina esteja abaixo de 60 mg/dl.

A dermatite seborreica deve ser tratada com xampu anticaspa e aplicação de loção de corticosteroide no couro cabeludo. A aplicação de minoxidil a 2 ou 5% pode ser útil.

Para definir o melhor tratamento, assim como a causa, é preciso consultar um médico especializado na área.
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