Bicho de pé: o que causa, como se manifesta e qual o tratamento?

O bicho de pé é o nome popular da tungíase, doença de pele autolimitada. Esse problema é causado por uma pulga que habita lugares arenosos e secos.

Essa pulga, chamada Tunga penetrans, pode entrar na pele das pessoas, causando lesões nos pés, nas mãos ou em outras regiões do corpo.

A tungíase ocorre apenas em países de clima tropical, como o Brasil. Aqui é comum ocorrer essa condição em crianças, mas também pode afetar adultos.

Continue lendo para saber mais sobre o bicho de pé e entender porque essa doença ocorre.

Qual a causa do bicho de pé?

O bicho de pé é causado pela penetração na pele pela menor das pulgas, a Tunga penetrans, a única espécie do gênero que parasita o homem.

Ela mede 1 milímetro e escolhe lugares secos e arenosos para viver, principalmente em área rural, chiqueiros e currais (fotos 1a, 1b, 1c).

Fotos 1a, 1b, 1c Tunga penetrans na planta do pé, sendo eliminada

Além do homem, parasita o porco. É hematófago, ou seja, se alimenta de sangue. O macho deixa o hospedeiro após se alimentar e, portanto, não é o responsável pelas manifestações clínicas na pele.

A fêmea, por outro lado, quando está fecundada, penetra na parte mais superficial da pele e introduz a cabeça e o tórax, deixando para fora o aparelho para respirar e o abdômen.

Este último tem um orifício para eliminar os ovos na terra. 

Quando os ovos vão se desenvolvendo, o que ocorre em grande número, há a dilatação da parte posterior do abdômen, o que fica visível na lesão.

Após os ovos se desenvolverem por completo, o abdômen rompe e os ovos são eliminados para o exterior, caindo no solo. Isso ocorre, normalmente, em um período de 2 semanas (foto 2). As fêmeas morrem em seguida.


Foto 2: Ovos da Tunga penetrans sendo eliminados. Foto cedida pelo Dr. Samuel Freire, do Atlas Dermatológico.

Como o bicho de pé se manifesta?

O abdome dilatado do bicho de pé, descrito anteriormente, fica aparente na pele, se manifestando como uma pápula esférica (carocinho) amarelada com um ponto enegrecido no centro (fotos 3a e 3b).


Foto 3a: Tunga penetrans no pé

Foto 3b: Pápula amarelada, com centro enegrecido

Localiza-se, preferencialmente, nas pregas das unhas, espaços entre os dedos e a planta do pé (fotos 4a e 4b).


Foto 4a: Tunga penetrans ao redor das unhas


Foto 4b: Tunga penetrans ao redor das unhas (aproximação)

Ocasionalmente, as lesões podem se localizar no órgão genital, períneo e membros, mas isso não é muito comum.

Os casos mais antigos podem adquirir o aspecto de favo de mel em consequência do grande número de lesões com proximidade entre si.

O bicho de pé pode atingir grande extensão com a presença de centenas de lesões. Normalmente, isso ocorre na planta dos pés.

Além do aparecimento do carocinho com ponto preto, também pode ocorrer coceira leve e, em alguns casos, dor.

Ocasionalmente, podem surgir complicações por infecções bacterianas e ser porta de entrada para outras doenças, como:

  • abscessos,
  • linfangite, infecção bacteriana dos vasos linfáticos,
  • septicemia,
  • gangrena gasosa e
  • tétano.

Como lidar com a tungíase?

Em áreas com muitos casos, como as rurais, recomenda-se que todas as pessoas façam a prevenção dessa doença, que envolve:

  • uso de calçados,
  • aplicação de repelentes naturais,
  • extermínio das fontes, utilizando fogo ou DDT.

Já quando há o aparecimento de uma lesão, pode-se fazer a remoção da pulga com uma agulha esterilizada após a aplicação de substâncias antissépticas.

Nos casos em que há muitas lesões recomenda-se a realização de uma consulta com dermatologista para avaliar o caso e receitar um remédio eficaz.

Se você não se sentir seguro para fazer a remoção com uma agulha, também procure ajuda profissional. Lembre-se que utilizar objetos contaminados favorece o aparecimento de outras doenças, como as já citadas acima.

Continue no nosso blog e saiba mais sobre outra doença causada por um parasita, o bicho geográfico.





Hidradenite supurativa: saiba mais sobre essa doença que causa nódulos dolorosos

A hidradenite supurativa (HS) é uma doença da pele que se manifesta como inflamação que tende a se perpetuar.

Nela, surgem nódulos (caroços) muito dolorosos nas axilas, virilhas, ao redor do anus e mamas. Na grande maioria dos casos, a aparição se dá em um local rico em glândula apócrina, um tipo de glândula sudorípara.

Embora o nome sugira associação com infecção bacteriana, não existe relação com esse problema.

Quer saber sobre? Então continue lendo e confira.

Incidência da hidradenite supurativa

Essa condição, também chamada acne inversa, atinge de 1% até 4% da população. As mulheres são duas vezes mais afetadas do que os homens. 

A doença surge a partir da segunda ou terceira décadas da vida, podendo ocorrer entre 11 e 50 anos. 

Apesar de a faixa etária ser ampla, geralmente , manifesta-se entre 18 e 27 anos. 

Atinge, raramente, crianças menores de 11 anos (menos de 2%). Além de raro antes da puberdade, é muito infrequente na menopausa. 

Ocorre, principalmente, na população negra.

Qual é a causa dessa doença?

Ainda não se sabe totalmente qual é a causa da hidradenite supurativa.

Porém, como na acne, decorre da oclusão do orifício do pelo e consequente acúmulo do sebo.

Esse acúmulo atinge seu máximo até que ocorre a ruptura da parede, gerando extravasamento do material. Essa ruptura do folículo piloso é influenciada diretamente pelos hormônios.

A presença de sebo no tecido ao redor estimula o sistema imunológico e gera a inflamação.

Além disso, existe uma predisposição a reagir a esses incentivos exageradamente, em decorrência de um defeito inato. 

Fatores envolvidos na hidradenite supurativa

Confira alguns fatores relacionados.

Predisposição hereditária

Cerca de 40% dos casos de hidradenite supurativa ocorrem em pacientes que têm algum parente com essa mesma doença, o que reforça a predisposição hereditária.

Esse risco é ainda maior quando acomete pessoas jovens, antes dos 13 anos.

Traumatismos

O trauma mecânico da pressão e da fricção nas dobras e em outros locais exercidos por cinto, sutiã e demais, contribuem para a ruptura do folículo piloso.

Obesidade

Assim como na acne, a elevação do hormônio andrógeno no obeso gera obstrução do folículo piloso, responsável pelo início da doença.

Desse modo, a área de atrito nas dobras também contribui para a sua instalação pela retenção de suor, o que irrita a pele e agrava a obstrução do pelo.

A produção de substâncias inflamatórias pelo tecido adiposo no obeso, para todo organismo, como as citocinas pró-inflamatórias, também agem agravando a situação.

Tabagismo

A nicotina e outras substâncias do cigarro influenciam na obstrução e inflamação do pelo.

Hormônios sexuais

Vários fatores reforçam a teoria da influência hormonal na hidradenite supurativa, como:

  • raridade da doença antes da puberdade
  • agravamento no período pré-menstrual
  • melhora durante a gravidez
  • efeito positivo do tratamento que diminui o efeito do hormônio andrógeno.

Infecção bacteriana

É discutível o papel das bactérias, havendo uma tendência a considerar como um fenômeno secundário à atuação da obstrução do pelo ou, ainda, um agravante ou motivo de permanência da doença .

Medicamentos

Anticonceptivos orais contendo progestágeno andrógeno, acetato de medroxiprogesterona e levonorgestrel podem induzir a HS.

Como a hidradenite supurativa se manifesta?

Inicialmente, a doença ocorre lentamente, com o aparecimento de prurido (coceira), eritema (vermelhidão) e excesso de sudorese. Posteriormente, as lesões tornam-se dolorosas.

Os locais mais afetados são os ricos em pelo e glândula apócrina, como as dobras naturais e a pele ao redor. A região mais afetada é a axila, também pode acometer:

Além disso, também pode acometer:

  • virilha
  • abaixo das mamas
  • mama
  • face interna das coxas
  • períneo
  • ao redor dos anus
  • nádegas
  • púbis
  • bolsa escrotal
  • vulva.

Menos frequentemente, atinge o tronco, couro cabeludo e região retroauricular (atrás da orelha).

Os locais sujeitos a atrito, como os relacionados ao cinto e ao sutiã, estão mais propensos a desenvolverem a doença.

A extensão e a gravidade da enfermidade são muito variáveis. Podemos observar casos com lesões discretas em apenas um local ou com o acometimento em mais de uma região e com grande gravidade.

No início temos os comedões (cravos) abertos, identificados por pontos enegrecidos, consequência da obstrução do pelo, como acontece na acne. Observe as fotos abaixo (1a e 1b) para compreender os primeiros sinais da hidradenite supurativa.


Foto 1a: Hidradenite supurativa, estágio inicial

Foto 1b: Hidradenite supurativa com comedão (cravo) na axila, foto de aproximação

Em seguida, surgem as lesões inflamatórias representadas por pápulas e os nódulos, de aspecto avermelhado e dolorosos, semelhante ao furúnculo, como pode ser visto abaixo (fotos 2 e 3).


Foto 2: Hidradenite supurativa com pápulas (carocinhos) na axila

Foto 3: Hidradenite supurativa com nódulo na axila

Não tratado, evolui para o abscesso e este, para o amolecimento e fistulização, ou seja, surgimento de orifício por onde são eliminados pus e sangue.

Os nódulos são substituídos por cicatrizes atróficas (em um nível inferior ao da pele normal) ou elevadas e exageradas (hipertróficas), como um queloide (foto 4).


Foto 4: Hidradenite supurativa com cicatrizes evoluindo para queloide

Essas cicatrizes queloideanas comprimem os vasos linfáticos e geram dificuldade de drenagem. Em consequência disso, surge linfedema, ou seja, inchaço nos braços, púbis, vulva, pênis e bolsa escrotal. 

O péssimo aspecto estético, o mau odor, resultante da eliminação de pus e sangue, acaba gerando isolamento social, depressão, desemprego e até suicídio.

Quanto mais precoce o início, maior a probabilidade de evoluir para os estágios mais avançados.

Doenças associadas com a hidradenite supurativa

Além das manifestações na pele, ela está associada à síndrome metabólica e suas consequências para a saúde, como:

  • diabetes
  • obesidade
  • dislipidemia (alterações da gordura no sangue)
  • hipertensão arterial
  • infarto do miocárdio
  • acidente vascular cerebral.

Esses pacientes também são mais propensos a serem portadores de problemas inflamatórios intestinais, como doença de Crohn e colite ulcerativa.

A HS também está relacionada com outros problemas, como:

  • Obstrução folicular, que gera acne , geralmente grave, cistos pilonidal e foliculite dissecante do couro cabeludo.
  • Síndrome composta por artrite piogênica, pioderma gangrenoso, acne e hidradenite supurativa
  • Doença de Behçet, que causa a inflamação dos vasos sanguíneos
  • Psoríase, doença que ocorre quando o sistema imune ataca as células da pele
  • Carcinoma espinocelular, um tipo de câncer
  • Anemia, caracterizada por baixos índices de ferro no sangue.

Existe uma tendência a reaparecer e tornar-se crônica. Daí a importância do tratamento ser instituído precocemente, para evitar que se perpetue.

Tratamento da hidradenite supurativa

Para evitar o agravamento da doença, o paciente deve saber mais sobre ela. O primeiro passo é compreender que essa enfermidade não é contagiosa nem decorrente de má higiene.

Se quiser tirar dúvidas e saber quais são fontes confiáveis para se informar, é importante realizar consultas periódicas com um dermatologista, que poderá indicar materiais de fontes confiáveis, como a Hidradenitis Supurativa Foundation.

Quando o objetivo é cuidar das lesões, recomenda-se:

  • higienizar o local diariamente, com sabões antissépticos
  • aplicar substâncias que evitem o suor
  • evitar ambientes quentes e úmidos
  • ficar no peso ideal
  • diminuir o estresse, de preferência com acompanhamento psicológico
  • usar roupas folgadas e de tecido de algodão
  • praticar exercício físico
  • realizar dieta para emagrecer
  • evitar tabagismo.

Utilizar vaselina branca antes de os curativos serem aplicados, também pode auxiliar. Esse método evita que os esparadrapos fiquem presos e, consequentemente, gerem traumatismo.

A aplicação de compressas mornas, contendo solução de Burrow e cloreto de alumínio, possui a função de secar as secreções de pus, sangue e suor. Também deve ser aplicado produtos para limpar a pele, o que deve ser prescrito por um dermatologista.

Medicamentos

Existem, ainda, remédios que podem ser utilizados para controlar a hidradenite supurativa e os seus sintomas. Os anti-inflamatórios não hormonais combatem, além da inflamação, também a dor.

Além disso, pode ser utilizado antibióticos para controlar a enfermidade. Já quando há lesões mais profundas, é recomendado tetraciclina e seus derivados, como doxiciclina, minociclina e limeciclina.

Caso ocorra a falha no tratamento com esses antibióticos, uma opção é utilizar uma combinação de fármacos.

Nos casos muito graves, sem resposta aos outros medicamentos, recorre-se ao uso do ertapenem por via intravenosa. 

Se houver suspeita de infecção secundária pela bactéria estafilococo, deve ser utilizado, preferencialmente, a cefalexina, orientado pela cultura e antibiograma.

Para auxiliar na desobstrução do folículo piloso, o dermatologista pode recomendar derivados da vitamina A, como a isotretinoína, acitretina e, recentemente, a alitretinoína.

Os corticosteróides, por via oral ou intralesional, podem ter efeito anti-inflamatório, porém não devem ser utilizados prolongadamente pelos seus graves efeitos colaterais.

Ainda há outros que podem ser utilizados, como:

  • dapsona, para combater a inflamação
  • acetato de ciproterona e etinilestradiol, como pílula anticoncepcional para mulheres
  • associação de remédios, com efeito antiandrógeno
  • metformina, especialmente para idosos.

Mais recentemente, os medicamentos biológicos, como o infliximab, ustekinumab, anakinra e adalimumabe são reservados para os casos graves e resistentes a outras substâncias. 

Vale ressaltar que nenhum desses deve ser consumido sem a devida prescrição médica. A automedicação pode causar piora no quadro.

Cirurgias

Quando o tratamento clínico não cura a hidradenite supurativa, há a opção de realizar a cirurgia.

Em estágio inicial, pode ser utilizado drenagem de abscessos, eletrocoagulação e curetagem.

Cirurgia é a opção com maior chance de cura. Sua efetividade depende de ser realizada no estágio inicial e da lesão ser removida totalmente, considerando a profundidade da pele e com margens de 2 cm.

A remoção cirúrgica com laser de CO₂ é eficaz, especialmente nos casos próximo ao anus a fim de preservar seu esfíncter.

Já a criocirurgia, utilizando o nitrogênio líquido e a consequente cicatrização por segunda intenção, apesar de muito doloroso, pode ser eficaz.

Se você sofre de hidradenite supurativa, entre em contato conosco para agendar uma consulta e ter o tratamento ideal traçado para o seu caso.






Você sabe o que é eritema fixo pigmentar?

O eritema fixo pigmentar (EFP) é uma reação que ocorre na pele em consequência da ingestão ou, menos frequentemente, de injeção de remédios.

Ele é caracterizado por vermelhidão e, nos casos com maior inflamação, pelo aparecimento de bolhas, que desaparecem naturalmente após um tempo.

Apesar da sua involução, fica uma mancha escura acinzentada na área. Além disso, também há o reaparecimento dos sintomas no mesmo local se houver algum contato com o medicamento causador.

Continue lendo para saber mais sobre e tirar suas dúvidas acerca dessa reação.

Quem é afetado pelo eritema fixo pigmentar?

O eritema fixo pigmentar não é uma reação comum. Entre 2% a 3% dos pacientes apresentam essa condição ao se expor a medicamentos.

Não há predominância por gênero, mas é mais frequente entre os 20 e 40 anos.

Esse problema é mais comum em crianças com reações alérgicas a remédios, afetando entre 5% e 22% delas.

O que causa o eritema fixo pigmentar?

A agressão à pele, que gera inflamação, ocorre como reação das células do sistema imunológico, como os linfócitos T do tipo CD8, que são estimulados pelo medicamento.

Quando isso ocorre, as células agridem a pele nas camadas mais superficiais e profundas, conhecidas como epiderme e derme, respectivamente.

Também participam do dano à pele os linfócitos CD4, os mastócitos e os neutrófilos. 

Uma grande quantidade de medicamentos pode ser responsável pelo EFP. Os mais frequentes são:

  • Agentes antibacterianos: tetraciclinas, trimetropim-sulfametoxazol, penicilina, amoxicilina, quinolona e dapsona.
  • Anti-inflamatórios não hormonais: dipirona, ácido acetilsalicílico, ibuprofeno, naproxeno, ácido mefenâmico, fenilbutazona e piroxicam.
  • Anticonvulsivantes: carbamazepina.
  • Outros fármacos: paracetamol, barbitúricos, antimaláricos, benzodiazepínicos e alopurinol.

Esse problema, raramente, é uma reação a alimentos e aditivos alimentares. Porém, pode ser resultado de picada de inseto, vacina BCG, queimadura e punção venosa, mas sempre com a participação de medicamentos.

Como essa condição se manifesta?

O eritema fixo pigmentar ocorre, geralmente, entre 30 minutos a 8 horas após a exposição ao medicamento. Porém, pode surgir até 2 semanas depois e persistir mais que alguns dias.

Caso o paciente continue fazendo o uso, as manchas tornam-se definitivas, especialmente nas pessoas de pele escura.

Inicialmente, surgem as avermelhadas (eritema), com tonalidade vermelho-escuro, bem delimitadas, arredondadas ou ovais (foto 1).


Foto 1: Eritema fixo pigmentar em fase inicial manifestado por eritema (macha avermelhada)

À medida que a inflamação na pele se intensifica, elas podem se tornam elevadas, formando vesículas e bolhas (foto 2).


Foto 2: Eritema fixo pigmentar com bolha

Essas lesões podem romper e serem substituídas por outras com aspecto de feridas (erosões), especialmente na glande (pênis). Na evolução final, são trocadas por manchas de tonalidade cinza-escuro (foto 3).


Foto 3: Eritema fixo pigmentado em estágio avançado, constituído por mancha acinzentada 

É comum que reapareçam no mesmo local quando houver contato com o mesmo medicamento. Também pode ocorrer de aparecer vermelhidão em outros pontos, contribuindo para aumentar a extensão da doença.

De forma geral, as reações surgem em certas áreas do corpo, como:

  • lábio (foto 4)
  • genital
  • área ao redor do anus
  • mãos
  • pés
  • região sacra (acima das nádegas).

Foto 4: Eritema fixo pigmentar no lábio superior

Quando acomete as mucosas, pode ocorrer erosões e até machucados mais profundos, como úlceras. Na região oral, afeta preferencialmente o céu da boca.

As lesões, geralmente, são solitárias, mas podem surgir mais. Em crianças, por exemplo, é possível se manifestar em grande número. Nessa faixa etária, tendem a serem de menor tamanho.

Em todos os casos, os pacientes relatam sensação de queimação, coceira e dor.

Todas as reações aos medicamentos são iguais?

Alguns fármacos desencadeiam esse problema em certos locais do corpo.

As influenciadas pelo anti-inflamatório oxifenilbutazona têm preferência em acometer as mucosas, como boca e genital.

Já a tetraciclina tende a causar reação especialmente da área genital. O sulfametoxazol-trimetoprima (Bactrim) atinge os lábios. 

As lesões causadas por sulfonamidas ou tetraciclina, geralmente, apresentam-se no pênis, como balanite em homens não circuncidados. Já a dipirona atinge o tronco e os membros.

Tratamento do eritema fixo pigmentar

O primeiro passo para tratar essa condição é suspender o uso do medicamento responsável.

No caso de ser um remédio o responsável pela doença, é essencial uma consulta de retorno para trocar o medicamento por outro que não cause essa reação e assim não prejudicar a saúde.

Para o controle das lesões, pode ser utilizado cremes contendo corticosteróides entre 7 e 10 dias, dependendo da orientação médica. Também é aconselhável utilizar anti-histamínicos por via oral.

Lembre-se que antes de iniciar qualquer tratamento, deve-se realizar uma consulta com um dermatologista, para saber quais são os produtos mais indicados para o seu caso.

Se você está sofrendo de eritema fixo pigmentar, entre em contato conosco para agendar a sua consulta e não ter mais incômodos por causa dessa condição.




Saiba mais sobre carcinoma espinocelular, um dos tipos de câncer de pele

O carcinoma espinocelular, também conhecido como CEC, é um câncer de pele muito comum.

Ele é originado nos queratinócitos, uma célula que fica localizada na camada mais superficial da pele, chamada epiderme.

Essa doença pode ser desencadeada por diversos fatores, mas principalmente pela exposição ao sol.

Continue lendo para saber mais sobre e tirar suas dúvidas.

Incidência do carcinoma espinocelular

Esse é o segundo câncer de pele mais frequente, representando 20% desses tumores malignos e que não incluem o melanoma.

Nos últimos 20 anos, os casos têm aumentado significativamente, motivado pelos seguintes fatores:

  • maior exposição da população ao sol
  • uso de câmera de bronzeamento artificial
  • envelhecimento da população
  • aperfeiçoamento do diagnóstico do tumor.

Reforçando a influência da exposição ao sol, o carcinoma espinocelular é mais frequente nos países com maior incidência solar. Além disso, há variação no próprio país, conforme a proximidade com linha do equador.

A incidência também aumenta à medida que a pessoa envelhece. Acima dos 75 anos, por exemplo, é 300 vezes mais frequente do que na faixa etária abaixo de 45.

É muito mais frequente em pacientes brancos do que em negros. Nos Estados Unidos, a incidência em mulheres e homens brancos é de 150 e 360 por 100.000 habitantes, respectivamente, enquanto em negros é de apenas 3 por 100.000. 

Quais são os fatores de risco do carcinoma espinocelular?

Veja quais são os principais fatores de risco para o desenvolvimento desse câncer de pele.

Radiação ultravioleta

É o principal fator de risco do carcinoma espinocelular. O desenvolvimento do tumor é resultado do efeito cumulativo do sol, especialmente a radiação ultravioleta B durante a vida.

Já os outros dois tipos de câncer de pele mais frequentes, o carcinoma basocelular e o melanoma, são induzidos pela exposição intermitente, ou seja, devido a queimaduras solares ocasionais.

Essa diferença explica a maior incidência na população mais idosa. Além deles, existem outras pessoas que são mais susceptíveis a essa doença, como quem:

  • se expõem mais ao sol, como agricultores e marinheiros
  • faz bronzeamento artificial em câmaras que emitem radiação ultravioleta A
  • realiza fototerapia envolvendo a emissão de raios ultravioleta (B).

Outros fatores que influenciam são a intensidade de exposição ao sol nos últimos 5 a 10 anos, a cor da pele, dos olhos e dos cabelos.

Radiação ionizante

A radiação ionizante é aquela que consegue interagir com as células do organismo e causar câncer, como o carcinoma espinocelular.

As principais fontes desse tipo de radiação são:

  • bombas atômicas, como a que ocorreu no Japão
  • radioterapia de tumores malignos
  • radiografia, que permite o diagnóstico por imagem.

Exposição ao arsênico

Alguns países, como Taiwan e México, têm grande concentração de arsênico na água potável. Por isso contam com uma alta incidência de carcinoma espinocelular.

A exposição no trabalho também contribui.

Fator genético

Pessoas que têm outros membros na família com carcinoma espinocelular têm duas a três vezes mais chance de desenvolverem esse câncer de pele.

Os portadores de xeroderma pigmentoso, outra doença hereditária, têm 2000 vezes maior risco de adquirirem, sempre a partir da juventude.

Outras condições, de origem genética, que também implicadas na predisposição a esse problema são:

  • albinismo
  • epidermólise bolhosa
  • epidermodisplasia verruciforme.

Imunossupressão adquirida

A diminuição da imunidade induzida por doenças, como a AIDS, por medicamentos para evitar a rejeição de transplante de órgãos, no tratamento de câncer e no controle de doenças autoimunes, com corticosteroide, aumenta muito o risco de surgimento do CEC. Além disso, predispõe a tumores mais agressivos, o que influencia o perigo de metástase.

Inflamação crônica da pele

Inflamação da pele de longa duração também aumenta as chances do paciente desenvolver carcinoma espinocelular de forma muito agressiva.

Entre os principais tipos de inflamação, podemos citar:

  • cicatrizes resultados de queimaduras
  • úlcera de longa duração na perna
  • fístulas
  • líquen escleroso na área genital da mulher.

Fumo

Os fumantes e usuários de tabaco têm mais possibilidades de desenvolverem o CEC na boca, variando de 20% a mais de duas vezes, comparado aos não fumantes.

Infecção pelo papilomavírus (HPV)

Há a teoria que a infecção pelas variantes do tipo 5, 8, 15, 17, 20, 24, 36 e 38 aumentam as chances de aparição desse tumor.

Apesar disso, atualmente, tem surgido dúvidas sobre essa relação.

Medicamentos

Os pacientes que utilizam medicamentos que induzem as queimaduras de sol, como os utilizados para combater a hipertensão arterial, o psoraleno associado à fototerapia para tratar doenças, como vitiligo e a psoríase, são mais propensos a desenvolver o carcinoma espinocelular.

Outros medicamentos também predispõem ao tumor, como:

  • azatioprina, utilizada para tratar doenças autoimunes
  • o vemurafenib e dabrafenib, úteis no tratamento de metástase de melanoma.

Não existe comprovação da associação com dietas ricas em leite e gordura, selênio e vitamina D.

Como o carcinoma espinocelular se manifesta?

Pode surgir em qualquer parte da pele e das mucosas, inclusive ao redor das unhas, mucosa oral e região anogenital.

Em pessoas brancas, predomina a área exposta ao sol. Nas negras, é mais frequente na parte protegida do sol, como as pernas, região ao redor do anus, genitais e sobre cicatrizes antigas.

Na região genital e ao redor das unhas está relacionado à infecção pelo HPV.

A Doença de Bowen representa uma lesão pré-cancerosa consequente à exposição solar, vírus do HPV e até intoxicação por arsênico. Esta última devido à alta concentração dessa substância na água potável, não existente no Brasil.

Manifesta-se por uma placa eritematosa (avermelhada), bem delimitada e coberta por escama espessa, como na foto 1, abaixo.


Foto 1: Doença de Bowen com placa coberta por escama espessa

A evolução para um verdadeiro carcinoma espinocelular é denunciado pelo aparecimento de ulceração e consequente crosta.

O tumor menos agressivo (menor capacidade de metástase), conhecido como ceratoacantoma, manifesta-se como nódulo com depressão central (foto 2) e está preenchida por material conhecido como queratina.


Foto 2: Carcinoma Espinocelular manifestado por nódulo e depressão central

Apesar de crescer inicialmente mais rápido do que as outras variedades, é o tipo menos agressivo ao ponto de desaparecer espontaneamente.

Os tumores que se originam na pele exposta ao sol, especialmente a partir da ceratose actínica (foto 3), o que ocorre em 60% dos casos, são menos agressivos, ou seja, têm menor capacidade de metástase.


Foto 3: Ceratose Actínica em couro cabeludo

Nesse câncer, desenvolvem-se placas ou nódulos com superfície áspera, endurecidos ou firmes, medindo geralmente entre 0,5 a 1,5, como mostra a foto 4, abaixo.


Foto 4: Carcinoma Espinocelular com tumores (seta 1) em diferentes estágios evolutivos a partir de ceratose actínica (seta 2)

Os casos de maior duração podem atingir grandes dimensões. Os mais agressivos apresentam pápulas ou nódulos carnudos com superfície mais lisa, além de terem maior capacidade de ulcerar (formar feridas) e sangrar facilmente.

Aqueles mais profundos, geralmente, são assintomáticos, porém podem ser dolorosos e causar prurido (coceira).

Os que atingem a parte mais profunda da pele, ao ponto de invadirem os nervos, geram outros sintomas, como:

  • sensação de dormência
  • ardência
  • queimação
  • paralisia motora
  • alterações na visão.

Aqueles que aparecem no lábio inferior surgem a partir da queilite actínica (foto 5), correspondente à ceratose actínica no lábio. Esses tumores têm maior probabilidade de metástase.


Foto 5: Queilite Actínica manifestada por erosões e placas esbranquiçadas

Ainda mais agressivo são os localizados na mucosa oral, especialmente no assoalho da boca, com grande risco de serem fatais.

Os gânglios correspondentes ao câncer primário devem ser examinados através da palpação, como os do pescoço, de modo a detectar metástase.

O diagnóstico clínico pode ser confirmado através de exame histopatológico, realizado através de biópsia.

Além desse exame, pode-se utilizar o dermatoscópio, aparelho aplicado sobre a pele que permite maior visualização das suas estruturas, ajudando muito na identificação.

Tratamento do carcinoma espinocelular

Os cuidados podem variar conforme a área e com a sua seriedade.

Nos iniciais, de baixo risco, recomenda-se a curetagem e eletrocoagulação. Essa técnica também pode ser utilizada em situações de múltiplos tumores, em pacientes com transplante de órgão, por exemplo.

A operação de remoção, com margens de segurança entre 0,5 e 1 centímetro, além de atingir toda a profundidade da pele, é o melhor tratamento. 

A cirurgia micrográfica de Mohs é uma variante, indicada em situações que já recidivaram, com limites mal definidos e de alto risco. Nela, todo material removido é examinado no microscópio.

Outra opção é a criocirurgia, indicada para as condições de baixo risco de metástase e de recidiva, muito aconselhável para quem tem contraindicação de cirurgia. Ela faz a destruição de tecido através da aplicação do frio, com o nitrogênio líquido.

A radioterapia é indicada em pacientes idosos, para reduzir o tumor antes de cirurgia, substituir esse procedimento ou ainda como complemento da mesma.

Ao notar anormalidades e desconfiar de carcinoma espinocelular ou qualquer outro tipo de problema, procure um dermatologista para fazer o diagnóstico e iniciar o tratamento.

Se você quer saber mais sobre câncer de pele, continue lendo no nosso blog.






O que é e o que causa eczema numular?

O eczema numular, também conhecido como dermatite numular e eczema discóide, é uma doença que causa inflamação da pele de forma crônica.

Na maioria dos casos, não se sabe a causa. As lesões afetam, preferencialmente, os membros superiores e inferiores.

Elas têm um formato circular ou oval, como uma moeda, apresentam margem bem definida e causam prurido (coceira) intenso.

Continue lendo e saiba mais sobre o eczema numular.

Incidência do eczema numular

O eczema numular afeta predominantemente os adultos e é mais frequente no sexo masculino.

A maior incidência se situa entre 55 a 65 anos e a idade de início da doença é igual nos dois sexos. 

As crianças são menos afetadas, exceto aquelas portadoras de atopia, ou seja, propensas a desenvolver outras doenças, como:

Qual a causa do eczema numular?

Embora a causa seja desconhecida, vários fatores – agindo isoladamente ou em combinação – podem contribuir para a instalação do eczema numular.

A pele é seca ou induzida a se tornar nas seguintes situações:

  • nos portadores de atopia,
  • devido ao envelhecimento natural,
  • ingestão de medicamentos como a isotretinoína, ouro, metildopa, estreptomicina, isoniazida, interferon alfa 2B, ribavirina e mercúrio do amálgama dentário,
  • banho quente e prolongado com sabonetes comuns,
  • habitantes de clima frio e seco,
  • alergia ao contato com algumas substâncias, como produtos da borracha, formaldeído, sulfato de neomicina e metais,
  • reação alérgica ou infecção por Staphylococcus aureus, Candida albicans e Dermatophagoides farinae,
  • foco interno de infecção, incluindo foco dentário e da parte superior e inferior do aparelho respiratório,
  • estresse emocional,
  • bebida alcoólica,
  • cirurgia de reconstrução mamária para implante de silicone ou procedimento com aparelhos com a função de expandir os tecidos.

Como o eczema numular se manifesta?

As lesões do eczema numular acometem mais frequentemente as pernas. (foto 1A e 1B)

Foto 1A: Eczema Numular na perna
Foto 1B: Vista aproximada da foto 1A

Em segundo lugar, atinge o dorso das mãos e os antebraços. (foto 2)

Foto 2: Eczema Numular com típica forma em moeda no dorso das mãos

É menos frequente no tronco e, neste, a parte inferior é mais afetada do que a superior.

A lesão típica é caracterizada pelo surgimento de placa eritematosa (avermelhada) seguido pelo aparecimento de pápulas (carocinhos) e vesículas (bolhinhas d’água) que aumentam de tamanho quando duas ou mais lesões se encontram ou quando há a extensão periférica que cria o formato característico de moeda.

O tamanho da manifestação varia bastante, podendo ir de 1 a 10 cm. (foto 3A e 3B)

Foto 3A: Eczema Numular na face anterior da coxa
Foto 3B: Vista aproximada da foto 3A, com crosta amarelada, denunciadora de infecção bacteriana

A vesícula, ao se romper, elimina exsudato que, em contato com o ar, forma crosta, frequentemente do tipo melicérica (cor de mel e cera).

Quando isso ocorre, é um sinal que há infecção bacteriana.

Com o tempo, as lesões se tornam secas e começam a descamar. Nessa fase crônica, há tendência para a involução no centro e extensão periférica, dando lugar a eflorescências anulares, similares a tinha (impinge). (foto 4)


Foto 4: Eczema Numular com involução da parte central e gerando aspecto de tinha (impinge) 

Normalmente, o eczema numular causa diversas lesões na pele. Cada surto dura de semanas a meses com recorrências durante anos.

As lesões desaparecem sem deixar cicatriz e as recidivas podem ocorrer no mesmo local ou não.

Geralmente, as alterações cutâneas são cercadas por pele muito seca, especialmente nas pernas, e há muita coceira.

Exames e diagnóstico

Em caso de suspeita de dermatite de contato, deve ser realizado teste de contato.

Nesse exame, é feita a aplicação de substâncias na pele que comumente causam as lesões, que giram em torno de 30. 

Após dois dias da aplicação, é realizada a leitura para identificar a substância geradora do eczema de contato, que é denunciada pelo aparecimento de uma pequena lesão.

Foto 5: Teste de contato – exame de alergia

Tratamento do eczema numular

O tratamento do eczema numular envolve uma série de mudanças de hábitos para evitar o ressecamento da pele, como:

  • não tomar banho quente e prolongado,
  • usar sabonetes especiais,
  • aplicar cremes hidratantes com ceramida ou ureia logo após sair do banho,
  • usar aparelhos umidificadores no ambiente domiciliar em clima frio e seco.

Para controlar a inflamação da pele utiliza-se um creme contendo corticosteroide de alta potência anti-inflamatória que deve ser prescrito por um dermatologista após analisar as suas lesões.

Nos casos muito extensos, pode ser utilizada a fototerapia, tratamento que consiste na aplicação da radiação ultravioleta B de banda estreita, dentro de uma cabine.

Outra opção é fazer a exposição direta ao Sol no horário entre 10 horas da manhã e 2 horas da tarde, iniciando com tempo de exposição de 10 minutos.

Gradualmente, pode ser aumentado o tempo até o máximo de 30 minutos.

Também pode se recorrer ao uso de corticosteroide por via oral para os casos que atingem grande extensão da pele ou que apresentem recidivas frequentes após a suspensão de creme contendo corticosteroide.

Lembre-se que a automedicação pode trazer sérias consequências para a saúde e causar a piora do quadro. Se você tem eczema numular e deseja iniciar o tratamento, entre em contato conosco e agende uma consulta.




Pitiríase rósea: saiba mais sobre essa erupção avermelhada

A pitiríase rósea, também conhecida como pitiríase rósea de Gibert, é uma erupção avermelhada de aparecimento súbito na pele.

Ela é composta por pápulas (carocinhos) ovais e avermelhados que aparecem com escamas e se manifestam, principalmente, no tronco e na parte proximal dos membros.

De forma geral, desaparece espontaneamente, sem necessitar tratamento.

Continue lendo para saber as causas da pitiríase rósea, suas manifestações clínicas e métodos de tratamento.

O que causa a pitiríase rósea?

Não se sabe exatamente a causa da pitiríase rósea. 

Acredita-se que o seu aparecimento está relacionado com infecções virais, principalmente com o herpes vírus tipo 7.

Há estudos, ainda, que a relacionam com outros vírus, como:

  • herpes vírus tipo 6,
  • herpes vírus tipo 8,
  • vírus pandêmico da influenza A H1N1.

Há também a teoria de que há uma predisposição genética.

Existem diversos motivos que reforçam a teoria da pitiríase rósea estar ligada com infecções virais, como o fato das manifestações na pele, às vezes, serem precedidas de febre, astenia, dor de cabeça (cefaleia) e sensação de mal-estar, sintomas frequentes de infecção viral.

Além disso, também há outros, como:

  • aparecimento mais frequente em períodos definidos do ano, tendo maior incidência no verão e no outono,
  • ocasionalmente surge em pequeno grupo de pessoas,
  • semelhança das manifestações na pele com as doenças de origem viral,
  • recidiva rara (2%),
  • ocorrência maior nas gestantes (18%) comparado às não gestantes (6%), estado fisiológico onde a imunidade diminui, o que favorece infecções,
  • detecção de partículas como vírus ao exame com o microscópio eletrônico.

Como a pitiríase rósea se manifesta?

A pitiríase rósea é mais frequente em crianças de maior idade e adultos jovens, e predomina no sexo feminino.

Em uma minoria dos casos, antecedendo a erupção cutânea, surgem outros sintomas, como:

  • dor de cabeça,
  • sensação de mal-estar,
  • inflamação na garganta (faringite).

A manifestação inicial na pele é de uma mancha de cor rósea ou salmão, com borda elevada, centro amarelado, medindo entre 2 e 5 centímetros, redonda ou oval (foto 1a).

Foto 1a – Pitiríase Rósea em dorso, com lesão inicial em medalhão

Em seguida, surge escama e começa a clarear no centro, permanecendo a escama com aspecto de papel de cigarro na parte interna da borda da lesão. É conhecida como lesão medalhão ou “lesão mãe” e ocorre em 50 a 90% dos casos (foto 1b).

Foto 1b – Pitiríase Rósea, foto aproximada, apresentando pele avermelhada e descamação no centro

Após 7 a 14 dias surgem lesões menores, com o mesmo aspecto da lesão inicial, localizadas no tronco e parte proximal dos membros, especialmente nas coxas.

O eixo maior das lesões tende a tomar direção oblíqua das linhas de clivagem da pele, especialmente nas costas, distribuição conhecida como “Árvore de Natal” (foto 2).

Foto 2 – Pitiríase Rósea com distribuição em árvore de natal nas costas

A erupção da pele tende a se disseminar de forma centrífuga (do centro do corpo para a periferia) ou de cima para baixo do corpo, no curso de alguns dias (foto 3).

Foto 3 – Pitiríase Rósea com lesões na axila, evidenciando eritema (vermelhidão) e escamas

A involução se manifesta pelo desaparecimento gradual do eritema (pele avermelhada) e das escamas em 4 a 8 semanas. Raramente, tem duração de vários meses.

Pode permanecer manchas hipocrômicas (manchas mais claras) durante algumas semanas ou hipercrômicas (mais escuras), estas mais frequentes nas pessoas de pele escura. Nesses casos, desaparece após vários meses ou até mais. 

Nas crianças, a doença se manifesta de forma muito diferente. Ao contrário dos adultos, envolve também o couro cabeludo e o rosto.

Pode ter localização inversa à do adulto, ou seja, afetar a face e a parte distal dos membros, poupando o tronco.

As lesões são muito menores, constituídas por pápulas (carocinhos) localizadas nos folículos pilosas, além de vesículas (bolhinhas d’água), pústulas (bolhinhas de pus) (foto 4) e, menos frequentemente, semelhante à urticária ou púrpura.

Foto 4 – Pitiríase Rósea variedade atípica, em criança, com pápulas (carocinhos) de pequeno tamanho

Geralmente as lesões são assintomáticas ou às vezes há sensação de prurido (coceira) discreto, exceto nos portadores de asma e rinite, quando pode ser de maior intensidade.

Em 28% dos casos, pode ocorrer inflamação da garganta (lesões orofaríngeas), visualizada como manchas avermelhadas mais claras (eritema) ou mais escuras (petéquias), que também desaparecem espontaneamente.

O diagnóstico diferencial, ainda com apenas a lesão medalhão, deve ser realizado com a tinha (impinge).

O exame micológico, que avalia a presença de fungos, esclarece o diagnóstico.

Já na fase da doença com todas suas manifestações, deve ser diferenciado da sífilis secundária por meio de um exame de sangue.

Vale ressaltar ainda que a primeira manifestação da AIDS na pele é muito semelhante à pitiríase rósea, por isso, é preciso de atenção.

Tratamento

A pitiríase rósea, normalmente, se cura espontaneamente. 

Além disso, não é preciso se preocupar com a transmissão da doença.

Dessa forma, o tratamento deve ser realizado apenas quando existir coceira, controlada com o uso de corticosteróide de média potência anti-inflamatória, aplicado na pele durante 2 a 3 semanas.

É discutível a eficácia do uso do aciclovir por via oral e da fototerapia com radiação ultravioleta, reservados para os casos mais graves.

Ao desconfiar que você tem pitiríase rósea, agende uma consulta com um dermatologista. Como já falado, os seus sintomas podem ser confundidos com outras doenças, como sífilis ou AIDS.

Entre em contato conosco para agendar um horário para realizar exames e ter um diagnóstico correto.


Ceratose pilar: saiba mais sobre os carocinhos na pele que parecem acne

A ceratose pilar é uma desordem hereditária muito frequente e que ocorre por um distúrbio no processo de queratinização do pelo (crescimento do mesmo).

Como consequência, há a formação de pápulas (carocinhos) de consistência áspera, relacionadas ao fio, localizadas mais frequentemente nos braços, coxas e rosto.

Continue lendo para saber mais sobre a ceratose pilar, entender porque ela ocorre e se é possível tratá-la.

Como a ceratose pilar aparece?

Existem dois padrões de apresentação. O primeiro, inicia antes de 2 anos. Esse é o mais frequente. O segundo, surge aos 10 anos.

A ceratose pilar afeta entre 2% a 12% das crianças e não há predominância de gênero nem de raça.

O que causa a ceratose pilar?

A ceratose pilar é uma doença relacionada à genética. Embora não seja bem determinado o seu modo de transmissão, existe uma tendência a acreditar que seja autossômico dominante, ou seja, chance de 50% de cada filho herdar a doença.

Não se sabe exatamente o que ocorre para haver a formação dos carocinhos, mas os especialistas acreditam que há uma alteração no processo de queratinização do pelo, envolvendo a substância queratina, associada a mutações da filagrina.

Como é a manifestação da ceratose pilar?

A ceratose pilar pode acometer diversas partes do corpo, como:

  • Rosto
  • Braços
  • Cotovelos
  • Joelhos
  • Parte proximal das coxas
  • Nádegas
  • Tronco

Manifesta-se como pápulas e geram uma sensação áspera ao toque, dando a impressão de “pele arrepiada”, frequentemente cercadas de eritema (vermelhidão).

Foto 1 – Ceratose Pilar no braço com pápulas (carocinhos), dando aspecto de pele arrepiada

Às vezes, o eritema ao redor do pelo pode ser muito acentuado, especialmente nas bochechas, testa e pescoço. Nesses casos, chamamos queratose pilar rubra.

Foto 2 – Ceratose Pilar forma rubra com pápulas (carocinhos) no rosto e rodeada por eritema (vermelhidão)

As pápulas podem se distribuir de forma agrupada ou dispersa. As lesões, normalmente, melhoram gradualmente ao atingir a adolescência. Apesar de haver essa tendência, a condição pode persistir durante a vida adulta.

Nas áreas de atrito, como coxas, nádegas e dorso, pode surgir pústulas (bolhinhas de pus) com aparência de foliculite.

Foto 3 – Ceratose Pilar nas coxas com pústulas (bolinhas de pus), dando aspecto de foliculite

A única queixa dos pacientes é o desconforto pela sensação da pele com textura áspera ao toque, além da aparência antiestética. Normalmente, os sintomas pioram durante o inverno e na gravidez.

A ceratose pilar pode estar associada a outras doenças, como:

Tratamento da ceratose pilar

Mesmo havendo uma tendência a diminuir de intensidade e até de desaparecer no início da vida adulta, muitos pacientes desejam realizar o tratamento por motivo estético, para reduzir a aspereza e vermelhidão da pele.

Isso pode ser feito de diversas formas. Para evitar o ressecamento da pele, por exemplo, o banho não deve ser quente e prolongado. Além disso, aconselha-se o uso de sabonetes especiais.

Também recomenda-se a aplicação de creme prescrito por um dermatologista, para reduzir a sensação de aspereza da pele. Nesses casos, o uso deve ser contínuo. 

Como segunda opção, para os que não respondem às alternativas anteriores, pode-se utilizar cremes contendo ácido retinóico, devendo ser recomendado por um médico especialista.

Para a vermelhidão, o dermatologista pode recomendar uma pomada com ação anti-inflamatória, para ser utilizada uma ou duas vezes ao dia, por até 2 semanas.

Por fim, como terceira opção, temos a ingestão de retinóides, a aplicação de laser e a microdermoabrasão.

Ao suspeitar dessa condição, procure um especialista para fazer uma avaliação e iniciar o tratamento mais indicado.

Se morar em Recife, conte conosco para isso. Agende uma consulta com um especialista e saiba mais sobre a ceratose pilar.




Melanoma: o que é, por que ocorre e como tratar

O melanoma é o tumor maligno mais agressivo, sendo o maior responsável pela mortalidade. Ele está relacionado aos sinais escuros da pele.

É consequente à transformação maligna do melanócito, célula responsável pela produção da melanina, pigmento que define a cor da pele. Essa célula, normalmente, está localizada na junção entre a camada mais superficial, a epiderme, e a derme.

Quer saber mais sobre o melanoma, ver porque ele ocorre e como é feito o tratamento? Então continue lendo e confira!

Incidência do melanoma

O melanoma é o quinto câncer mais frequente do organismo, tanto em homens quanto em mulheres. Apesar disso, ele é mais raro do que o outro tipo de câncer de pele, chamado de não melanoma.

Sua incidência aumenta com a idade. É raro na infância, correspondente a cerca de 2% dos casos, onde a maioria afeta os adolescentes entre 15 e 16 anos.

Existe uma relação inversa entre a frequência e a mortalidade do câncer de pele, onde o melanoma, por exemplo, é responsável por 3% dos tumores malignos da pele e 67% da mortalidade.

Entre todos os tipos de câncer, esse é o mais fatal nos adultos jovens.

Isso ocorre pela alta probabilidade dessa neoplasia sofrer metástase, o que ocorre quando a doença se espalha para outros órgãos.

A incidência do melanoma vem aumentando na pele mais clara, dobrando sua incidência a cada 10 anos. Nos Estados Unidos, triplicou na população branca nos últimos 20 anos. 

O que causa esse câncer de pele?

Os fatores de risco para o surgimento do melanoma estão relacionados tanto com questões ambientais quanto com a hereditariedade.

A exposição solar é o principal fator ambiental. As pessoas mais susceptíveis a essa irradiação são aquelas com pele, olhos e cabelos claros e que têm maior tendência a se queimar mais do que de se bronzear, especialmente em áreas do corpo mais sujeitas à exposição solar, mesmo a intermitente. 

Outros fatores importantes são a grande intensidade de exposição solar na infância, ao ponto de gerar a formação de:

  • Bolhas
  • Grande quantidade de nevos melanocíticos, os famosos sinais escuros
  • Nevos atípicos (sinais escuros especiais)

Os pacientes com relato de melanoma no passado, assim como melanoma em outros membros da família, também são mais propensos a essa doença.

Aproximadamente 10% dos casos de melanoma tem histórico na família desse tumor, reforçando a influência da hereditariedade, geralmente associada com a síndrome dos nevos atípicos.

Como o melanoma se manifesta?

O melanoma pode surgir em qualquer local da pele e das mucosas, com o aparecimento de um sinal escuro ou da mudança de aspecto de um já existente.

Dois terços dos melanomas surgem espontaneamente, independente de nevo (sinal) preexistente.

Para identificar um sinal que pode ser câncer de pele, deve-se utilizar a regra do ABCD:

  • Assimetria: impossibilidade de ser dividido igualmente ao meio
  • Bordas irregulares: como se “derramasse pigmento” ao redor
  • Cor: diferentes tonalidades, desde o marrom-claro até o negro escuro vermelho, azul e cinza
  • Diâmetro: que ultrapasse 6 milímetros
Foto1 – Regra ABCD

A pele é afetada em 90%, o olho em 9% e as mucosas do trato digestivo e respiratório em 1%. E uma localização peculiar é na unha, de difícil diagnóstico.



Foto 2 – Melanoma na unha com bordas irregulares e diferentes tonalidades e ulcerado 

Por isso, é muito importante o exame dermatológico completo na busca pelo tumor precocemente, representado por uma mancha, mas que pode evoluir para um tumor elevado, com tendência a surgir ferida (ulcerar).


Foto 3a – Melanoma inicial cercado de sinais escuros benignos

Foto 3b – Melanoma inicial cercado de sinais escuros benignos (em aproximação) 

Portanto, o grande desafio é tratar o melanoma na fase inicial, por seu difícil diagnóstico. Já que pode ser facilmente confundido com um sinal escuro benigno, onde há a possibilidade de ser totalmente curado, ao contrário dos tumores em estágio avançado, que conseguem se propagar para outros órgãos, como pulmão, cérebro e fígado.


Foto 4 – Melanoma em estágio avançado com diferentes tonalidades e borda irregulares

Foto 5 – Nevo melanocíticos adquirido, com bordas regulares e tonalidade uniforme

Daí a necessidade de educação continuada da população durante todo o ano, para tomar cuidado com a exposição ao sol e assim evitar o surgimento do melanoma, especialmente em pessoas de pele branca, além do diagnóstico precoce. 

O Instituto ProntoPele é uma ONG comprometida com essa educação da população, através de ações nos mais variados ambientes, como escolas, unidades de saúde e praias.

Como é feito o diagnóstico do melanoma?

O dermatoscópio é um aparelho composto de lentes de aumento, que quando aplicado sobre a pele, permite a visualização até suas camadas mais profundas. O seu uso permite a detecção de várias alterações do melanoma, impossível com apenas o exame clínico.

O mapeamento dos nevos melanocíticos (sinais escuros comuns) de toda pele com o dermatoscópio, feito semestral ou anualmente, acompanhado de fotos digitais da pele e do próprio aparelho, são muito importantes para o acompanhamento das modificações do aspecto desses sinais, para a detecção do melanoma na fase precoce, ainda curável.

O exame histopatológico, conhecido como biópsia, permite a confirmação do diagnóstico, além de avaliar a espessura do tumor, fundamental para determinar o prognóstico.

Tratamento do câncer de pele tipo melanoma

O tratamento ideal, totalmente curável, para o melanoma é quando o tumor é tratado precocemente, ainda no local de origem.

Ele consiste na remoção cirúrgica de todo tumor. Não é necessária a remoção com margens muito amplas, no máximo, 2 centímetros.

Quando existe suspeita de disseminação do tumor (metástase) para os gânglios (ínguas) mais próximos do tumor, identificados pelo aumento de volume desses e confirmado por exames de imagem (como a ressonância magnética e a tomografia), esses gânglios devem ser removidos cirurgicamente.

Não havendo gânglio linfático com suspeita de metástase pelos métodos citados acima, a conduta atual é a pesquisa do linfonodo sentinela. 

Essa pesquisa consiste da linfocintilografia pré-operatória, seguida pela linfadenectomia (remoção cirúrgica do gânglio regional) com o auxílio de um corante específico e, finalmente, o estudo histopatológico (análise ao microscópio do gânglio removido)

Os casos de melanoma em estágio mais avançado, manifestados por metástase além dos gânglios linfáticos, temos os seguintes recursos terapêuticos:

Metastasectomia: remoção cirúrgica de metástase, quando ainda em pequeno número pode resultar em uma sobrevida longa, utilizada isoladamente ou como complemento de um tratamento com medicamento antitumoral prévio.

Imunoterapia: um grande avanço na sobrevida dos pacientes com essa doença em estágio avançado, ou seja, com metástase disseminada para vários órgãos. Tem sido obtido pela combinação de medicamentos que agem sobre as alterações imunológicas do paciente, alterações essas que permitiram a instalação do melanoma. 

Essa combinação consiste do pembrolizumabe, nivolumabe e ipilimumabe, e que podem oferecer uma sobrevida no período de 5 anos de até 55%.

Terapia direcionada: consiste na atuação de medicamentos diretamente nas alterações genéticas das células do melanoma e que geraram uma multiplicação desordenada delas. 

Os medicamentos mais utilizados são a dabrafenid, trametinid, vermurafenid, cobimetinid e encorafenib. São também mais eficazes quando utilizados em combinação.

Radioterapia: tem ação paliativa, especialmente sobre metástase no cérebro.

Quimioterapia tradicional: não é mais utilizada, já que não melhora a sobrevida dos pacientes com melanoma em estágio avançado.

Se você ainda tem alguma dúvida sobre o melanoma ou deseja examinar os seus sinais, entre em contato conosco para agendar uma avaliação individual.

O que causa o envelhecimento da pele e como prevenir esse processo?

O envelhecimento da pele é decorrente do processo normal, fisiológico, inevitável e induzido pelo Sol. Nesse último caso, chamamos de fotoenvelhecimento.

Apesar de ser um processo normal, existem algumas maneiras de diminuir os efeitos por meio da prevenção ou de procedimentos corretivos.

Continue lendo o nosso post e entenda mais sobre o envelhecimento da pele!

Saiba mais sobre o envelhecimento da pele

Confira quais são as principais causas e como retardar o envelhecimento da pele:

Envelhecimento fisiológico da pele

No envelhecimento fisiológico, a pele tende a se tornar mais fina pela diminuição da espessura da camada mais superior, a epiderme.

A junção da epiderme com a camada logo abaixo dela, a derme, se torna mais frágil, manifestada pela maior facilidade de desprendimento da pele por traumas, como o provocado pela tentativa de remover um curativo adesivo.

Também ocorre a diminuição da transferência de nutrientes, incluindo gordura, que protege a camada córnea, parte mais superficial da pele.

Isso provoca o ressecamento da pele (xerose) e o comprometimento da importante função de barreira dela. Essa função diminuída resulta em maior vulnerabilidade à penetração de microrganismos e substâncias alérgicas, assim como há maior perda invisível de água.

A perda de água resulta em maior probabilidade de a pele se tornar seca, inflamar e, consequentemente, coçar. 

Foto 1. Pele seca na perna

Essas alterações se expressam na maior probabilidade do surgimento de eczema, especialmente nas pernas (parte mais seca do corpo)


Foto 2. Eczema na perna

e de dermatite de contato por sabões e detergentes nas mãos.

Foto 3. Dermatite de contato nas mãos

O número de células de Langerhans, muito importantes na função da imunidade e consequente defesa da pele contra microrganismos, diminui.

Outras consequências do envelhecimento fisiológico

Há, ainda, uma redução do crescimento das unhas em 50%, na sudorese e na atividade das glândulas sebáceas, estas últimas responsáveis pela produção da oleosidade da pele, através da produção do sebo.

A derme, camada localizada logo abaixo da epiderme, apresenta diminuição de sua espessura, dos vasos sanguíneos e dos fibroblastos (responsáveis pela produção de fibras colágenas e elásticas da pele). Essas alterações contribuem para retardar a cicatrização de feridas.

A rede de fibras elásticas sofre degeneração após a quarta década da vida. Modificação nas macromoléculas, conhecida como glicosaminoglicanos na derme, gera desidratação e diminuição da resistência da pele em suportar traumas.

A perda de gordura da pele gera incapacidade de conservar o calor, bem como formação de rugas e flacidez, além da suscetibilidade ao trauma.

A pele que é responsável pela produção de 90% de vitamina D, através da radiação ultravioleta, sofre uma diminuição da síntese dessa vitamina.

O idoso deve repor essa perda através da ingestão da vitamina D e de exposição dos braços e antebraços ao Sol, durante 15 minutos, diariamente. Isso previne as fraturas ósseas, comum nessa faixa etária.

A aplicação de creme contendo ácido retinóico restaura essas alterações, consequente ao envelhecimento normal da pele.

Fotoenvelhecimento

O fotoenvelhecimento é resultado da exposição prolongada e repetida ao Sol e produz a maioria das alterações prematuras e indesejáveis do envelhecimento da pele, do ponto de vista cosmético.

Esse tipo de envelhecimento ocorre, principalmente, em pessoas de pele branca, chegando a atingir de 80% a 90% dessa população.

Os fatores de risco para o fotoenvelhecimento são:

  • Idade avançada
  • Sexo masculino
  • Exposição exagerada ao Sol
  • Viver em locais com alta irradiação solar

As pessoas de pele clara podem apresentar manifestações de fotoenvelhecimento antes dos 30 anos, em 72% dos homens e 47% das mulheres.

Foto 4. Rugas em paciente jovem

Na população de pele escura, os sinais de envelhecimento da pele não são evidentes antes de 50 anos e a gravidade não é tão grande quanto na população branca da mesma faixa etária.

Envelhecimento da pele pelos raios solares

Tanto a radiação ultravioleta A (UVA) quanto a ultravioleta B (UVB) contribuem para a agressão às fibras elásticas e colágenas, glicoproteínas e glicosaminoglicanos da derme, responsáveis pela força e resiliência da pele.

Porém, a radiação UVA agride mais a pele por ter maior capacidade de penetração, chegando até a derme, enquanto a UVB se limita à epiderme.

Além disso, a UVA é 10 vezes mais abundante do que a UVB na atmosfera.

A radiação ultravioleta B gera alterações malignas no DNA das células da epiderme, parte mais superficial dela, ponto de partida para o surgimento do câncer, através da disseminação dessas células para a parte mais profunda da pele, a derme.

A UVB também é responsável pela queimadura solar.

Foto 5. Queimadura solar

As radiações na faixa do infravermelho do espectro solar, que representam 50% da energia solar, também contribuem para o fotoenvelhecimento da pele.

Outros fatores ambientais também podem contribuir para o envelhecimento da pele, como:

Fumo: acelera muito o envelhecimento da pele consequente à diminuição da produção de fibras colágenas. Manifesta-se pela “face do fumante” através do aparecimento de rugas muito profundas ao redor da boca e dos olhos, superfície irregular da pele e tonalidade acinzentada.

Foto 6. Envelhecimento pelo fumo

Poluição do ar: poluentes das indústrias, dos automóveis e do ozônio do solo podem contribuir para o envelhecimento da pele.

Manifestações clínicas do fotoenvelhecimento

Veja quais são as principais manifestações do envelhecimento da pele provocadas pela exposição excessiva ao Sol:

Ceratose actínica: Ocorre o surgimento de células malignas na epiderme, que se expressa clinicamente como lesões pré-malignas.

Foto 7. Ceratose Actínica na cabeça

Telangiectasias: Surge dilatações dos vasos mais superficiais da pele.

Foto 8. Vasos sanguíneos dilatados no nariz

Púrpura senil de Bateman: se manifesta por manchas avermelhadas consequentes ao extravasamento de sangue dos vasos superficiais da pele, localizadas na parte mais exposta ao Sol como  antebraços e dorso das mãos.

Foto 9. Púrpura senil no antebraço

Elastose actínica: representa um espessamento da pele associado à cor amarelada.

Fotos 10. Elastose Actínica: pele amarelada e enrugada. Foto autorizada pelo Dr. Samuel Freire, do Atlas Dermatológico

Cutis rhomboidalis nuchae: surgem sulcos profundos na nuca.

Foto 11. Cutis rhomboidalis nuchae: rugas profundas na nuca

Poiquilodermia de Civatte: pigmentação mosqueada e telangiectasias (vasos superficiais dilatados da pele) atingindo a parte lateral do pescoço e a face anterior do tórax.

Foto 12.a Poiquilodermia de Civatte em face lateral do pescoço
Foto 12.B Poiquilodermia de Civatte em face anterior do tórax

Síndrome de Favre-Recouchot: caracterizada pelo aparecimento de várias comedões (cravos) ao redor dos olhos. 

Foto 13. Síndrome de Favre-Recouchot: comedões (cravos) abaixo da pálpebra

Hipomelanose gutata idiopática: manchas brancas pequenas e localizadas na parte externa nos antebraços, nas pernas e nas  coxas. 

Foto 14. Hipomelanose gutata idiopática na perna

Lentigo solar: manchas escuras na pele mais exposta ao Sol como rosto, antebraços e dorso das mãos.

Foto 15. Lentigo Solar no dorso da mão

Milium: cisto epidermoide de pequeno tamanho, conhecido popularmente como cisto de massa.

Foto 16.a Milium abaixo do lábio

Foto 16.b Milium na pálpebra inferior. Foto autorizada pelo Dr. Samuel Freire, do Atlas Dermatológico

Hiperplasia sebácea: tumor de natureza benigna, frequente no idoso, resultante da hipertrofia da glândula sebácea da pele. Manifesta-se por pápulas (carocinhos) da cor da pele ou de coloração amarelada com centro umbilicado (deprimido), preferencialmente no nariz, na testa e regiões malares (bochechas). 

Foto 17. Hiperplasia sebácea acima das sobrancelhas

Tratamento do fotodano

O tratamento do fotodano pode ser feito de duas formas:

Preventivo

A melhor maneira de prevenir é por meio da proteção solar e hábitos saudáveis, evitando a exposição ao sol no horário entre 10 e 16 horas.

O reflexo do Sol na água, concreto e principalmente na neve, pode aumentar a exposição solar em até 90%, enquanto permanecer na sombra pode diminuir essa exposição entre 50% e 90%.

O uso regular de filtro solar com amplo espectro de proteção, incluindo UVA e UVB, e com fator de proteção mínima de 30, é muito efetivo.

É importante haver a aplicação a cada 2 horas, principalmente durante a exposição direta.

Também recomenda-se o uso de roupas especiais (fibra sintética, tecidos mais espessos, cores mais escuras), chapéus de aba larga e óculos escuros.

Curativo

O tratamento curativo desse tipo de envelhecimento da pele sempre deve ser acompanhado por um médico especializado para evitar queimaduras ou outros problemas na pele.

A aplicação de ácido retinóico, como a tretinoína, o adapaleno e o tazaroteno, é muito efetivo no combate ao envelhecimento da pele, especialmente o primeiro.

De modo a evitar irritar a pele, é recomendado iniciar o tratamento com aplicação 2 vezes por semana e em baixas concentrações.

Além disso, o resultado cosmético é o mesmo daquele em maiores concentrações. Exemplificando, a tretinoina na concentração de 0,025% tem o  mesmo efeito da utilizada  a 0,1%, porém esta última deixa a pele mais sensível à radiação solar.

O 5 fluoruracil tópico combate a ceratose actínica (lesão pré-maligna), além de rejuvenescer a pele.

Já os peelings químicos envolvem a aplicação de substâncias químicas que removem a pele danificada pelo Sol, substituindo-a por uma pele mais jovem, sem manchas e sem lesões pré-malignas. É relativamente barato e muito seguro.

Outros métodos eficazes são:

  • Terapia fotodinâmica
  • Aplicação da toxina botulínica (Botox)
  • Preenchedores injetáveis como o de ácido hialurônico
  • Laser

Marque sua consulta conosco e tenha o melhor tratamento curativo para o envelhecimento da pele! Somos especializados em procedimentos estéticos e dermatologia.

Esporotricose: micose subcutânea mais frequente no Brasil

A esporotricose é uma micose relacionada ao fungo Sporothrix schenckii que atinge, geralmente, a pele e o tecido celular subcutâneo, a parte profunda da pele correspondente à gordura.

Em alguns casos, essa micose também pode atingir outros órgãos nos pacientes com a imunidade deprimida.

Continue lendo o nosso post e saiba mais sobre a incidência, causa e manifestações da esporotricose.

Incidência da esporotricose

A esporotricose tem distribuição em todo o mundo, principalmente em regiões tropicais e subtropicais que apresentam altas temperaturas e umidade. 

Ela é a micose subcutânea mais frequente na América Latina, inclusive no Brasil.

Os profissionais mais afetados são os que têm contato com o solo, plantas ou materiais contaminados com o fungo, como jardineiros e agricultores.

Também é comum entre os que têm contato com alguns animais, como veterinários, uma vez que o fungo já foi detectado em animais como cachorros, gatos, tatus, chimpanzés, iguanas e roedores.

Ocorre em qualquer idade, sendo os adultos os mais afetados. Predomina nas mulheres em alguns estudos e em homens em outros.

Atualmente, tem havido grande surto envolvendo famílias em área urbana, tendo os animais, principalmente o gato, e menos o cão, como grandes transmissores.

A transmissão urbana tem sido maior do que na área rural.

Publicações recentes têm demonstrado aumento da incidência, assim como das formas clínicas mais graves e atípicas.

O que causa a esporotricose?

O agente etiológico da esporotricose é um fungo pertencente ao gênero Sporothrix e existindo 6 espécies, sendo o mais frequente o S schenckii. No Brasil, a variedade brasiliensis é muito frequente, responsavel por epidemias envolvendo a transmissão principalmente pelo gato. Essa variedade é tão ou mais virulenta do que a espécie S. schenckii.

A infecção ocorre geralmente por penetração do fungo nas partes mais profundas da pele, a derme e o subcutâneo, após trauma ou abrasão produzido por material infectado.

Menos frequentemente, ocorre pela inalação do fungo a partir do solo

Essa última maneira de transmissão é responsável pelas formas pulmonares e disseminadas, e relacionadas com a diminuição da imunidade do paciente como ocorre nos casos de:

  • Alcoolismo
  • AIDS
  • Diabetes
  • Uso de corticosteróides ou outros medicamentos que deprimem a imunidade, como os utilizados em quimioterapia

Quando o fungo  penetra no organismo através da pele, é estabelecida uma resistência através da imunidade do indivíduo, comprovada pela permanência da doença na pele e sistema linfático da pele, raramente se disseminando para outros órgãos.

Nesses casos, pode acontecer até cura espontânea.

Quando ocorre essa disseminação, as vias de penetração do fungo podem ser a respiratória ou a digestiva.

Grande parte da população já teve contato com o fungo sem desenvolver a doença devido à integridade do sistema imunológico. Isso foi comprovado pelo teste de inoculação na pele da esporotricina, com reação positiva nessa população. 

Manifestações clínicas da esporotricose

A esporotricose pode se manifestar de diferentes maneiras. Existem quatro formas clínicas:

Forma cutânea localizada

A lesão surge correspondente ao local de inoculação do fungo, geralmente única. Podem ocorrer pequenas lesões ao redor da inicial.

Coincide com alta imunidade do hospedeiro contra o fungo.

Os locais mais frequentes coincidem com aqueles mais expostos à inoculação do fungo, como as mãos e antebraços,os locais mais afetados, porém o rosto e membros inferiores também podem ser comprometidos.

Essa lesão de inoculação, conhecida como cancro, inicia-se como pápula (carocinho) associada à pústula (bolhinha de pus) ou placa infiltrada que evolui para nódulo simples ou ulcerado

Cresce excentricamente (crescimento para fora), apresentando coloração violácea, seguido pelo surgimento de pequenas fístulas ou abscessos.

Esporotricose cutânea localizada
Esporotricose cutânea localizada

Esta forma clínica não afeta o estado geral do paciente e pode haver até cura espontânea.

Forma cutâneo-linfática

É a forma clínica mais comum.

Além da lesão inicial do cancro, citada anteriormente, após semanas ou meses, a partir dessa lesão, surgem nódulos, inicialmente da cor da pele.

Após um período, eles se tornam avermelhados, indolores, seguindo o trajeto dos vasos linfáticos, como cordões( forma linear).

Os nódulos amolecem, geram fístulas para eliminação de secreção purulenta.

Muitas vezes se ulceram, adquirindo aspecto de feridas e podem ser seguidos pela formação de crostas.

Esporotricose cutâneo- linfática

Esporotricose cutâneo- linfática (foto cedida pela Dra. Cláudia Ferraz)

Nos membros, o trajeto se dirige para as axilas ou virilhas em membros superiores e inferiores, respectivamente. Na face, tem trajeto descendente.

Geralmente é unilateral, exceto quando houver múltiplos pontos de inoculação do fungo.

Não há comprometimento do estado geral do paciente. Quando não tratada, pode permanecer ativa durante anos ou curar espontaneamente.

Forma cutânea-disseminada

É uma forma rara da esporotricose.

A partir da penetração na pele, o fungo vai para a corrente sanguínea para se disseminar para todo o organismo. Normalmente, ocorre consequente à baixa imunidade do paciente, como ocorre na AIDS e no alcoolismo.

Também pode acontecer através da inalação ou ingestão do fungo.

Manifesta-se na pele pelo aparecimento de múltiplos nódulos e abscessos semelhantes à tuberculose, mas também pápulas ( carocinhos), nódulos subcutâneos, lesões ulcerovegetantes e verrucosas.

Podem também surgir lesões como pápulas, lembrando o molusco contagioso.

Os pacientes referem comprometimento do estado geral(astenia, anorexia, por exemplo), além de haver disseminação do fungo para todo o organismo.

Formas extra cutâneas 

Sempre ocorre nos pacientes com a imunidade comprometida e são raras.

São muito confundidas com outras doenças. Portanto, são de diagnóstico difícil. Acomete outros órgãos como os pulmões, as articulações, o cérebro e os olhos.

Diagnóstico de esporotricose

Realizar a cultura do fungo é muito importante para confirmar o diagnóstico.

Cultura micológica- Aspecto microscópica (foto cedida pela Dra. Claudia Ferraz)

O exame direto ao microscópio, assim como o exame histopatológico, raramente demonstram a presença do fungo.

A reação à esporotriquina (substância do fungo) consiste na injeção dessa preparação na pele do paciente e leitura após 48 horas.

Indica contato do paciente com o fungo, porém pode acontecer em pessoas que foram infectadas, mas não adoeceram, o que é muito comum.

Serve para confirmar um caso suspeito e como inquérito epidemiológico de avaliação da disseminação do fungo na comunidade.

As provas sorológicas (no sangue) servem para diagnosticar as formas atípicas e extra cutâneas da doença.

Pode ser realizado a imunofluorescência indireta, fixação do complemento, imunodifusão, eletroforese, soroaglutinação do látex, o ELISA e o PCR. Os dois últimos são muito sensíveis e específicos.

Tratamento da esporotricose

Inicialmente, se utilizava o iodeto de potássio, por via oral, com grande sucesso.

Porém, esse medicamento, de baixo custo, apresenta alguns efeitos colaterais, como o sabor desagradável.

Atualmente, a preferência é o itraconazol,utilizado  por via oral.

Deve ser continuada sua administração, assim como o iodeto de potássio, até um mês após a cura das lesões da pele. Apresenta o inconveniente do alto custo.

Outros medicamentos menos utilizados, também por via oral, são a terbinafina, o fluconazol e o cetoconazol.

A cura da doença ocorre após 3 meses. Vale ressaltar que antes de tomar qualquer medicamento, é essencial consultar um médico especializado para identificar o fungo através da cultura micológica e prescrever o melhor remédio para cada caso.

Também é importante identificar e tratar os animais domésticos em contato com as pessoas.

A anfotericina B é utilizada para o tratamento das formas graves, coincidindo com o comprometimento da imunidade, por via intravenosa. É muito eficaz, porém apresenta vários efeitos adversos, como no coração e nos rins.

Outro recurso terapêutico é a termoterapia. Consiste em banhos com temperatura a 45 graus centígrados por um período de 20 minutos, 3 vezes ao dia, de 3 a 6 meses. Não faz parte do tratamento de rotina.

Se você desconfia que está com esporotricose, não deixe de marcar uma consulta conosco para fazer os exames necessários para iniciar o tratamento. Qualquer dúvida, basta deixá-la nos comentários.